Liga Espanhola com novo “Rey” à vista

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A Liga Espanhola já teve melhores dias. Para lá dos reinados de Messi e CR7, tivemos o rolo compressor catalão de Guardiola e os Galáticos de Madrid. A ideia que se impôs foi de que Real Madrid CF e FC Barcelona dominam a principal competição de clubes espanhola há muito tempo e que seria impossível inverter essa tendência.

A exceção que suporta esta regra foi o título do Atlético de Madrid em 2013/14, o único vencedor que não blancos e blaugranas desde 2003/04 (Valencia CF). Ao que tudo indica, este ano teremos nova exceção e as razões apontadas já são muitas e os pontos de vista conseguem ser os mais díspares possíveis.

Desde logo, a perda das estrelas dos grandes clubes originou pequenos focos de crise e que ameaçam juntar-se numa verdadeira crise de resultados, de títulos e, no limite, de identidade dos próprios clubes. Os catalães, que precisavam de um verdadeiro ponta de lança há várias épocas, ficam ainda mais desfalcados sem Suarez na frente de ataque, entregando quase por completo a produção ofensiva aos ombros de Messi.

O astro argentino, que naturalmente entra numa fase da carreira onde simplesmente não lhe é possível continuar a marcar 40 ou 50 golos por época, é também vítima da organização do clube catalão. Em tempos, a equipa montada em redor de Messi acrescentava, além de qualidade, liderança, criatividade e garantia a mentalidade e identidade tão evidente em Cruyff e Guardiola.

As jovens estrelas, como Fati, Trincão, Pedri, de Jong ou Dembelé podiam fazer prever um futuro risonho na Catalunha, mas a instabilidade no comando técnico e uma deriva tão grande na forma de jogar ameaçam o crescimento dos prórpios e a conquista de títulos no imediato.


Na capital, o campeão em título também não se encontra na melhor forma, bem longe disso. A partida de Cristiano Ronaldo foi a última pedra a desmoronar num castelo em ruínas. As vitórias acontecem, os títulos vão sendo ganhos, mas é cada vez menos um gigante dentro das quatro linhas. A ideia de que com maior ou menor dificuldade os madridistas venciam tem-se esbatido; valiam decisões questionáveis da arbitragem e um bis ou um hat trick de Ronaldo.

Mesmo os treinadores eram quase irrelevantes, sentia-se que com maior ou menor qualidade se punha a máquina blanca a funcionar. Tudo isto leva a um claro enfraquecimento dos maiores clubes espanhóis, com influência direta e total na qualidade de jogo e que apenas se “salva” pelos rasgos individuais de genialidade. Aliás, esse é um dos poucos aspectos que ainda seguram a La Liga como uma das melhores do mundo.

Se a isto acrescentarmos a melhoria significativa do Atlético de Madrid na Liga Espanhola, teremos novo campeão à vista. Diego Simeone teve um papel fundamental no “upgrade” que os colchoneros tiveram e que realmente os coloca, definitivamente, como candidatos ao título logo à partida.

A perda de Griezmann não foi sentida em demasia e o mercado de transferências foi muito bem utilizado; volvidos dois anos, os rojiblancos atacam o campeonato com Félix, Diego Costa, Vitolo, Diego Costa e Lemar. Qualidade e sentido de golo mais do que suficiente.

Na baliza continua um dos melhores guarda-redes do mundo, a defesa é bem sólida e agressiva e o meio campo beneficia de Kpke e Saúl mais maduros, mais capitães. Nesta altura, com 10 jogos disputados e com duas partidas em atraso, acumulam 26 pontos, mais seis que Real Madrid CF (que podem ser nove) e mais 12 do que FC Barcelona.

São o segundo melhor ataque (21 golos contra os 22 da Real Sociedad), a melhor defesa (dois golos sofridos) e a única equipa sem derrotas. Luis Suárez já leva cinco golos e João Félix parece estar de volta àquela forma que vai justificar o investimento; cinco golos no campeonato e três na Liga dos Campeões, num total de 15 jogos.

O início prometedor da equipa de Simenone, aliado às crises de blaugranas e blancos, catapultou-a para o primeiro lugar, à frente dos surpreendentes Real Sociedad e Villarreal CF. Real Madrid CF segue no quarto posto e o FC Barcelona, já com dois empates e quatro derrotas, surge afundado no décimo posto. Vivem-se tempos de mudança na Liga Espanhola.

Diogo Pires Gonçalves
Diogo Pires Gonçalveshttp://www.bolanarede.pt
O Diogo ama futebol. Desde criança que se interessa por este mundo e ouve as clássicas reclamações de mãe: «Até parece que o futebol te alimenta!». Já chegou atrasado a todo o lado mas nunca a um treino. O seu interesse prolonga-se até ao ténis mas é o FC Porto que prende toda a sua atenção. Adepto incondicional, crítico quando necessário mas sempre lado a lado.                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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