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A Liga Espanhola, edição 2017/18, devolveu o título ao Barcelona. A equipa catalã cimenta assim o seu sucesso nas provas internas durante a presente década. Assinalável é também a sua prestação, notável em relação aos restantes candidatos ao troféu! Real Madrid e Atlético, claramente os adversários diretos, ainda a alguns jogos para o término do campeonato, já viam o título por um canudo…
GUARDA-REDES

Jan Oblak – Todo o mundo do futebol reconhece que Oblak se supera ano após ano. O último não foi diferente. Jan Oblak, inicialmente olhado com alguma desconfiança por parte do universo colchonero, hoje é olhado, de forma absolutamente oposta a essa. Não tirando o merecido alento à defensiva que atua à sua frente, o guardião esloveno é a principal justificação dos apenas 22 golos sofridos pela equipa madrilena durante todo o campeonato. Grandes paradas, reflexos incríveis, posicionamento brutal e uma postura inolvidable, fazem dele o responsável de desviar bolas com autêntico selo de golo para canto. Muito seguro, com espírito felino. O assédio de que é alvo por parte dos ainda mais grandes é real.
LATERAL DIREITO

Carvajal – Em termos de perfil, para mim reúne as características essenciais para ser o melhor lateral direito do mundo. Colocando de parte a sua propensão a se lesionar, o defesa ala formado no clube tem todas as vertentes físicas a seu favor: muita velocidade, muita intensidade, muita genica. É um jogador realmente incansável, com um grande nível de entrosamento com a equipa. A forma como penetra e se integra na manobra ofensiva é um pouco à imagem da de Marcelo, mas a forma como preenche todo o corredor, de abaixo até lá acima, é superior. Defensiva e ofensivamente é muito difícil de bater. Porém, de vez em quando comete alguns erros posicionais, mas que através da sua pronta reação, na maioria das vezes, é capaz de os compensar.
DEFESA CENTRAL

Umtiti – O interesse de que é alvo é algo concreto. Umtiti é um defesa muito completo, tanto a nível físico como técnico. Reúne atributos importantes para jogar numa equipa de posse, já que a tem a seus pés muitas das vezes para dar aos colegas mais avançados. Sabe sair a jogar com ela, se necessário. A nível tático é um elemento importante em dividir lances no ar, consegue fornecer linhas de passe atempadamente e o entendimento com os colegas é claro. No Barcelona, encontrou o seu equilíbrio, joga um jogo muito interiorizado na sua mente. É um dos pilares do sucesso do Barça neste campeonato!
DEFESA CENTRAL

Diego Godín – É uma torre de controlo no Atlético. A equipa de Simeone, este ano, não se apresentou a um nível que nos habituou nestes anos recentes, mas foi suficiente para se manter no pódio, e até à frente do Real Madrid! Mesmo que esse facto tenha uma componente, a meu ver, um pouco ilusória, visto que ter ficado à frente de uma equipa inconstante, oscilante e que perdeu muitos pontos em jogos considerados, à priori, fáceis, merece destaque, já que as pretensões do rival são superiores. Godín é peça chave no xadrez do técnico argentino, e manteve-se ao seu nível. Recorde-se que foi a nível ofensivo que a equipa se retraiu mais, e que impossibilitaram, a meu ver, um maior número de pontos amealhados.
LATERAL ESQUERDO

Marcelo – Sinto esta inclusão um pouco tendenciosa. Sou um fã confesso deste jogador, mas as suas qualidades são óbvias. No campeonato, a sua “pele” fica condicionada, já que faz parte do terceiro classificado. Jordi Alba, inclusivé, foi considerado o melhor lateral esquerdo da liga. O segundo foi campeão, na análise feita contribuiu mais para a respetiva equipa do que outro jogador dessa posição. Apesar de concordar com esse critério, vejo em Marcelo um jogador, para ser honesto, do mesmo modelo de Alba, mas um modelo mais “atualizado”, melhorado. Um jogador com algo mais a acrescentar. Um lateral esquerdo que ficará eternizado, não apenas na sua geração.
MÉDIO DEFENSIVO

Sérgio Busquets – Sinto um fascínio com o jogo praticado por este médio. Um jogo extremamente silencioso e invisível a olho nu. É capaz de fornecer um equilíbrio, no amplo sentido do termo, à equipa. É raro ter os chamados “jogos não”, apresenta uma grande disponibilidade física e tem o espírito de jogo culé muito, mas muito enraizado nas suas mais profundas entranhas. Absorve facilmente as ordens, dá para ver que não falha muito, e além disso é um dos líderes em campo da equipa. Sabe ler muito bem o jogo, e agora vê-se sem Iniesta, um jogador, que como Xavi, se entendia de olhos fechados.
MÉDIO CENTRO

Saúl Ñiguez – Formado no Real Madrid, foi no vizinho e rival Atlético que encontrou o seu espaço. Um médio interior de eleição, que no Atlético cumpre uma função chave. Apesar de ter um excelente jogo de pés, o seu papel sem bola é deveras apreciado. Preenche bem o espaço, pode ser box to box, se é que não o seja. No esquema de Simeone, todos defendem. Todos correm, todos lutam. Todos têm o objetivo comum de contribuir para o êxito da equipa. Vejo em Ñiguez um jogador muito disponível, e em posição de meio campo, é fulcral para o estilo de jogo efetuado pelos colchoneros. Muito forte nas transições, quer defensiva, quer ofensiva.
MÉDIO CENTRO

Luka Modric – Um artista que dispensa apresentações. Não sabe jogar mal. Tem um requinte ímpar na forma como corre, passa, serve, remata… O clássico número 10… Mas não tão ativo na definição do processo ofensivo, mas com os pézinhos de tal. Não é culpa dele, a posição 10 é que foi preterida, em pról da utilização de dois alas e um ponta de lança (4-3-3, por exemplo), ao invés de um 10 e dois pontas de lança; ou um 10, um ponta de lança, e dois médios ala. Quando digo clássico #10, falo em Zidane, Rivaldo, Kaká, Rui Costa,… Voltando ao croata, detém o perfil de galático, será um jogador difícil de substituir. Passes incisivos, facilidade em encontrar espaços, um contra um, são algumas das suas várias qualidades.
AVANÇADO

Messi – Messi, o mais concretizador, não apenas em golos. Passes, dribles, percentagens de sucesso, seja de passe, de remate, é com ele. Um jogador completo em termos táticos. Mais completo, atualmente, do que Ronaldo. Ronaldo passa muito mais tempo sem bola do que Messi. O argentino procura-a sempre que pode. É um jogador que vale o bilhete, joga muito… Marca uma era, e aos 31 anos poderá estar nas melhores condições para guiar a Argentina à disputa do Mundial. Uma conquista a esse nível levá-lo-ia a um patamar, incrivelmente, ainda não alcançado pela pulga, um dos melhores jogadores de sempre. Quanto à sua prestação na Liga BBVA, realizou uma excelente campanha, num Barça cada vez mais diferente. Pelo menos para ele, menos familiar do que já fora.
AVANÇADO

Cristiano Ronaldo – Acreditava que Ronaldo acabasse como pichichi. Podem ter sido os cinco jogos de suspensão, após a expulsão na Supertaça, a deitar isso por terra. Nunca saberemos. O que ficou patente foi a quebra de ritmo causada, já que o capitão da Seleção contabilizava menos de dez golos à passagem da segunda ronda do campeonato. Algo bem atípico. Contudo, conseguiu ainda marcar em mais de dez jogos sucessivos, e ficou no 2º posto de melhores marcadores! Messi marcou mais oito golos.
É um jogador que vagueia na frente de ataque sem bola, mas sempre com ela no radar. Ou seja, claramente o contrário do que fazia no United. Em Inglaterra, era ele a conduzir o esférico e a determinar, muitas vezes, o seu destino. A idade, mesmo que não se queira, pesa, e Ronaldo, apesar de todos os cuidados e treinos, não consegue evitar a quebra bem visível de agilidade e tenacidade, mais propriamente nos lances de um contra um.
Mesmo assim, o elevadíssimo grau de conhecimento da zona atacante e a forma como corresponde às bolas que lhe são entregues superam uma certa retração das suas qualidades de tecnicista, mas que mesmo assim se mantêm bem acima da média. Para mim, tudo o que conquistou na sua carreira, seja individual, seja coletivamente, seja a nível humano, qualificam-no como um dos melhores de sempre.
AVANÇADO

Rodrigo Moreno – Um ponta de lança que procura jogar com a equipa. E é igualmente procurado por ela. O estilo do avançado que já brilhou no Benfica, é bastante apreciado por Lopetegui. A razão disso mesmo parece-me ser, além do apagão de Morata, e da concorrência de Diego Costa e Iago Aspas (este último que também merecia a presença neste onze), as suas qualidades como avançado pivô e finalizador. Perdoem-me a comparação, mas identifico o seu perfil com o de Nuno Gomes. É mais rápido que o português, mas não é tão bom de costas para a baliza. Fisicamente, ainda é mais parecido. Será o ponta de lança, ao que tudo indica, de Espanha no Mundial, e terá como missão abrir espaços para a entrada de jogadores como Iniesta, Isco, Asensio ou David Silva… Portugal terá de se pôr a pau… só de escrever isto fiquei alarmado!
Artigo revisto por: Jorge Neves














