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As 5 campanhas de outsiders que surpreenderam na Liga dos Campeões

Fábio Pereira Lopes · 7 min

Foto: OL

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A Liga dos Campeões é o palco onde todos querem ser protagonistas, é a epopeia onde todos têm a ambição de alcançar o Olimpo do futebol e inscrever o seu nome na história da competição.

É, indubitavelmente, o título de clubes mais cobiçado do futebol europeu e o sonho de qualquer atleta. Contudo, esta é cada vez mais uma prova limitada a um número restrito de clubes. Estou a referir-me, naturalmente, aos colossos europeus, com recursos económicos infindáveis e investimentos megalómanos realizados nos seus plantéis.

É este o cenário que se tem afirmado e reforçado ano após ano, no qual é latente uma desigualdade crescente e abismal para os restantes clubes do Velho Continente que não possuem a mesma disponibilidade financeira. Assim, a competitividade da prova estará condenada e reduzida a um lote de clubes elitistas, propriedade privada de bilionários que fazem das instituições os seus brinquedos de fim de semana.

A revolução da Super Liga Europeia foi mais um passo nesta direção e um xeque-mate completo a tudo o que o desporto-rei representa. Neste sentido, e perante esta conjuntura, há uma dificuldade acrescida de um outsider conseguir ter um bom desempenho na Liga dos Campeões.

No entanto, são já vários os exemplos de formações que, ao longo dos anos e contra todas as expectativas, fizeram história e se conseguiram superar.

5 campanhas de outsiders na Liga dos Campeões

5.


Málaga CF (2012/13) – O Grupo C da Liga dos Campeões afigurava-se uma tarefa hercúlea para o Málaga CF, vencedor do tenso play-off frente ao Panathinaikos FC. Em época de estreia na prova milionária, o conjunto espanhol teve pela frente na fase de grupos, o sete vezes campeão europeu AC Milan, o FC Zenit St. Petersburg, reforçado por Hulk e Axel Witsel, provenientes do campeonato português, e o experiente RSC Anderlecht.

A primeira posição alcançada na fase grupos da liga dos Campeões e sem nenhuma derrota constituíram um feito absolutamente assinalável e o destino ditou que nos oitavos de final, os malaguistas iriam defrontar o FC Porto. Mesmo tendo perdido a primeira mão no Estádio do Dragão, os comandados de Manuel Pellegrini superiorizaram-se no segundo jogo e marcaram encontro com o Borussia Dortmund na próxima fase.

Nesta fase, foi por pouco que o Málaga CF não prolongou o seu conto de fadas – a poucos minutos de conseguirem uma histórica meia-final, os andaluzes sofreram dois golos nos descontos em casa dos germânicos – num encontro envolto em polémica – e terminaria aí a sua triunfal caminhada na competição.

A turma de Isco, Joaquín, Saviola, Júlio Baptista, Toulalan, Demichelis, Willy Caballero entre outros, jamais sairão da memória dos adeptos malaguistas.

4.


Olympique Lyon (2019/2020) – Uma década depois, o Lyon alcançou a proeza de regressar a uma meia-final da Liga dos Campeões. Num trajeto que teve início numa fase de grupos, na qual teve pela frente o RB Leipzig, o FC Zenit St. Petersburg e o SL Benfica, os franceses apuraram-se em segundo lugar do grupo, com somente um ponto a mais do que o conjunto português e a formação russa.

Nos oitavos de final, os comandados de Rudi Garcia tiveram pela frente os italianos da Juventus e com todo o mérito, conseguiram superiorizar-se. Após uma vitória alcançada pela margem mínima em território gaulês, o Lyon deslocou-se até Turim para fazer história. Apesar de uma derrota por 2-1 (com um bis de Cristiano Ronaldo), o golo de Memphis Depay, na segunda mão da eliminatória, ditou o apuramento dos franceses.

Já nos quartos de final da liga dos campeões (numa final eight que se disputou em Lisboa, devido aos atrasos na competição introduzidos pela pandemia), o Lyon, contra todas as probabilidades, impôs a sua qualidade sobre o Manchester City FC de Guardiola, alcançando o inédito feito de estar entre as quatro melhores equipas do Velho Continente, dez depois. Acabaria por ser eliminada pelo todo poderoso FC Bayern Munique, que acabaria por se sagrar campeão europeu, nas meias finais.

Uma equipa recheada de talento, nomeadamente, Memphis Depay, Aouar, Maxwell Cornet, Bruno Guimarães, Moussa Dembélé, que voltou a dar esperanças de um triunfo europeu na Liga dos Campeões.

 

3.


Apoel Nicosia (2011/12) – Uma das histórias mais improváveis e surpreendentes. Os cipriotas tiveram um longo caminho até marcarem presença na fase de grupos da Liga dos Campeões: eliminaram três equipas, antes de o sorteio ditar que os adversários seriam o FC Porto, o FC Zenit St. Petersburg os ucranianos do FK Shakhtar Donetsk. Fruto de uma boa organização defensiva e uma coesão coletiva assinalável, o APOEL foi-se reinventando a cada partida, conseguindo bons resultados contra estas formações.

Um inédito primeiro lugar no grupo elevou o clube cipriota ao topo do futebol do Chipre, tornando-se no primeiro clube do país a qualificar-se para os oitavos de final da Champions. Um trajeto de glória que não ficaria por aqui.

Na fase seguinte foi o Lyon o oponente a defrontar e, apesar da vitória gaulesa na primeira mão, o conjunto de Nicósia, perante os seus adeptos, conseguiu igualar a eliminatória, que acabaria por ser decidida nos penáltis. Na cobrança dos castigos máximos, o APOEL não vacilou e escrevia assim mais uma página dourada na história do clube com o apuramento para os quartos de final da maior prova de clubes.

O sonho acabaria por chegar ao fim nos quartos de final da liga dos campeõez, perante um Real Madrid CF bastante superior e que acabou por golear a formação cipriota. Para a história fica uma caminhada absolutamente brilhante de um David que desafiou vários Golias.

2.


Schalke 04 (2010/2011) – A formação germânica é outro exemplo de sucesso na Liga dos Campeões. Um trajeto que começou na fase de grupos, onde teve pela frente Lyon, SL Benfica e Hapoel Tel Aviv. Com desempenhos soberbos, conseguiu superiorizar-se e ficou em primeiro lugar do grupo. Ainda assim, a época para a turma de Gelsenkirchen foi bastante atribulada.

O técnico Felix Magath, que orientou a equipa rumo aos quartos de final da Liga dos Campeões, após triunfo sobre o Valencia CF (agregado 4-2), assim como à final da Taça da Alemanha, acabou por abandonar o comando técnico dos alemães em março, sendo substituído por Ralf Rangnick. Nem a mudança de treinador desviou o foco da Liga dos Campeões e, nos quartos de final, os germânicos eliminaram o FC Internazionale.

Em dificuldades na Liga Alemã, o Schalke 04 venceu de forma sensacional no terreno dos então detentores do troféu na primeira mão, por expressivos 5-2 (apesar de terem sofrido um dos melhores golos de sempre da prova logo a abrir, assinado por Dejan Stanković). Os pupilos de Ralf Rangnick defenderam, depois, com segurança e contra-atacaram na perfeição rumo a nova vitória no segundo jogo.

A aventura europeia chegaria ao fim nas meias finais, ao serem eliminados pelo Manchester United FC. Raúl Gonzalez, Manuel Neuer, Matip, Julian Draxler e o peruano Farfán foram alguns dos destaques do conjunto de Gelsenkirchen, que encantou toda a Europa.

1.


AFC Ajax (2018/2019) – A formação neerlandesa deslumbrou toda a Europa com o seu futebol envolvente, ofensivo e com uma formação repleta de jovens. Numa fase de grupos, na qual teve pela frente equipas como o FC Bayern Munique, SL Benfica e AEK de Atenas, o conjunto de Erik Ten Hag mostrou-se em excelente plano e qualificou-se em segundo lugar do grupo para os oitavos de final, com uma margem bastante considerável para o terceiro classificado, o SL Benfica.

Contudo, o melhor estava guardado para a fase a eliminar, onde o conjunto de Amesterdão se evidenciou e espalhou toda a sua qualidade. A primeira vítima foi o Real Madrid CF, os campeões europeus em título, que sucumbiu perante um AFC Ajax bastante superior e que gelou o Santiago Bernabéu. Seguiu-se a Juventus FC de Cristiano Ronaldo nos quartos de final, numa eliminatória que seria também decidida fora de portas, de forma categórica.

O trajeto parecia risonho e o adversário que se seguiu foi o Tottenham Hotspur FC de Mauricio Pochettino. Contudo, só uma noite de gala de Lucas Moura, que apontou um hat-trick – impediu que o conjunto holandês alcançasse a final, que se realizou, precisamente na casa dos spurs.

Apesar da eliminação da Liga dos Campeões, os pupilos de Erik Ten Hag foram um grande exemplo de superação e uma verdadeira prova de uma filosofia que esteve prestes a colher os seus frutos.

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

Fábio Pereira Lopes

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