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A nova vida do Atlético

João Nuno Aguiar · 4 min

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Cabeçalho Liga Espanhola

Com um início de época meio tremido, o Atlético de Madrid deixou no ar algumas questões ao fim de dois jogos. Dois empates com equipas teoricamente acessíveis (Leganés e Alavés) deixaram dúvidas sobre se os colchoneros iriam manter a competitividade apresentada nas últimas épocas, onde chegaram mesmo a campeões do país vizinho.

Mas a verdade é que a resposta a esses deslizes não podia ter sido melhor. Nos oito jogos seguintes, os rojiblancos obtiveram sete vitórias, um empate, 22 golos marcados e 2 sofridos. Esta série torna-se ainda mais relevante se tivermos em conta que dela constam deslocações a casa do Barcelona (único empate), do Valência, do Celta de Vigo ou do PSV e a receção ao Bayern de Munique. Ainda na última jornada, o lanterna vermelha, Granada, foi cilindrado no Vicente Calderón por 7-1.

Este Atlético promete. Para além de não ter vendido nenhuma peça fulcral da época passada, ainda viu o seu plantel ser reforçado com jogadores importantes, como Gameiro, Gaitán, ou Vrsaljko. Tem um treinador que sabe levar os seus jogadores aos limites. Simeone não lhes pede ‘muito’, só o que ele fazia enquanto jogador – encarar cada lance como se fosse o último das suas vidas. E só desta forma se pode fazer sombra ao poderio financeiro do Barcelona e Real Madrid. Não é por acaso que ainda há bem pouco tempo, Paco Alcácer, avançado do Barcelona, disse que “era mais difícil bater o Atlético do que o Real”.

O treinador argentino assenta os seus princípios de jogo numa defesa de betão. Tem a noção de que é a partir de trás que se forma uma equipa. Os meros 18 golos sofridos na edição passada do campeonato espanhol e os 3 na corrente época ao fim de 8 jogos provam isso mesmo.

Oblak apresenta cada vez mais confiança, típico guardião discreto mas seguríssimo. Godín é o esteio da defesa, irrepreensível nas bolas paradas e com um posicionamento cada vez mais apurado aos 30 anos. Ao seu lado aparece um Savic mais maduro e adaptado às ideias do treinador. Juanfran é lateral de seleção espanhola e dono do lado direito defensivo dos colchoneros há 5 anos. Do lado esquerdo está Filipe Luís, que na época passada regressou a casa vindo do Chelsea, mas que dá a sensação de nunca ter saído do Calderón. O reforço Vrsaljko ainda não tem muitos minutos, mas com a sobrecarga de jogos será, certamente, um jogador muito útil em qualquer posição da defesa.

Meio-campo de luta – Gabi e Koke têm o espírito que Simeone deseja. Não dão um lance por perdido, correm quilómetros durante um jogo e se Gabi dá mais garantias defensivas, Koke é o médio que aparece muitas vezes em zona de finalização. São os dois titulares indiscutíveis há 5 anos, imagine-se como se conhecem. Saúl Ñíguez é um criativo, um jovem de 21 anos, mas que dá plena confiança ao treinador, que nos grandes jogos não tem abdicado dele e tem obtido respostas à altura.

O Atlético está, pouco a pouco, a crescer Fonte: Club Atlético Madrid
O Atlético está, pouco a pouco, a crescer
Fonte: Club Atlético Madrid

Mas é no ataque que o Atlético tem ganho uma nova vida. Os rojiblancos têm hoje dianteiros que aliam capacidade técnica e velocidade como não tiveram em nenhum ano de Simeone. Habituados a um ponta-de-lança fixo ao longo das últimas épocas (Diego Costa, Falcao, Mandzukic ou Jackson Martinez), os colchoneros lançam-se agora de outra forma no processo ofensivo. Sem uma referência no meio dos centrais adversários, as constantes trocas de posição baralham por completo as defesas contrárias. A velocidade com que Ferreira Carrasco, Gameiro, Griezemann ou Ángel Correa deambulam das linhas para o centro e vice-versa, permitem a qualquer um destes jogadores aparecer tanto a assistir como a finalizar.

Em jogadas rapidíssimas de ataque, enquanto um destes jogadores conduz a bola, num ápice os restantes colegas de dianteira posicionam-se para finalizar, dividindo-se entre o segundo poste, a entrada da área ou mesmo na boca da baliza, dando inúmeras soluções a quem os vai servir. Qualquer equipa que permita espaço nas costas da defesa, dificilmente consegue suster as investidas de Griezemann ou Gameiro, que são letais só com o guardião pela frente. Ferreira Carrasco também tem faro de golo e cada vez mais apuradas as diagonais, seja da direita ou da esquerda para o centro, aplicando depois o remate colocado que lhe é conhecido. Não esqueçamos Gaitán, que apesar de não ter tanta velocidade, é senhor de uma técnica incrível e assim que esteja adaptado às ideias de Simeone, também vai ser de grande utilidade, principalmente contra equipas que não concedem o tal espaço.

Uma equipa que defende tão bem como o Atlético, que tem a maioria dos jogadores juntos há quatro ou cinco épocas e um ataque cada vez mais letal, habilita-se a ganhar muitas vezes. E tem um treinador que sabe que quando não dá para golear o adversário, ganhar por 1-0 também vale três pontos. O Atlético é cada vez mais uma equipa cínica, que pica quando o adversário pensa que tem tudo controlado. Que se cuidem, Real e Barça, pois ‘El chulo’ parece estar a olear bem a máquina.

Fonte: Club Atlético Madrid

João Nuno Aguiar

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