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Malas e maletines, lá como cá

Eduardo Botelho · 3 min

Malas e maletines, lá como cá
Estádio Nuevos Los Cármenes, onde se vai decidir a Liga Espanhola. Fonte: Facebook Oficial de La Liga

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Cabeçalho Liga Espanhola

Malas, maletines e incentivos extra. Aqui por Espanha não se falou de outra coisa durante toda a semana. Um vendaval de suspeitas e de lama varreu a Liga Espanhola de alto a baixo, desde a luta pelo título – em que o Real Madrid precisa de uma ajuda do Granada – à luta pela manutenção, onde Getafe, Sporting de Gijón e Rayo Vallecano sabem que só um deles terá lugar na primeira divisão na próxima época.

À entrada para a última jornada, o Real Madrid está a apenas um ponto do Barcelona e, para ser campeão, precisa que o Granada tire pontos aos atuais líderes. O problema é que, com a vitória sobre o Sevilha na passada jornada, o Granada já garantiu a manutenção e, assim, não tem nada em jogo no confronto com o Barça. Ficou, então, criado o cenário perfeito para alimentar a suspeita de que o Real oferecerá dinheiro para incentivar o Granada, uma prática que é ilegal, tanto em Espanha como em Portugal.

Na luta pela manutenção também se levantam suspeitas. O Presidente do Rayo diz que há jogos comprados na Liga Espanhola, e há quem desconfie da vitória do Granada em Sevilha, por 1-4, num campo onde nenhum visitante tinha conseguido vencer esta época. Há também quem levante suspeitas sobre o Sporting – Villarreal, do próximo domingo. É que Marcelino, o treinador do Villarreal, esta semana desabafou: “Oxalá o Sporting se mantenha.” Marcelino é asturiano e, noutra situação, seria normal que torcesse pela salvação de um clube da sua terra. O problema é que o Sporting precisa de, no mínimo, empatar para sonhar com a salvação. Nesta semana, dizer “Oxalá o Sporting se mantenha” equivale a dizer “Oxalá o Villarreal não ganhe”, o que fica mal vindo do seu próprio treinador. Por outro lado, o Presidente da Liga, Javier Tebas, confirmou que o Real Sociedad (2) – Rayo Vallecano (1) está a ser investigado para apurar se alguns jogadores do Rayo se terão deixado derrotar propositadamente.

Granada festeja a manutenção, ainda antes da última jornada. Fonte: Facebook Oficial do Granada
Granada CF festeja a manutenção, ainda antes da última jornada
Fonte: Granada CF

Enfim, ainda me está a acompanhar, aí desse lado? Ou já o perdi por entre esta nuvem de suspeição que se levantou, de repente, em Espanha? Durante a semana, a imprensa explorou o assunto de todas as formas possíveis. Recordou casos antigos, com destaque para aquelas duas épocas consecutivas em que o Real Madrid perdeu o campeonato na última jornada, no terreno do Tenerife. Já foi há mais de duas décadas (em 1991/92 e 1992/93), mas vi comentadores e antigos jogadores discutirem o caso como se tivesse sido ontem. Esse caso ficou famoso porque Toño, o capitão de equipa do Tenerife, reconheceu ter recebido uma mala com 21 milhões de pesetas de incentivo. A imprensa recuperou também declarações de Messi na época 2006-07.

O Barcelona entrava para a última jornada em segundo lugar, atrás do Real Madrid, e Messi dizia-se a favor de pagar um incentivo extra aos jogadores do Maiorca, para que derrotassem o Real. Esta semana, toda a gente que se cruzou com um microfone em Espanha teve de responder sobre a existência das famosas malas. Muitos antigos jogadores e dirigentes confirmaram-na, enquanto que profissionais ainda no ativo como Casillas, Suárez ou Luis Enrique dizem que nunca as viram.

Finalmente, a propósito do Granada – Barcelona, a imprensa foi investigar quantos jogadores do Granada são, assumidamente, madridistas. Encontrou três: David Barral, Fran Rico e Jesús Fernández, todos com passagem pelas camadas jovens do Real Madrid e que garantiram que o incentivo extra que têm para a última jornada é poder ajudar o clube do seu coração. Barral, às tantas, desabafava: “La que vamos a liar”, que é como quem diz: “Os sarilhos em que nos vamos meter” (se ganharem ao Barça). E este é um dos principais problemas deste clima de suspeição sobre as malas. Cria-se esta situação paradoxal em que, se os jogadores forem sérios e fizerem aquilo que lhes compete – conseguindo travar o líder – ficarão sob suspeita. Se perderem, estará tudo bem. É assim com os jogadores do Granada e é assim também com os do Nacional.

Foto de capa: Granada CF

Artigo revisto por: Mafalda Carraxis

Eduardo Botelho

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