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Um 11 de luxo com jogadores formados no Schalke 04

João Pedro Rocha · 8 min

Foto: Schalke 04

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O Schalke 04 pode não se equiparar ao Borussia Dortmund e ao FC Bayern Munique a nível de sucesso, até porque neste século contam apenas com uma Taça e uma Supertaça da Alemanha, no entanto, a formar jogadores consegue competir com os melhores.

Vários jogadores da formação brilharam na equipa principal, embora grande parte deles tivesse passagem curta e obtivesse sucesso em outros palcos.

A academia Knappenschmiede produziu inúmeros talentos ao longo dos anos e várias estrelas do futebol mundial, e esse sucesso não surgiu do nada, como explica Peter Knabel. Para o diretor desportivo, o que torna o clube e a formação tão especiais deriva da 2ª Guerra Mundial, quando uma mistura de culturas e padrões distintos trabalhava nas minas da Renânia da Norte-Vestfália, desde polacos, a italianos, a turcos, entre outros. Esse fator trouxe benefícios, pois os filhos e netos dessas pessoas cresceram com uma mentalidade trabalhadora e com a dedicação certa para evoluírem rapidamente.

“Não queremos treinadores a dar muitas instruções táticas a crianças com menos de 14 anos. O importante aqui é o tempo, e queremos que eles pensem ‘Quando?’, ‘O quê?’, por isso o 4-4-2 e o 3-5-2 não importam até essa idade. Se um treinador de sub-9 lhes disser que ganhar não é importante, deviam ver a cara deles. Ficam irritados quando perdem, mas o treinador nunca pode ficar mais do que os miúdos.”, explica Peter Knabel.

O Bola na Rede fez um onze de diamantes, cujo talento encantou pela primeira vez com as cores do orgulho de Gelsenkirchen.

GUARDA-REDES


Manuel Neuer – Outra opção viável seria Jens Lehmann, que ganhava pontos pela sua excentricidade, no entanto a carreira de Manuel Neuer é das mais bem-sucedidas nesta posição. Ingressou nas escolinhas do Schalke pouco depois do seu quinto aniversário e desenvolveu as qualidades futebolísticas, até se decidir que proteger a baliza era o seu forte.

A estreia de Neuer na Bundesliga foi aos 20 anos e desde cedo se percebeu o monstro em que se iria tornar. O desenvolvimento do alemão foi bastante rápido e revelou-se um dos melhores em tenra idade. Conta uma carreira de luxo, com uma Liga dos Campeões e um Mundial no palmarés, e uma série de títulos ao serviço do Bayern Munique, onde é o número um da baliza há praticamente uma década, desde a saída do Schalke.

LATERAL-DIREITO


Thilo Kehrer – Atualmente com 23 anos, foi no Estugarda que descobriu os talentos futebolísticos, mas abandonou a academia do clube em 2012 para se juntar à formação da equipa de Gelsenkirchen. Durante esse período, atuou como defesa-direito, defesa central e médio defensivo até ao momento da chamada à equipa principal, durante a temporada 2015/2016.

O auge enquanto atleta do Schalke sucedeu-se quando apontou um golo no Revierderby. A nível internacional, foi um dos jogadores mais importantes na conquista do europeu sub-21 ao serviço da Alemanha. Em 2018, chamou à atenção do PSG, que desembolsou quase 40 milhões de euros para o contratar e, atualmente, é especialmente útil pela sua polivalência, embora tenha capacidade para realizar mais jogos e minutos do que tem feito.

DEFESA-CENTRAL


Benedikt Howedes – Nascido e criado em Gelsenkirchen, é filho de um antigo treinador de um clube local, o que deu aso a Howedes se tornar um ídolo do Schalke. Foi capitão dos sub-19 dos Royal Blues e assumiu a mesma responsabilidade da equipa principal em 2011/2012, com apenas 23 anos. Cinco anos depois, tornou-se no oitavo jogador a alcançar 100 jogos na Bundesliga com a camisola do Schalke. Foi campeão do mundo pela Alemanha e foi um dos três jogadores que participou em todos os minutos do torneio.

Saiu do clube em 2017 e, atualmente, representa o Lokomotiv Moscovo, após uma curta passagem pela Juventus a título de empréstimo.

DEFESA-CENTRAL


Christoph Metzelder – A primeira passagem pelo Schalke foi curta, pois foi riscado das camadas jovens do clube, e seguiu para o Munster, no qual terminou a formação e estreou-se como sénior, antes de completar uma transferência para o Borussia Dortmund, clube que representou durante sete anos. “Metze” deu continuidade à sua carreira sucessiva, com uma transferência para o Real Madrid, no entanto as lesões impediram-no de ser mais regular.

15 anos depois de atuar pelo Schalke na formação, voltou a assinar pelos mineiros, onde esteve durante três épocas e foi útil na conquista da Taça da Alemanha em 2011. Os problemas físicos continuaram a azucrinar o defesa germânico e em 2013 regressou ao clube local que marcou a sua infância, o TuS Haltern, orientado pelo pai de Howedes. Num espaço de meses, passou de atuar perante 60 000 adeptos na Veltins Arena, para 60 na Stauseekampfbahn. No final dessa temporada, terminou a carreira com apenas 32 anos.

DEFESA-CENTRAL


Joel Matip – O Schalke agarrou rapidamente este talento da formação do Bochum, local onde nasceu, embora tenha nacionalidade camaronesa. Fez todos os últimos anos da formação vestido de azul e branco e estreou-se pela equipa principal em 2009, com apenas 18 anos. Fez mais de 250 jogos e coletou uma Taça da Alemanha, até ser transferido para o Liverpool em 2016. Ficou marcado como um dos mais emblemáticos a vestir a camisola dos Royal Blues.

Até ao momento, já leva 110 jogos pelos reds e teve um peso determinante nas conquistas do Liverpool. Faz uma bela dupla defensiva com Virgil Van Dijk, apesar de dividir tempo de jogo com o concorrente Joe Gómez.

LATERAL-ESQUERDO


Sead Kolasinac – É o primeiro de dois jogadores do Arsenal neste onze. Natural de Karlsruhe, iniciou a formação no clube local, seguido de passagens pelo Hoffenheim e Estugarda. Todos estes três devem estar arrependidos de não aguentarem Kolasinac durante a formação, pois em 2011 ingressou no Schalke e precisou apenas de uma época nos juniores para demonstrar a capacidade de triunfar na equipa sénior. Neste período, o “Bulldozer” desenvolveu-se como um defesa hábil e poderoso fisicamente, e deixou um legado em Gelsenkirchen, onde esteve até 2017. Na sua última campanha, o defesa bósnio foi escolhido para a equipa do ano da liga alemã, antes de se mudar Londres, para representar o Arsenal.

MÉDIO-CENTRO


Ilkay Gundogan – Nascido em Gelsenkirchen, Gundogan passou apenas uma época nos escalões do Schalke, e teve de se mudar para o Bochum e depois para o Nuremberga para ter oportunidade de evoluir e ter a oportunidade de impressionar na liga alemã. Uma época e meia bastou para o Borussia Dortmund reconhecer toda a sua qualidade e desembolsar quase 6 milhões para adquirir o passe do centrocampista. Rapidamente se afirmou no submarino amarelo e realizou anos de luxo enquanto atleta do clube, até Pep Guardiola fazer questão de o levar para o Manchester City, onde é atualmente opção regular.

O Schalke certamente deve-se ter arrependido de não segurar o internacional alemão em jovem, e mais tarde vê-lo brilhar no eterno rival.

Em 2011, Gundogan revelou que era um sonho de criança jogar pelo Schalke, no entanto não foi fácil de aceitar uma passagem tão curta no maior clube da sua terra natal.

MÉDIO-CENTRO


Max Meyer – Tal como outros jogadores deste onze, Meyer deu os primeiros toques no clube da sua cidade, o Rot-Weiss Oberhausen, e no Duisburgo antes do Schalke o contratar no início da sua adolescência. Apesar de ter demorado, a equipa reconheceu realmente o talento a Meyer, quando o subiu para a equipa principal em 2012/2013, antes de lhe concederem a camisola 7, anteriormente vestida por Raúl González. Após cinco anos a representar os mineiros, joga atualmente no Crystal Palace de Inglaterra, após ter sido transferido a custo zero em 2018.

Meyer venceu o Euro sub-21 e coletou uma medalha olímpica de prata, no entanto todo o potencial depositado anteriormente não coincide com o rendimento demonstrado até ao momento. Quando abandonou o Schalke, acusou o diretor desportivo, Christian Heidel, de “bullying”, e, atualmente, aos 24 anos, procura tirar o máximo proveito das qualidades na liga inglesa.

MÉDIO OFENSIVO


Julian Draxler – O jogador que muitos veem como um exemplo ingressou na academia do Schalke com apenas oito anos e escreveu um dos episódios mais bonitos da história do clube. Felix Magath subiu-o à primeira equipa aos 17 anos, colocando-o entre os dez alemães mais jovens a estrearem-se ao mais alto nível. Foi campeão do mundo enquanto atleta dos Royal Blues e, no ano seguinte, transferiu-se para o Wolfsburgo por um valor exorbitante de 43 milhões de euros. No novo clube, continuou a demonstrar toda a qualidade, até ser transferido 18 meses depois para o Paris Saint-Germain. Aos 26 anos, encontra-se tapado por Neymar, Mbappé, Cavani, Icardi e Di María.

MÉDIO OFENSIVO


Mesut Ozil-“Gelsenkirchen é onde fui criado e cresci, e onde vivem a minha família e amigos. Estou muito relacionado com a cidade. Comecei a minha carreira futebolística lá e tenho memórias incríveis do Schalke.

Mesut alinhou no escalão de juniores do Schalke e precisou apenas de 12 meses para subir à equipa principal, em 2006/2007, com apenas 17 anos. Fez 19 jogos na época em que a equipa termina em segundo atrás do Estugarda, no entanto, a meio da época seguinte, transferiu-se para o Werder Bremen. Esta mudança foi o catalisador para o elevar de Ozil ao topo do mundo, juntamente com um Mundial 2010 de classe. Foi no Real Madrid que se encheu de reputação e títulos, antes de vencer o prestigioso Mundial em 2014 ao serviço da Alemanha. Atualmente, é atleta do Arsenal, mas tem andado apagado daquilo que habituou os adeptos ao longo dos últimos anos.

AVANÇADO


Leroy Sané – O que pensará um adepto do Bayer Leverkusen ao perceber que o jovem que contratou ao Schalke, regressou a Gelsenkirchen três anos depois, em 2011, e hoje esse homem é um dos mais letais na sua posição. Em 2014/2015, marcou frente ao Real Madrid na Liga dos Campeões, enquanto ainda representava os sub-19 do Schalke, e começou a ser perseguido pela Europa inteira.

Ainda hoje não é confirmado o valor oficial do negócio do extremo para o Manchester City, no entanto alega-se que seja o jogador alemão mais caro da história. De momento, fala-se numa forte possibilidade de representar o Bayern Munique na próxima temporada.

 

Artigo revisto por Joana Mendes

 

João Pedro Rocha

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