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Em busca da felicidade

César Mayrinck · 5 min

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Ser jogador de futebol é o sonho de nove entre dez garotos. A criança cresce assistindo pela televisão todo o sucesso que possui um profissional do futebol. O glamour que é transmitido, como o reconhecimento mundial e o dinheiro conquistado, se une ao amor que a pessoa tem pelo esporte.

É a união da fome com um prato de comida. Inicialmente, a criança sonha em jogar pelo seu clube de coração e depois se transferir para um gigante europeu. Exemplos de sucesso como o Neymar, Vinicius Júnior e Rodrygo (para ficarmos apenas nos exemplos recentes) alimentam a vontade de triunfar na profissão tão precocemente já escolhida.

Mas nem tudo são flores. Na televisão são transmitidos os principais campeonatos do mundo e o garoto sonha em fazer parte desse universo. Porém, menos de 1% dos jogadores do futebol mundial estão em uma liga importante e recebem um bom salário.

A maioria lida diariamente para ter um clube para jogar e ter pelo menos uma remuneração razoável. No Brasil, por exemplo, a maioria dos clubes ficam sem atividade na maior parte do ano, ou seja, vários jogadores são dispensados e precisam ter outra atividade para se sustentarem. Mesmo com o caminho difícil, os garotos não desistem. Nesse meio é preciso talento, sorte e de encontrar as pessoas certas pelo percurso.

Nesse artigo, vou falar de dois jovens brasileiros que buscam realizar o sonho de ser jogador de futebol. Cada um tem as suas peculiaridades, mas ambos simbolizam muitos garotos que estão na mesma situação.

Um dos últimos momentos do jovem Arthur Barbosa com a sua família, antes de embarcar rumo ao seu sonho de ser jogador de futebol no Rio de Janeiro
Fonte: Arquivo pessoal

Nascido em Belém do Pará, Arthur Barbosa tem 16 anos e desde muito cedo começou a sua trajetória no futebol. Deu seus primeiros chutes na bola aos cinco anos de idade, nas quadras da capital paraense. A sua paixão pelo futebol aumentava com o passar do tempo e a sua família o matriculou em uma escolinha. Aos poucos foi aprendendo como é o esporte de fato e decidiu, mesmo muito novo, que queria ser profissional.

Seu pai, Eduardo Barbosa, teve a percepção que para que o seu filho realizasse o seu sonho algumas mudanças precisavam ser feitas. “Mas chegando a puberdade, sabíamos que tais métodos e recursos disponíveis no Pará não poderiam formá-lo adequadamente como um jogador. Além disso não tínhamos contato nos grandes times daqui. Era necessário um projeto mais ambicioso e cheio de fantasia. Então concluído o ensino fundamental, partirmos para o Rio de Janeiro,” disse Eduardo Barbosa.

Arhur mora atualmente com a sua irmã no Rio de Janeiro e está treinando na Rio Soccer há 14 meses. A distância da família e dos amigos não é fácil, mas às vezes é preciso ir para longe para agarrar seus objetivos. Sempre que possível seu pai o visita, assim a saudade de casa diminui um pouco. Ambidestro atua nas duas laterais e tem como ídolo o Leandro, ex-lateral do Flamengo e da Seleção Brasileira.

A sua rotina na cidade maravilhosa é baseada nos treinamentos pela manhã, no fortalecimento da parte física pela tarde e a noite vai para a escola. Sobre ser atleta profissional, o jovem revelou: “Ser jogador de futebol porque eu amo o futebol. Gosto de ser desafiado e valorizo a confiança a mim depositada pelos companheiros de time e de minha família. Sou encantado pelas experiências que esse esporte me propõe. Meu pai me fez amar futebol, um amor passado por gerações.”

Percebe-se todo apoio e estrutura que o jogador recebe de sua família. A escolha em mudar para o Rio de Janeiro foi acertada e é encarada como um investimento no garoto, tanto na sua vida profissional quanto na sua vida pessoal.

Mas nem todos os jovens que sonham em ser jogador de futebol podem ter a oportunidade de receber tais incentivos ou investimentos. Do outro lado da moeda temos o Jean Lucas que assim como o Arthur sonha em ser um atleta profissional.

Jean Lucas em mais um dia de treinamento no São Francisco. A cada treino a esperança se renova.
Fonte: Arquivo pessoal

Lucas tem 18 anos e mora com o seu pai em Belém do Pará. O desejo em se tornar jogador de futebol sempre esteve com ele e uma promessa a sua mãe, que morreu há dois anos, o fez fortalecer nessa intenção de ser profissional. “Eu fiz uma promessa para a minha mãe que me tornaria um jogador de futebol. Tenho certeza que darei esse orgulho para ela,” disse Lucas.

Com a promessa feita, Lucas foi atrás do seu sonho. O jovem iniciou a sua trajetória no futebol jogando em um projeto comunitário chamado de “Parque Verde”. O seu treinador na época, Floriano, observou talento naquele jovem aprendiz de jogador e foi de fundamental importância como incentivador. Lucas ainda jogou na escolinha de futebol do Clube do Remo antes de parar na equipe de formação do São Francisco, por indicação do seu antigo treinador na época do Remo.

No Leão Santareno treina há dois meses e se prepara com afinco para a disputa da maior competição de base do estado do Pará, o Campeonato Paraense sub-20. Habilidoso meio campista, o atleta tem uma rotina diária bem puxada. Acorda às seis horas, toma o café da manhã e sai de casa para o treino.

O São Francisco realiza seus treinamentos em outra cidade, Ananindeua, e todos os dias Lucas faz o trajeto de uma hora e meia de ônibus para chegar ao local dos treinos. Muitas vezes realiza essa viagem toda em pé. Após os treinamentos, Lucas vai trabalhar no período da tarde e à noite ainda vai para escola. No final do dia chega exausto em casa, mas a sua determinação o faz ter força para recomeçar toda a sua rotina no dia seguinte.

Arthur Barbosa e Jean Lucas são dois conterrâneos que vivem realidades de vida diferentes, mas que são mais parecidos do que aparentam. Ambos possuem os mesmos sonhos, ambos lutam todos os dias para vencer na profissão que escolheram e ambos possuem pessoas que os amam e os apoiam. O desejo é que alcancem os seus objetivos e futuramente o futebol brasileiro possa ter dois novos craques.

São felizes jogando bola e isso é o mais importante. Caso a carreira não vingue, a vida continua. Com o carinho e dedicação que recebem vão se tornar grandes cidadãos. O caminho rumo ao profissionalismo é duro. Vários obstáculos precisam ser derrubados, mas a persistência e a idealização da concretização de um sonho servem como combustível para esses dois jovens.

Foto de Capa: Arquivo Pessoal

César Mayrinck

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