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“3. Liga – nie mehr, nie mehr!” (3.ª divisão – nunca mais, nunca mais) – Foi este o grito de “guerra” que ecoou um pouco por todos os estádios da 3. Liga alemã esta temporada sempre que o SG Dynamo Dresden actuava na condição de equipa visitante ou sempre que jogava em casa, apoiado por mais de 20 mil frenéticos adeptos. Foi também com estas palavras de ordem que o capitão de equipa, Michael Hefele, “puxou” pelos seus companheiros, enquanto faziam a viagem de regresso a Dresden no autocarro da equipa após o empate a duas bolas frente aos rivais de longa data, 1. FC Magdeburg, empate esse que garantiu à equipa a subida ao segundo escalão do futebol alemão, no passado Sábado, 16 de Abril, à tarde.
A MDCC-Arena, em Magdeburgo, serviu de palco ao embate entre duas antigas potências do futebol alemão e europeu, mas que, pelos dias de hoje, militam, esquecidos pelo tempo, na 3.ª divisão do futebol germânico. “Traídos” pela reunificação das Alemanhas há mais de um quarto de século atrás, o 1.FC Magdeburg e o SGD Dynamo Dresden nunca mais se conseguiram impor na alta roda do futebol alemão, e os últimos anos têm sido particularmente penosos para ambos os emblemas. Perante 21.954 espectadores, estes dois grandes emblemas de outrora proporcionaram um bom espectáculo de futebol, que culminou com a festa de subida de divisão da formação de Dresden.
Os homens da casa dominaram na primeira metade do jogo e foi com alguma naturalidade que chegaram ao intervalo a vencer por 1-0, graças a um golo da autoria de Michel Niemeyer no minuto 41′ da partida. Os vencedores da extinta Taça das Taças no longínquo ano de 1974 voltaram a entrar forte no segundo tempo e chegaram ao 2-0 pelo antigo internacional de Sub-18 alemão Manuel Farrona-Pulido, que após a cobrança de um livre para a área aproveitou da melhor maneira alguma desorientação na defesa do SD Dynamo Dresden para bater Patrick Wiegers pela segunda vez.

Fonte: spiegel.de
Os visitantes, por seu lado, sabiam que o VfL Osnabrück estava empatado com o FSV Mainz II em casa por essa altura e que continuavam apenas a necessitar de fazer um ponto para assegurar desde logo a subida à 2. Bundesliga e, por isso, os pupilos de Uwe Neuhaus colocaram mãos à obra em busca do resultado. Os suspeitos do costume, Pascal “Paco” Testroet e Justin Eilers (o seu 20.º golo esta temporada), empataram o jogo para o Dynamo em apenas quatro minutos, levando à quase loucura os adeptos, que, com um entusiasmo contagiante, apoiavam a equipa na MDCC-Arena e a alguns quilómetros de distância, em Dresden, num ecrã gigante que o clube montou no seu próprio estádio para todos aqueles que não puderam fazer a viagem até Magdeburgo. Com pouco mais de 20 minutos até ao final, as duas equipas beneficiaram ainda de várias situações para marcar, mas o 2-2 manteve-se inalterado até ao último apito do árbitro.
Os festejos tiveram início mesmo ali, em pleno território rival, e estenderam-se ao balneário, ao autocarro, às ruas de Dresden e ao DDV-Stadion, onde cerca de 10.000 adeptos esperavam a chegada dos jogadores. Jean François Kornetzky, o terceiro guarda-redes da equipa, teve direito a uma rapadela de cabelo, algo assinalável se levarmos em conta que o seu cabelo lhe cobria os ombros; Michael Hefele, o capitão de equipa, andou aos ombros dos adeptos e o treinador, Uwe Neuhaus, também não escapou à alegria dos mesmos, que o atiraram ao ar algumas vezes, respeitando a tradição reinante nos antigos países do leste da Europa sempre que um treinador vence uma competição importante ou consegue um feito assinalável, tal como hoje aconteceu com o experiente técnico alemão.

Fonte: spiegel.de
Quando o autocarro da equipa chegou ao DDV-Stadion, em Dresden, tinha à sua espera milhares de adeptos que, de tochas na mão e a entoar cânticos de vitória, iluminaram o caminho até ao interior do estádio. Já no interior, a festa continuou noite fora com os jogadores, estrutura directiva e massa associativa a libertarem finalmente aquela ansiedade que já os acompanhava há vários jogos e que crescia semana após semana sempre que o Dynamo não conseguia, ainda que apenas matematicamente, garantir os pontos necessários que lhe permitissem ascender de categoria.
Se não fossem as escaramuças com as forças de autoridade antes do início do jogo em Magdeburgo e o facto de cerca de 700 adeptos do Dynamo terem visto a sua entrada barrada no estádio como consequência disso, teria sido um dia mais do que perfeito para o histórico emblema alemão.
Este novo SG Dynamo Dresden goza de boa saúde actualmente e longe vão os tempos do clube endividado e desestruturado, incapaz de fazer jus à história do clube. Desde o passado dia 21 de Março, o SG Dynamo Dresden é um clube sem dívidas (Schuldenfrei), uma vez que o antigo campeão da RDA liquidou a última das prestações a que estava sujeito e, pela primeira vez em 25 anos, o clube respira livremente e com optimismo para um futuro que promete ser de sucesso.
O carismático Uwe Neuhaus construiu, em conjunto com Ralf Minge (antigo atleta da equipa e actual director desportivo), uma equipa ganhadora, que até ao momento só foi derrotada em duas ocasiões esta temporada, e que a quatro jornadas do final da época já garantiu a subida de escalão e irá, muito provavelmente, sagrar-se campeã da 3. Liga, já que conta, à data deste artigo, com oito pontos de vantagem sobre o segundo classificado, o FC Erzgebirge Aue.

Fonte: bild.de
O SG Dynamo Dresden, este de agora, como aquele de há 30 e 40 anos atrás, o de Ulf Kirsten, Matthias Sammer e Torsten Gütschow, ou o de Benny Kirsten, Cristian Fiél, Marvin Stefaniak, Michael Hefele e Justin Eilers, tem algo de especial, algo que lhe confere uma magia muito própria, que faz os jogadores chorarem quando deixam o clube ou quando dão uma entrevista a seguir ao jogo que lhes garantiu a subida de divisão, um sentimento ao mesmo tempo nostálgico e de modernidade, uma simplicidade misturada com romantismo, um certo quê que sai da esfera do entendimento comum, que outros clubes, por muito famosos que sejam, não conseguem ter.
O SG Dynamo Dresden desafiou os ditames da Stasi de Erich Mielke, esteve a um jogo de distância de vencer a Taça UEFA, foi oito vezes campeão da ex-RDA, venceu por sete vezes o FDGB Pokal (Taça da ex-RDA), manteve-se à tona da água apesar da profunda crise financeira e agora renasceu das cinzas para começar com passos sólidos, como aqueles que deu esta temporada, a preparar o seu regresso ao principal escalão do futebol, de onde um clube com a sua grandeza nunca deveria ter saído.
Foto de Capa: Bild Dresden









