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Hoje, em Kiev, os blancos estarão a entrar no relvado do NSC Olimpiyskiy para disputar a sua terceira final consecutiva da Liga dos Campeões. São a primeira equipa a conseguir tal feito desde o AC Milan, entre as épocas de 1991/92 e 1994/95. Onde está o segredo desta consistência do Real Madrid na maior competição de clubes da Europa? Conseguirão os madrilenos conquistar a sua terceira vitória em três épocas, feito que ainda ninguém atingiu desde o FC Bayern München, em 1976?
Primeiro, há que olhar para o homem que está por trás destas três finais consecutivas: Zinedine Zidane. No cargo de treinador desde janeiro de 2016, houve muita desconfiança em relação às suas capacidades de organizar uma equipa tática e emocionalmente. Mas “Zizou” fez uso da sua experiência como jogador. Como? Em 2003, quando o Real Madrid comprou David Beckham ao Manchester United e vendeu Claude Makelelé ao Chelsea, o então medio galactico disse: “porquê pôr mais uma camada de tinta dourada no Bentley, mas vender o motor?”.
Esta mentalidade é essencial para perceber como o Real Madrid de Zidane joga: apesar de todas as estrelas, de todos os mágicos, de todos os milhões, a equipa tem de ter sempre um “burro de carga”. E esse é, atualmente, Casemiro. Negligenciado por Carlo Ancelotti e Rafa Benítez –tendo sido emprestado ao FC Porto em 2014/15 -, o trinco brasileiro, forte, possante e sem a preocupação de fazer futebol bonito, parecia não ter lugar num meio campo com Modric, Kroos e James Rodríguez. Mas Zidane percebeu a sua utilidade: ele seria o motor de uma equipa que, na altura, se mostrava muito capaz de jogar ao primeiro toque, com triangulações e adornos de classe, mas incapaz de disputar bolas no meio campo.

Fonte: UEFA
Com isto, os laterais – Marcelo e Carvajal – também passaram a ter mais liberdade e mais contributo ofensivo, graças à segurança oferecida pelo trio Casemiro, Sergio Ramos e Raphael Varane. Cristiano Ronaldo passou a jogar num lugar mais central, com Zidane a trabalhar com o atacante português de forma primordial, para conservar as suas energias à medida que a idade avança.
Além desta ideia de jogo, o técnico francês ainda incutiu outro elemento no clube madrileno: uma mentalidade vencedora. É verdade que, à sua chegada, a equipa já era composta por grandes campeões, como Sergio Ramos, Cristiano Ronaldo, Toni Kroos e outros tantos que já haviam ganho praticamente tudo o que há para ganhar a nível de clubes e seleções. Mas a passagem de Benítez pelo banco técnico havia sido prejudicial para a equipa: parecia ter sido esvaziada de qualquer competitividade e, acima de tudo, de qualquer coesão. Eram 11 individualidades em campo, cada uma a puxar para o seu lado.
Mas quem olhar para o percurso do Real Madrid nesta época percebe que este já não é o caso: mesmo quando os jogos correm mal – e isso aconteceu muitas vezes -, a equipa sabe manter-se unida, confia no seu motor e na qualidade técnica dos atacantes para conseguir “roubar” um bom resultado. Um exemplo disto é o jogo da segunda mão da meia final, contra o FC Bayern München, no Santiago Bernabéu. Perante uma equipa bávara que procurou desde o início anular a derrota por 2-1 na primeira mão, o Real Madrid soube aguentar a pressão e soube capitalizar os erros do adversário, com a grande ajuda de uma desconcentração de Sven Ulreich.
Já antes disso, também a jogar em casa, na segunda mão dos quartos de final, contra a Juventus, os blancos, num dia não, encontravam-se, aos 90 minutos, a perder por 3-0, o que empatava a eliminatória, com três golos para cada equipa. Aos 94 minutos, o árbitro assinala penálti a favor do Real Madrid. Quem assumiu a marcação foi Cristiano Ronaldo. Mostrando a mentalidade que, neste momento, caracteriza os madrilenos, CR7 converteu o castigo máximo e lançou a sua equipa para a próxima fase da competição.

Fonte: UEFA
É este o grande mérito de Zidane: pegou num Bentley com demasiados adornos e deu-lhe um motor; pegou numa série de individualidades e transformou-as numa equipa; pegou numa equipa com uma crise de confiança e incutiu uma mentalidade de vencedores, deu-lhes a capacidade de aparecer sempre nos momentos grandes.
E é isto que está no centro das possibilidades de vitória do Real Madrid em Kiev. Como se diz, numa final não há favoritos, mas há experiência. Na equipa do Liverpool, nenhum jogador alguma vez jogou uma final da Liga dos Campeões; a maioria da equipa madrilena estará a entrar na sua terceira consecutiva. Os jogadores sabem o que é preciso para ganhar esta competição, tanto a nível tático como a nível emocional – afinal de contas, desde que têm Zidane como treinador, os blancos ainda não foram eliminados uma única vez da Liga Milionária.

Fonte: Real Madrid CF
Num jogo em que estarão 11 estrelas de cada lado, o que farão com os pés irá contar para muito, mas o que acontecer dentro das suas cabeças poderá ser ainda mais determinante.
Foto de capa: UEFA









