Fla – Flu: o renascer do futebol brasileiro

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Foi com muito prazer que assisti a um dos maiores clássicos do futebol brasileiro (e mundial, claro); agora em canal aberto – pelo menos para quem tem televisão por cabo. A partida não foi jogada no mítico Maracanã, é certo, mas o Estádio Nilton Santos, ou Engenhão, como preferirem chamar – que curiosamente pertence ao Botafogo – foi palco do melhor jogo de futebol no Brasil no ano corrente de 2017. E com as bancadas cheias de adeptos dos dois clubes! Finalmente! O jogo teve tudo de bom: cor, espetáculo das torcidas, futebol bem jogado, incerteza no marcador e, claro, golos! 3-3 e com direito a decisão nos penalties.

Estiveram perto de 40 mil torcedores – metade-metade – neste fantástico encontro. Velhos rivais de sempre, os rubro-negros e os tricolores mediam forças num dos clássicos mais antigos do futebol brasileiro. O Maracanã, já aqui escrevemos, continua num impasse de concessão e o abandono é a lei naquelas bandas. Lamentável. Mas parece que o futebol jogado está a mudar no Brasil. Não só na seleção, agora comandada por Tite, mas nas equipes nacionais.

O futebol no Brasil parece estar cada vez mais a querer abrir-se a novos métodos e fórmulas. Há treinadores jovens sedentos de aprendizagem. Se Abel Braga, do Fluminense, é uma velha raposa – em Portugal treinou, por exemplo, Famalicão e Vitória de Setúbal – com vários títulos, incluindo campeonatos nacionais no Brasil pelo Fluminense, noutras passagens, e a Copa dos Libertadores da América e Taça Intercontinental, no Inter de Porto Alegre; já do outro lado, Zé Ricardo parece estar a fazer um bom trabalho à frente do Flamengo. Um técnico jovem, podemos dizê-lo, com 45 anos de idade.

As duas equipas apresentaram-se em bom plano e uma primeira parte, que, com incríveis 5 golos, prometia. O “Flu” vencia ao intervalo por 3-2. A marcha do marcador era alucinante. Os tricolores entraram na frente, o Flamengo virou, e a equipa das Laranjeiras voltou a estar na frente. Na segunda parte, o ritmo baixou compreensivelmente. Mesmo assim, o peruano Paolo Guerrero, de livre direto, empatou e levou o Estádio (bem como todo o Rio de Janeiro) à loucura. Nos penalties, o guarda-redes ex-Belenenses e Benfica, Júlio César (sim, lembram-se dele?) defendeu uma grande penalidade e foi o herói.

asdasd fonte:

Retrato perfeito do jogo – disputa intensa até final
Fonte: Coluna do Flamengo

Ainda estamos nos estaduais. Para se perceber, esta Taça Guanabara é a primeira fase do Estadual Carioca. Ou seja, agora haverá a Taça Rio. Uma espécie de segundo turno deste estadual. Assim, depois da Taça Rio, os quatro melhores colocados nos dois turnos – Taça Guanabara e Taça Rio – encontram-se em semi-finais, sendo a final jogada a duas mãos. Ou seja, o regulamento mudou, pois antes se o vencedor das duas voltas fosse o mesmo, seria coroado campeão automaticamente; se fossem dois clubes a vencer cada uma das Taças, haveria a finalíssima. A Federação Carioca mudou os regulamentos. Enfim. Opções.

Mais do que o 3-3, importa referir que a qualidade de futebol que se vai jogando dentro do Brasil me apraz cada vez mais; outra vez. Depois do marasmo em que se encontrava, vamos ver se agora o Brasileirão voltará a ser o celeiro da seleção mais titulada do mundo. Todavia, não só no estadual Carioca despontam treinadores e jogadores de qualidade. Mais abaixo, em S.Paulo, equipes como o Mirassol vão fazendo sensação. Bem sabemos que são apenas estaduais, mas há clubes como, por exemplo, o Santos, que já falam em despedimento de treinadores…

Facto didático (também é importante): em 105 anos de história deste belo e emocionante clássico brasileiro, o Fla-Flu foi disputado por 397 vezes. A vantagem é do Flamengo, com 144 vitórias; o Fluminense ganhou 126 partidas; houve ainda 127 empates. Mas, como numa boa rivalidade, cada um puxa a brasa à sua sardinha, e os tricolores também se podem rir dos rubro-negros, já que em confrontos diretos em decisões, isto é, valendo títulos ou eliminações, o Fluminense venceu 12, e o “Fla” logrou 10 triunfos. Por isso é que o futebol é bonito. A tua verdade não é a minha.

Foto: Netflu.com.br

Daniel Melo
Daniel Melohttp://www.bolanarede.pt
O Daniel Melo é por vezes leitor, por vezes crítico. Armado em intelectual cinéfilo com laivos artísticos. Jornalista quando quer. O desporto é mais uma das muitas escapatórias para o submundo. A sua lápide terá escrita a seguinte frase: "Aqui jaz um rapaz que tinha jeito para tudo, mas que nunca fez nada".                                                                                                                                                 O Daniel escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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