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Barcelona 1-1 Atl.Madrid: Aupa, Atleti

João Pedro Óca · 3 min

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Façamos uma vénia a uma super-equipa. A um super-treinador. A atletas do outro mundo. O Atlético Madrid é, inapelavelmente, campeão de Espanha.

Hoje, no Camp Nou, jogou-se uma autêntica final para se decidir o titulo de La Liga, versão 2013/2014. Barcelona e Atlético Madrid chegaram à última jornada do campeonato com hipóteses de se sagrarem campeões e o mundo inteiro parou para ver um dos jogos mais entusiasmantes do ano desportivo.

À partida para este jogo decisivo, o Atlético Madrid trazia na bagagem três pontos de vantagem sobre o Barcelona e, por isso, um empate bastaria para os colchoneros levantarem o troféu de campeão espanhol, dezoito anos depois da sua última conquista. Por sua vez, ao Barcelona apenas uma vitória garantia a revalidação do título nacional. Por tudo isto, a pressão estava dos dois lados do relvado e todas as restantes jornadas de pouco valiam. Era ali, em pleno Camp Nou, que se tudo se decidia e foi ali que tudo se decidiu.

Desde cedo se percebeu que os nervos floresciam em todos os intervenientes, mas essa dose extra de ansiedade não afectou, de todo, a qualidade do jogo. Do início ao fim, ambas as equipas, cada qual com as suas armas, lutaram pela glória e proporcionaram um espectáculo digno da grandeza do desporto-rei.

Movidos pelo apoio de um inferno pintado de azul, grená e amarelo, a equipa do Barcelona quis assumir as despesas da partida deste início, mas encontrou sempre um Altético a pressionar em todo o campo e isso dificultou – de que maneira-  a estratégia blaugrana. Com Xavi e Neymar no banco de suplentes, os comandados de Tata Martino sentiram o peso da responsabilidade e procuraram entrar no jogo de forma autoritária, de modo a fazer desvanecer as esperanças de uma equipa do Atlético Madrid que jogava com dois resultados. Esse aspecto garantia um certo conforto no jogo para os colchoneros e estes, habilmente, aproveitaram essa nuance para jogar de forma mais expectante e beneficiar de algum deslize do adversário.

Até aos vinte minutos de jogo, as equipas procuraram encontrar-se em campo e  a partida desenrolou-se numa toada mais previsível e expectante. A partir daí, começaram os problemas e a dores de cabeça para Diego Simeone, que, quando foi obrigado a substituir os seus dois jogadores ofensivamente mais influentes -ambos por lesão -, deve ter pensado que aquela não seria a sua noite perfeita.

Sem as suas unidades mais desequilibradoras em campo, o Atlético sofreu um pouco para se reorganizar e foi precisamente nessa altura que o Barcelona inaugurou o marcador, através de um golaço de Alexis Sanchéz. Apesar de não ter feito muito por isso, a equipa culé acabou a primeira parte a vencer e a quarenta e cinco minutos do título espanhol.

Depois veio uma segunda parte à Atlético. Ou seja: raça, força, fibra e muito, muito carácter. Os poderes motivacionais de Diego Simeone tiveram um efeito estrondoso nos colchoneros, que entraram no segundo tempo cientes de que título não lhes poderia escapar. Assim, logo nos primeiros minutos Diego Godin restabeleceu a igualdade no marcador e tudo mudou: agora era o Atlético que tinha o campeonato no bolso e os pupilos de Simeone tinham quarenta minutos para impedir que lho roubasse.

Diego Simeone é um dos grandes responsáveis por este feito do Atlético Fonte: express.co.uk
Diego Simeone é um dos grandes responsáveis por este feito do Atlético
Fonte: express.co.uk

Ao seu estilo fervoroso e determinado, a formação madrilena criou um escudo de aço em redor da sua área e o Barcelona não conseguiu perfurar, com critério, uma muralha imune a todas as dificuldades formada por jogadores que têm tanto de nervo como de talento. Tiago e companhia aguentaram o empate até final e festejaram o título, que, por mérito e justiça, lhes encaixa na perfeição.

Depois de uma época algo atípica, dada a considerável perda de pontos de Real Madrid e Barcelona, o Atlético Madrid foi aproveitando os deslizes dos seus rivais e manteve-se de pedra e cal no topo da Liga durante praticamente toda a temporada. A fé e a crença num milagre ganharam força com o decorrer das jornadas e hoje foi o culminar de uma campanha brilhante num campeonato onde muitos julgavam só existir os dois maiores clubes espanhóis.

A época ainda pode ser embelezada pela conquista da Liga dos Campeões, mas, independentemente do desfecho da final de Lisboa, os adeptos do Atlético Madrid podem começar já construir uma estátua a Diego Simeone e a jogadores como Tiago. É uma honrosa forma de glorificar os heróis.

Aupa Atleti!

João Pedro Óca

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