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“...el toque de cabeza, va a dejar abajo para Esnáider…gol,gol,gol,gol,gol…” – Foi desta forma que, em 1995, os repórteres da TVE2 gritaram o golo de Juan Esnáider na final da Taça dos Clubes Vencedores das Taças, diante do todo poderoso Arsenal FC, e que ajudou o Real Zaragoza a levantar o segundo troféu internacional da sua história.
Corria o mês de Maio de 1995 quando o nome Juan Esnáider entrou para sempre para a história do futebol europeu. Num Parc des Princes muito perto da sua capacidade máxima, o modesto Real Zaragoza chocava a Europa do futebol ao bater o gigante inglês Arsenal FC por 2-1, numa partida extremamente bem jogada e com uma intensidade fantástica, vivida em completo sobressalto até ao último minuto do prolongamento, quando o antigo internacional jovem espanhol Nayim disparou do meio da rua, apanhando de surpresa David Seaman, que se manteve deitado dentro da sua baliza por algum tempo tentando digerir aquilo que lhe acabava de acontecer.
Juan Esnáider e seus pares, orientados com grande mestria pelo inconfundível Víctor Fernández, escreviam o seu nome na história e catapultavam o nome do Real Zaragoza por essa Europa fora, depois de já terem deixado para trás o também poderoso Chelsea FC nas meias-finais da competição.
De Buenos Aires para Madrid
Juan Esnáider começou a dar nas vistas assim que começou a jogar futebol e, curiosamente, o outrora goleador do Real Zaragoza começou a sua carreira como médio direito, mas a falta de soluções levou a que o seu treinador no Club Ferro Carril Oeste o colocasse como avançado centro, sendo precisamente nessa posição que se deu a conhecer no Sudamericano Sub-20 em 1991.
Sem surpresas, o jovem Juan Esnáider tinha AC Milan e Real Madrid CF a baterem-lhe à porta e, quando aparentemente estava tudo definido para se juntar ao emblema italiano, o avançado de 18 anos seguiu viagem para a capital espanhola. Em Abril de 1991, Esnáider chega a Madrid e é recebido com enorme expectativa pela comunicação social, que sussurrava maravilhas daquele desconhecido jovem argentino.
O seu carácter forte e a sua forma de estar altamente desinibida permitiu a Juan Esnáider uma integração fácil num balneário carregado de estrelas como era o do Real Madrid. O limite de extra-comunitários na Liga Espanhola fez com que o jovem argentino fosse colocado junto da equipa B do Real Madrid, mas mesmo isso não fez esmorecer o entusiasmo de Juan Esnáider, que continuou a dar cartas na filial do gigante europeu. Em 1993, a falta de oportunidades na primeira equipa da formação madrilena fez com surgisse no horizonte a possibilidade de rumar ao Real Zaragoza, a título de empréstimo, e, apesar das reservas que manifestou inicialmente, Esnáider acabou por aceitar a mudança quando lhe garantiram que iria trabalhar com um treinador que dava oportunidades aos mais jovens e que estava a forjar uma excelente equipa ao leme do conjunto aragonês.
Uma noite mágica em Paris com o Real Zaragoza
Juan Esnáider recorda com emoção aquela noite de 10 de Maio de 1995 e, numa entrevista concedida ao website Crazyfutbol em 2014, o antigo craque argentino descreveu a forma fantástica como ele e os seus companheiros foram recebidos no Parc des Princes por bastantes adeptos do Real Zaragoza que aguardavam ansiosamente pela chegada do autocarro da equipa. Esnáider recordou também que após a subida ao terreno de jogo, o nervosismo que acompanhou a equipa durante semanas diluiu-se rapidamente e, assim que suou o apito inicial, todos aqueles sentimentos foram atirados para trás das costas, possibilitando ao emblema aragonês dar início à noite mais mágica de toda a sua história.

Fonte: zetaestaticos.com
Para o craque argentino, o jogo não foi fácil, longe disso, e mesmo o golo fantástico que marcou não serviu para apagar da sua memória todas as tormentas que passou às mãos de Tony Adams e Andy Linighan, os defesas centrais do Arsenal FC, que lhe fizeram uma marcação implacável durante todo o encontro.
O deambular pela capital espanhola, o sucesso na Catalunha, a experiência na Juventus FC e o regresso a La Romareda.
O Real Madrid era uma espinha atravessada na garganta de Juan Esnáider e em 1995 depois do sucesso ao serviço do emblema aragonês, o avançado regressa ao gigante espanhol, mas à imagem do que lhe havia sucedido anteriormente, Esnáider não encontrou lugar naquela equipa de estrelas com a qual, na verdade, já não se identificava. O “Gardel de La Romareda” rumou ao vizinho Atlético Madrid para mais uma vez trabalhar com Radomir Antic e as coisas não lhe saíram de feição novamente, apesar da boa relação que mantinha com o enigmático presidente dos Colchoneros, Jesús Gil y Gil, e com o seu filho. Esnáider tinha-se cruzado com o treinador sérvio no Real Madrid uns anos antes e as diferenças entre ambos já vinham dessa altura, algo que fez com o avançado argentino equacionasse até ao último momento uma mudança para o Vicente Calderón.
Os momentos difíceis que vivia com os Manzanares precipitaram a sua mudança para a Catalunha onde brilhou ao mais alto nível no RCD Espanyol de José Antonio Camacho. Esnáider voltou aos golos e apontou 15 em 37 jogos na época em que esteve ao serviço dos Pericos, cifra essa que despertou o interesse da poderosa Juventus FC e precipitou a sua mudança para a Serie A. Apesar de o próprio Esnáider recordar a Vecchia Signora como o melhor clube pelo qual passou, a sua aventura por terras italianas foi marcada por lesões que comprometeram, desde logo, a sua afirmação no emblema de Turim.
Em 2000, Esnáider volta a “casa” para representar novamente o Real Zaragoza por empréstimo do clube transalpino, após ter declinado várias propostas para continuar ao serviço de outros emblemas da Serie A. O avançado regressou ao local que o fazia sentir bem, que lhe permitia desfrutar do futebol e, acima de tudo, regressou ao local onde o respeitavam e admiravam.

Fonte: Vavel.com
Apesar de ter representado uns quantos outros emblemas até ao final da sua carreira, que conheceu uma queda acentuada depois de 2001, Esnáider reconheceu já por diversas vezes que lamenta não ter podido terminar a sua etapa como futebolista ao serviço do conjunto aragonês. O avançado argentino abandonou o futebol em 2005, após uma breve passagem pelo Newell’s Old Boys no seu país natal.
De jogador a treinador pela mão de Michel González
A carreira de treinador entrou na vida de Juan Esnáider após uma conversa com o seu amigo e antiga lenda do Real Madrid CF, Michel González, que convenceu o argentino a tirar um curso de treinador que, na altura, a federação espanhola estava proporcionar a antigos atletas. A ideia agradou a Esnáider e foi precisamente como adjunto de Michel no Getafe CF que o “Gardel de La Romareda” deu os seus primeiros passos do outro lado da barricada. A experiência foi boa na equipa dos arredores de Madrid e Esnáider foi convidado para coordenar o futebol jovem do Real Zaragoza, acabando por treinar a equipa B do emblema aragonês. Esnáider descreve esse momento como o melhor na sua carreira de treinador, pois conseguiu que uma equipa com jogadores muito jovens escapasse, contra todas as expectativas, à despromoção de uma divisão complicada como é a segunda B espanhola.
O regresso de Esnáider aos Azulones
Juan Esnáider é descrito por quase todos os seus ex-companheiros de balneário como uma pessoa com um carácter muito forte e com uma personalidade fantástica e, não obstante o seu temperamento por vezes irascível dentro das quatro linhas, que o privou por exemplo de duas finais da Copa del Rey com o Real Zaragoza, tudo mudava com o apito final do árbitro, que operava uma espécie de transformação na forma de ser do avançado argentino. O seu espírito indomável dentro das quatro linhas contrastava e ainda contrasta com a sua bondade e tranquilidade fora do campo e aqueles que o conhecem mais de perto não hesitam em dizer que “Es un buen tío”.
A morte de um dos seus filhos, vítima de uma doença prolongada, em 2012 trouxe novamente para as luzes da ribalta o outrora goleador argentino, embora não pelas melhores razões, mas Juan Esnáider conseguiu dar a volta por cima e está agora de volta ao activo como comandante do Getafe CF.

Fonte: 0223.com.ar
O seu companheiro dos tempos do Real Zaragoza Andoni Cedrún disse, aquando da sua chegada ao Getafe CF no início deste mês, que Juan Esnaíder é uma pessoa com carácter e deverá ao máximo aproveitar esta oportunidade que lhe surgiu ao caminho porque “la vida le debe una”, numa clara alusão à morte do seu filho há quatro anos atrás.
Juan Esnáider rendeu Fran Escribá no comando dos Azulones e tem em mãos uma tarefa hercúlea até ao final da temporada, que passa por livrar o emblema de Madrid de uma iminente descida de divisão. A estreia do argentino no banco do Getafe CF teve lugar contra os vizinhos Real Madrid CF no Coliseum Alfonso Pérez e acabou numa pesada derrota por 5-1 para os homens de Juan Esnáider. Embora não esteja em causa a vitória do conjunto orientado por Zinedine Zidane, não é um exagero dizer-se que o Getafe CF se bateu com valentia e chegou mesmo a causar alguns calafrios ao gigante espanhol.
Avesso aos expressivos números da derrota, Esnáider reuniu as tropas e preparou o assalto à Real Sociedad com grande mestria, algo que permitiu aos seus homens saírem de Anoeta com uma fantástica vitória por 2-1. O argentino mudou muita coisa naquele Getafe quase adormecido de Fran Escribá e só não somou a sua segunda vitória como treinador dos Azulones perante o Valencia CF na passada semana por manifesto azar.
O Getafe CF foi claramente melhor que a equipa Che e o 4-1-4-1 orquestrado por Esnáider permitou à equipa criar inúmeras situações de golo, ao mesmo tempo que alterou definitivamente o ADN táctico de um conjunto que nunca se havia apresentado neste formato de jogo até à chegada do técnico argentino. Um golo tardio do inevitável Paco Álcacer privou Esnáider e os seus homens de conseguirem os três pontos, mas não retirou de todo aquele entusiasmo miudinho que inundou a equipa após a chegada do “Gardel de La Romareda”.
Foto de capa: ecestaticos.com












