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O maior Atletiba da história

César Mayrinck · 4 min

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Cabeçalho Liga Brasileira

No dia 19 de fevereiro aconteceria o maior do estado do Paraná, Atlético e Coritiba. Os dois grandes rivais jogariam uma partida válida pela 5ª rodada do Campeonato Paranaense, no estádio da Arena da Baixada. Ambos os clubes não venderam os direitos de transmissão de seus jogos para a Rede Globo e decidiram contratar uma produtora – com profissionais do canal Esporte Interativo – para transmitir, gratuitamente, o jogo via Youtube e Facebook.

Entretanto, quando o estádio estava tomado por torcedores e os dois times já estavam no gramado para iniciar o clássico, surgiu uma ordem da F.P.F. (Federação Paranaense de Futebol), dizendo que o jogo não poderia iniciar se a equipe da produtora contratada não se retirasse do campo. A alegação apresentada pela Federação é que os dez integrantes da produtora não haviam sido credenciados em tempo hábil, que seria 48 horas antes do início do jogo.

O árbitro da partida recebeu essa informação e não iniciou o confronto. Essa decisão da F.P.F. gerou um conflito, pois os clubes informaram que não iriam jogar se a produtora não fizesse a transmissão do jogo. De fato os clubes não continuaram em campo e a partida não foi realizada.

É evidente que para qualquer evento, esportivo ou não, é necessário que se faça o credenciamento dos profissionais que irão trabalhar nele. Porém, o que a F.P.F. fez é um completo absurdo e colocou em risco a vida de milhares de pessoas, cerca de 20 mil torcedores estavam no estádio.

O risco da possibilidade de ter tido uma confusão generalizada nas arquibancadas da Arena era alto, pois se tratava de um clássico – que já é um jogo que aumenta os ânimos – e o torcedor fez toda a sua programação do dia e gastou seu dinheiro para ver o evento. Quando esse evento é cancelado por motivos banais os riscos surgem. Mas as torcidas agiram bem e apoiaram a decisão dos seus clubes de não haver o jogo caso a transmissão não fosse realizada via internet.

A decisão da Federação foi irresponsável e desastrosa, pois apesar de os funcionários da transmissão não terem sido credenciados oficialmente – mas foram cadastrados -, foram contratados pelos próprios clubes e os clubes transmitem os seus jogos como quiserem. As equipes de futebol estão acima de qualquer Federação de futebol ou emissora de televisão, são eles que produzem o espetáculo e valorizam os seus produtos como bem entenderem.

Os dois times se uniram no centro do gramado para parabenizar os torcedores que os apoiaram Fonte: TV CAP (Clube Atlético Paranaense).
Os dois times se uniram no centro do gramado para parabenizar os torcedores que os apoiaram
Fonte: TV CAP (Clube Atlético Paranaense).

Infelizmente, no Brasil a maioria das Federações estaduais de futebol parecem estar mais interessadas no lucro dos seus contratos e nas taxas que recebem com os jogos do que propriamente para os seus clubes filiados e para os campeonatos que “organizam”. Inclusive a divisão de quotas dos estaduais foi pauta para outro artigo publicado aqui no Bola na Rede.

Apesar da não realização do jogo, posso assegurar que esse foi o maior “Atletiba” da história. Os clubes se posicionaram de maneira corajosa e disseram para todos que quem faz o futebol são eles. A transmissão via internet já é uma realidade em muitos campeonatos nacionais pelo mundo e é importante os clubes brasileiros estarem preparados para essa tendência.

Dois dias após a data do jogo, a Federação Paranaense de Futebol afirmou que os clubes poderiam transmitir o jogo via internet. A Rede Globo de Televisão em nota oficial informou que não teve nenhuma relação com a não realização da partida e os que clubes possuem o direito de transmitir da maneira que lhes convém.

Apesar desse comunicado da emissora, fica “no ar” um certo mistério se a decisão da não realização da transmissão da partida partiu apenas da Federação ou se ela foi pressionada pela Globo. Como posição oficial para a não realização do clássico temos o posicionamento da F.P.F. que se responsabilizou integralmente pela decisão que tomou.

Veja abaixo a nota oficial emitida pelo Grupo Globo e a nota oficial divulgada pelos clubes.

Nota oficial divulgada pelos clubes:

O Coritiba Foot Ball Club e o Clube Atlético Paranaense informam que o clássico deste domingo (19), no Estádio Atlético Paranaense, não foi realizado devido à decisão da Federação Paranaense de Futebol de não autorizar o início da partida com a transmissão dos clubes em seus canais oficiais, no Facebook e YouTube, contrariando os interesses de seus afiliados CAP e CFC.

Os clubes lembram que a ação pioneira foi realizada, pois as duas equipes não venderam os direitos de transmissão de seus jogos no Campeonato Paranaense, por não concordarem com os valores oferecidos.

Diante da posição arbitrária e sem qualquer razoabilidade da Federação Paranaense de Futebol, os clubes lamentam o prejuízo causado ao futebol paranaense, em especial aos seus torcedores. 

 

Nota oficial do Grupo Globo:

“O Globoesporte.com lamenta profundamente a não-realização do jogo. Primeiro, em respeito ao público que foi ao estádio, aos atletas e aos espectadores. O Grupo Globo é, de longe, o maior incentivador do futebol brasileiro. Tanto dando visibilidade ao seu conteúdo em programas, telejornais e nas próprias transmissões esportivas, quanto no aspecto financeiro, adquirindo os direitos dos principais campeonatos, como o Brasileiro, Estaduais, Copa do Brasil, Copa Libertadores da América e Copa do Mundo.

Como destacado na nota oficial de domingo, 19 de fevereiro, o Grupo Globo não tem contrato com Atlético-PR e Coritiba no Campeonato Estadual e estava ciente da intenção dos clubes de fazer a transmissão pela internet.

O Grupo Globo reafirma que, em nenhuma hipótese, teve qualquer ligação com o episódio e espera que dirigentes de clubes e federações se entendam para que o torcedor, razão maior do espetáculo, não seja punido pela falta de organização e de bom senso.”

 

Artigo revisto por: Diana Martins

César Mayrinck

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