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Gonçalo Guedes: O inconformista

Diogo Fresco · 3 min

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Cabeçalho Liga EspanholaNuma equipa que conta com jogadores altamente cotados como Draxler, Di Maria, e mesmo assim estes dois não se assumem como peças indispensáveis do xadrez de Unai Emery, o que dizer de Gonçalo Guedes?

Nem titular indiscutível se considerava no Benfica, e mesmo assim permitiu aos responsáveis encarnados encaixar 30 e tantos milhões de euros? Bem, uma coisa é certa: trata-se de um dos maiores sucessos do Caixa Futebol Campus. Qualquer jogador que tenha convivido, defrontado, ou apenas visto Guedes jogar nos campeonatos de formação, com certeza terá dito para si mesmo que havia ali craque.

No Benfica, deu mostras do potencial que tem. Tenho muita pena de não ter continuado, julgo que nesta época seria, sem sombra para dúvidas, titular na ala esquerda dos comandados de Rui Vitória, com grande preponderância nos objetivos delineados pelo clube. Seria o Rafa que nos falta.

É exatamente isso que está a acontecer no Valência. Não é por nada que enverga o número 7, acreditem. Puro virtuosismo, já repararam como não perde a bola? Muito jogador que, como se sabe, tem o hábito de procurar o 1 contra 1, perde a bola e não se preocupa muito com a recuperação da mesma. Aqui não. Guedes é aguerrido, não se deixa ficar e corre pela bola novamente quando a perde. E são poucas vezes que se sucede. É realmente difícil tirar a bola àquele rapaz, como já reconheceu o conhecido youtuber Miguel Paraíso, que no passado deu de caras com o talentoso internacional português. Esse mesmo rapaz, importa realçar, afirmou que foi o jogador que mais o surpreendeu, que mais lhe saltou à vista. Isto com Bernardo, Ivan Cavaleiro, Hélder Costa, Renato, e muitos mais, que muito prometiam então.

No Valência é um privilegiado. A sua forma de jogar é complementada com a dos seus companheiros da frente de ataque: os inspirados Santi Mina, Zaza e Rodrigo Moreno são jogadores bastante móveis, e ao mesmo tempo não deixam de realizar as suas tarefas. Bem, essa mobilidade dos jogadores é aproveitada por Marcelino Toral, como não poderia deixar de ser. Uma equipa cheia de virtudes, ao contrário da temporada passada.

Fonte: Instagram Oficial de Gonçalo Guedes
Fonte: Instagram Oficial de Gonçalo Guedes

Comparo a contratação de Gonçalo Guedes à de Nani, no ano passado. Primeiro, parece-me que os responsáveis che pretendiam incutir na equipa um nível alto de desequilíbrio na ala. Um titular campeão europeu, que é conhecido como veloz, virtuoso, e claro, desequilibrador, mas qualidades essas que se vão desvanecendo.

Por isso, este ano o Valência quis essas qualidades frescas e com fome de serem mostradas. Guedes tem um futuro risonho, e a jogar assim vai ao Mundial. Vai ser ainda mais difícil para o nosso selecionador escolher os 23 eleitos. São jogadores da nova geração, como Guedes, que brilhando nos principais campeonatos europeus, são responsáveis pela dor de cabeça que Fernando Santos terá. É sempre injusto deixar alguém que mereça a convocatória de fora, não é verdade?

No Valência é lhe reconhecida, finalmente em absoluto, a sua resistência. Guedes aproveita bem a flor da idade, preparou o seu físico para grandes paradas, adaptou-se bastante bem na equipa, ataca bem, contemporiza bem, apoia bem, defende bem, enfim, é capaz de efetuar tudo isto em grande nível durante todo o jogo. A sua resistência, volto a enfatizar, permite-lhe estar a topo todo o jogo! Vão-me dizer que não será peça chave?

É símbolo do inconformismo. Vai chegar a patamares ainda mais altos. É a lei da lógica. Como dizia Mourinho, em casos normais este rapaz vence, e em casos anormais vence também. Inconformismo é uma virtude que supera a lógica, porque a põe à prova vezes sem conta.

O contraste não está apenas na cor, está no que este rapaz fez aos defesas do Bétis… Ninguém o agarra este início de época!

 

Foto de Capa: Pulse

Diogo Fresco

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