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Götze e a moda do “falso 9”

André Eusébio · 3 min

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A minha memória futebolística não me permite saber quem terá sido o primeiro treinador a utilizar como elemento mais avançado um jogador que não fosse verdadeiramente um ponta-de-lança. O que é certo é que, actualmente, são várias as equipas que aderiram à moda do “falso 9”, optando por colocar um médio ofensivo a desempenhar o papel habitualmente destinado ao 9. O Bayern de Guardiola é, sem surpresas, um desses conjuntos, tendo em Mario Götze uma opção fantástica para aproveitar da melhor maneira as potencialidades desse modelo de jogo, que, como qualquer outro, tem prós e contras.

Recordo-me do tempo em que se dizia que jogar sem referência ofensiva era uma estratégia de equipa pequena. Era abdicar do ataque. Uma teoria que hoje em dia pode ser facilmente refutada; basta olhar para o nível das equipas que o fazem, como o Barcelona, o Bayern, as selecções espanhola e alemã. Não é novidade para ninguém que todos estes conjuntos praticam um futebol assente na posse de bola: apenas visam a baliza quando as condições de finalização são boas, o que aumenta a probabilidade de sucesso. Tendo por base esta ideia, surgiu a necessidade (ou vontade) de ter mais um jogador a participar na criação ofensiva – isto se pensarmos num ponta-de-lança do tipo “pinheiro”, que não se concentra tanto nos processos de construção mas mais nos momentos de finalização. Por um lado, isto permite uma dinâmica de jogo muito elevada, com movimentações constantes; por outro, deixa a equipa com pouca presença na área contrária.

Messi com liberdade total em campo / Fonte: a-prancheta.com
Messi com liberdade total em campo
Fonte: a-prancheta.com

Terá sido quando Guardiola deslocou Messi do flanco direito para a zona central que o conceito do “falso 9” passou a estar em voga. Agora no Bayern, o técnico espanhol pretende implementar um modelo semelhante, tendo escolhido Mario Götze para desempenhar esse papel. Contratado ao Dortmund, o craque ainda não tinha ganho o seu espaço no 11 inicial (também por alguns problemas físicos)… até ao jogo com o CSKA, em que foi titular como elemento mais adiantado da equipa. Surpreendentemente – ou não -, o médio ofensivo assinou uma grande exibição, levando Guardiola a repetir a dose na partida com o E. Braunschweig. Ou muito me engano ou esta aposta (que já havia sido testada por Löw na selecção alemã) tem tudo para dar certo. Só a posso elogiar, até porque considero Mandzukic um ponta-de-lança bastante limitado em termos técnicos. Götze tem características perfeitas para jogar como vagabundo: é inteligente, tem qualidade técnica, velocidade de execução e capacidade de decisão muito acima da média. Para além disso, marca golos com regularidade, algo fundamental numa equipa que não tem um ponta-de-lança assumido. No Bayern isso não será problema, já que Ribéry, Robben, Kroos, entre outros, são jogadores que garantem vários golos por época.

Götze brilhou frente ao CSKA / Fonte: media.bundesliga.com
Götze brilhou frente ao CSKA
Fonte: media.bundesliga.com

Por norma, os modelos de sucesso são copiados. Posto isto, teremos futuramente o 4x6x0 como uma opção preferencial para muitas equipas? A curto prazo parece-me pouco provável; poucas têm condições para isso. Como referi anteriormente, só um jogador muito acima da média é capaz de fazer de “falso 9” com qualidade, e é preciso que os outros jogadores compensem a falta dos golos do ponta-de-lança. Resta-nos esperar para ver. Ainda assim, deixo um pedido: utilizem o falso 9 à vontade, mas não acabem com os homens de área. Futebol bonito? Sempre. Futebol sem balizas? Não, obrigado.

André Eusébio

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