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Um Hertha BSC à imagem de Pál Dárdai

Joel Amorim · 5 min

Um Hertha BSC à imagem de Pál Dárdai

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Cabeçalho Liga Alemã

Pál Dárdai é um nome incontornável na história do futebol húngaro e também, porque não dizê-lo, da Bundesliga. Aos 40 anos de idade, Dárdai vive aquele que, porventura, será o momento mais alto da sua ainda curta carreira como treinador principal. O seu Hertha BSC é seguramente uma das formações mais interessantes da presente edição da Bundesliga e nem o começo de temporada menos auspicioso serviu para minar aquela que, até ao momento, está a ser um época de sonho para a Velha Senhora (Die Alte Dame) do futebol alemão.

O passado dia 4 de Agosto foi de má memória para Pál Dárdai e para os seus homens. Após uma vitória por uma bola a zero no Friedrich-Ludwig-Jahn-Sportpark em Berlim, os comandados por Pál Dárdai partiam para a Dinamarca com uma vantagem que deveria ser suficiente para garantir um lugar na fase seguinte da Liga Europa, mas tal não aconteceu. O Brondby IF estava apostado em fazer a vida cara ao conjunto alemão e a sua perseverança levou-os a uma sofrida, mas merecida vitória sobre um Hertha BSC demasiado relaxado para um jogo com tamanha importância. O avançado finlandês Teemu Pukki foi o herói da partida ao apontar o hat-trick que resultou na vitória por 3-1 da sua equipa. De pouco valeu ao Hertha BSC, o golo de pontapé de bicicleta que Vedad Ibisevic marcou na partida da primeira-mão, e o conjunto alemão via-se assim fora de combate numa fase ainda prematura da competição.

Sem nunca deixarem de apoiar a equipa, o desencanto dos fervorosos adeptos do Hertha BSC adensou-se quando umas semanas mais tarde, os comandados por Pál Dárdai  necessitaram de recorrer às grandes penalidades para eliminar o SSV Jahn Regensburg do lendário goleador alemão Heiko Herrlich do DFB Pokal.

Pal Dárdai – O homem que mudou mentalidades num adormecido Hertha BSC Fonte: sportmenu.net
Pal Dárdai – O homem que mudou mentalidades num adormecido Hertha BSC
Fonte: sportmenu.net

Algo parecia não estar bem na equipa da capital da Alemanha, mas Pál Dárdai não se deixou intimidar e, com a exigência táctica e técnica que o caracteriza, reuniu as tropas em seu redor e fez com que o Hertha BSC arrancasse a presente edição da Bundesliga com três vitórias consecutivas, uma das quais diante do FC Schalke 04 por 2-0.

A Velha Senhora do futebol alemão começava a jogar bom futebol, muito à semelhança daquele que havia posto em prática na temporada passada, mas tinha na 4ª jornada da Bundesliga uma prova de fogo diante do poderoso do FC Bayern München na Allianz Arena. O Hertha BSC procurou jogar olhos nos olhos com o campeão alemão, mas uma série de erros defensivos, com a equipa a tentar sair a jogar a partir de trás, custaram-lhe uma pesada derrota por 3-0.

Não havia tempo para lamentos e os comandados por Pál Dárdai lamberam as feridas do desaire na Bavária rapidamente conseguindo arrancar um empate a três bolas na visita ao surpreendente Eintracht Frankfurt de Niko Kovac três dias mais tarde. Pela mão do poderoso avançado bósnio e novo capitão de equipa Vedad Ibisevic, que já leva seis golos e três assistências esta temporada, a formação de Berlim arrancou numa nova senda de resultados positivos, conseguindo duas vitórias e dois empates nos últimos quatro encontros.

O empate da passada semana diante do Borussia Dortmund no Signal Iduna Park e a vitória caseira deste Sábado frente ao surpreendente FC Köln do austríaco Peter Stöger, deixam a formação da capital alemã, à condição, no segundo lugar da Bundesliga.

Apesar de primar pela disciplina, Dárdai goza da total confiança dos seus jogadores Fonte: Hertha BSC
Apesar de primar pela disciplina, Dárdai goza da total confiança dos seus jogadores
Fonte: Hertha BSC

Pál Dárdai é um treinador jovem, mas de ideias fixas. Há 19 anos ao serviço do Hertha BSC, Dárdai já fez um pouco de tudo. Foi jogador entre 1997 e 2011, foi treinador das camadas jovens do clube até 2015, assumiu a posição de treinador interino após a saída do holandês Jos Luhukay e é desde Maio do ano passado o treinador principal da equipa.  Para além de ser o jogador que mais jogos disputou ao serviço do clube (366), Dárdai é um símbolo do Hertha BSC e é extremamente respeitado pelos fiéis adeptos do emblema berlinense, que até já têm uma música para ele.

Dentro de campo, Dárdai tem-se mantido fiel ao seu 4-2-3-1, mas já utilizou em diversas ocasiões o 4-4-2 clássico. A onda de lesões que tem afectado a equipa, tem deixado o técnico húngaro sem jogadores importantes, como são os casos do talentoso médio checo Vladimir Darida, do médio ofensivo eslovaco Ondrej Duda, que chegou esta temporada do Legia Warszawa, e do suíço Fabian Lustenberger, que está no clube desde 2007 e que curiosamente perdeu esta época a braçadeira de capitão para Vedad Ibisevic. Ainda assim, Dárdai tem conseguido montar a sua estratégia de forma altamente eficaz com a equipa a dar uma excelente resposta em praticamente todos os jogos.

O talento do versátil Niklas Stark, de apenas 21 anos, o espírito de combate do norueguês Per Skjelbred e a irreverência do suíço Valentin Stocker ditam o ritmo de jogo da equipa na ausência de Vladimir Darida, compondo um triângulo de meio-campo que sustenta quase toda a estratégia atacante e defensiva da equipa.

Lá na frente, o poderoso avançado e actual capitão de equipa, Vedad Ibisevic, continua a dar cartas e a conferir ao Hertha BSC aquela presença na área que lhe havia faltado num passado recente.

Dárdai e Ibisevic, dois dos grandes responsáveis pela boa campanha do Hertha BSC Fonte: berliner-zeitung.de
Dárdai e Ibisevic, dois dos grandes responsáveis pela boa campanha do Hertha BSC
Fonte: berliner-zeitung.de

Dárdai é um treinador com mentalidade ganhadora. Numa entrevista concedida ao Deutsche Welle na temporada passada, o jovem técnico húngaro confessou que a sua equipa entra em todos os jogos para ganhar, independentemente do adversário e que essa é a filosofia que tenta transmitir aos seus jogadores semana após semana. Exigente quanto baste, Dárdai quer dos seus jogadores empenho total em redor dos interesses da equipa, mas faz de tudo para não se imiscuir naquilo que eles fazem extra futebol. O técnico húngaro vê nessa relação de reciprocidade com os seus jogadores a chave para o sucesso da equipa e acredita que uma equipa disciplinada técnica e tacticamente tem tudo o que necessita para ser bem sucedida.

Dárdai é ambicioso, diz que foi o seu pai, também ele treinador de futebol, que lhe incutiu essa forma de estar na vida, ao mesmo tempo que o ensinou a lutar por aquilo que pretende. Foram a sua ambição e disciplina que fizeram com que o Hertha BSC, que parecia estar entregue à mediocridade, voltasse a prosperar no futebol alemão e serão seguramente esses princípios que farão de Dárdai um dos técnicos mais cobiçados do velho continente num futuro próximo.

Foto de capa: 24.hu

Joel Amorim

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