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O que é um bom golo? Ou um grande golo? À primeira vista, é claro, é um remate de longe, um remate potente onde a “coruja dorme”, é um pontapé de bicicleta ou um remate cruzado após um “nó cego”. E aqueles golos que foram marcados após uma confusão na área, ao minuto 90+3, que decidiram quem passava à final da Liga de Campeões?
Pediram-me para escrever sobre o “Top” golos das campanhas do troféu mais desejado na Europa e aqui estou eu a pensar na definição de grandes golos.
Não consigo descurar o golo de Sergi Roberto, em 2016/17, frente ao Paris SG ao minuto 90+5, o cansaço acumulado, com os nervos e a pressão no pico, só consigo pensar que aquele golo só está ao alcance dos melhores, dos que ficam para a história e os que escrevem a mesma.
Um grande golo, será sempre um grande golo. Mas nunca retirarei o fator emocional ao jogo, por isso, para mim neste top não estarão só grandes golos, mas também estarão os golos que fizeram plateias inteiras festejar, gritar e chorar.
Dito isto, vou listar o meu “Top 5” da Liga dos Campeões (Acreditem, isto não foi fácil).
5.
Ramires (Chelsea) – Barcelona vs Chelsea – Meias Finais 2011/12- Confesso, estive indeciso entre o golo do Ramires e o do Fernando Torres. Escolhi este pela complexidade de execução. Chelsea de Roberto Di Matteo, em modo “Super Underdog”, levava para Camp Nou uma vantagem de um golo (1-0 em Stamford Bridge). Em Camp Nou, muitos previam uma remontada fácil, Andrés Iniesta e Sergio Busquest, ainda na primeira parte, repunham alguma normalidade na eliminatória. Até que aparece Ramires, o ex-benfica, no primeiro minuto da compensação da primeira parte, isolado frente a Victor Valdés e quando muitos esperariam um remate forte, Ramires decidiu fazer uma “chapelada” incrível, e voltou a meter os Azuis de Londres à frente da eliminatória. Tivemos até direito a uma dança original do autor 50 Cent – “Welcome to the Candy Shop”.
4.
Andres Iniesta (Barcelona) – Chelsea vs Barcelona – Meias Finais 2008/09- Vamos trocar as voltas? Vamos! Estávamos em 2009, o Barcelona jogava em pleno Stamford Bridge com menos uma unidade (Abidal expulso a meio da segunda parte). Apesar disso, Barcelona dominava o jogo. Após o nulo em Camp Nou, Chelsea liderava a eliminatória com um golo de Michael Essien ao minuto nove. Já para lá da hora, decorria o minuto 90+3, Iniesta, Andrés Iniesta, tira “um coelho da cartola” e o senhor que poderia jogar numa cabine telefónica, de fora de área, marca um golo que transportaria o Barcelona para a final da Liga dos Campeões.
3.
Sergi Roberto (Barcelona) – Barcelona vs Paris SG – Oitavos Final 2016/17 – Como podiam esperar, este tinha de estar cá. Foi incrível e será sempre incrível recordar aquela noite mágica de Camp Nou. O conjunto oriundo de Paris tinha ganho na primeira mão por uns esclarecedores 4-0 e toda a gente pensava que a segunda mão seria uma mera formalidade. O que aconteceu de seguida, só vendo é que se acredita. Neymar aos 88 e 90 marca, mas faltava 1 golo para a “el remontada” ser uma realidade. Sergi Roberto acreditou numa bola pingada que o próprio Neymar colocou na área e, com um toque subtil na cara de Kevin Trapp, fez o estádio do Barcelona vir abaixo. Eu próprio, nunca tido sendo um particular fã do Barcelona, quis que aquela bola entrasse, queria ver os adeptos a festejar, a chorar, queria ver abraços e gritos de felicidade. Porque o futebol é isto, uns ganham, outros perdem, mas o espetáculo está sempre lá, e são estes os momentos que ficam para História do Futebol.
2.

Costinha (Porto) – Manchester United vs Porto – Oitavos Final 2003/04 –Surpresos? Eu também, quando comecei a pensar neste artigo nunca pensei que iria acabar por escolher um golo do Costinha. Mas, refleti, e como disse ao início, não consigo descurar a parte emocional ao escolher o que é realmente um golo que mereça fazer parte do Top5, é o meu Top e desafio-vos a dizerem-me qual é o vosso. Tinha 10 anos quando José Mourinho e o seu Porto desafiaram a Europa, e chorei quando o Costinha marcou ao minuto 90 em Old Trafford, mesmo não sendo o Clube que apoio. Esta foi a noite que percebi que amava futebol e que iria dedicar parte da minha vida a ver este Desporto, e procurar por mais momentos destes. Costinha ficou na história, aproveitou o erro de Tim Howard ao aliviar, de forma errada, um livre de Benni McCarthy na recarga, levando o Porto para os quartos-finais.
1.
Cristiano Ronaldo (Juventus) – Juventus vs Real Madrid – Quartos Final 2017/18-Falemos de hinos ao futebol, falemos de adeptos do adversário aplaudirem de pé, falemos de genialidade, de pregar Buffon ao chão e de chegar com o pé onde a maior parte não chega com a cabeça, falemos de Cristiano Ronaldo. A eliminatória já estava difícil para a Vecchia Signora e o festival de Ronaldo já ia a meio, longe de nós pensar que o melhor estava para vir. O reinado de Cristiano Ronaldo ainda não acabou, ele continua lá no trono, só que não se senta, continua a trabalhar como se fosse um jovem talento à procura da sua afirmação. Por estes motivos todos, não vou dizer que aqui o nosso Capitão atingiu o seu expoente máximo. Não digo, porque sou capaz de arriscar que ainda nos vai presentar com algo deste género. Cristiano levantou Turim e obrigou os Dirigentes da Juventus a avançarem para a contratação de um dos extraterrestres que contamos neste Desporto, e que bem eles fizeram.
Foto de Capa: Real Madrid
Artigo revisto por Joana Mendes









