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Messi diz em “Espanyol” que quinto lugar é engano

Diogo Fresco · 3 min

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Bola de Ouro é um tema global. A disputa Messi x Ronaldo concedeu um nível de atenção mediática astronómico. Não que não tenha tido anteriormente atenção, porque teve, porém, não contava com uma comunicação instantânea… Hoje conta.

Hoje conta com essa “muleta de exposição ao mundo”, mas desse seu “dar-se a conhecer”, recebe de volta influências.

À margem disto, acontece a prática do futebol. O campo. É lá que os intérpretes do espetáculo atuam, é dele que o escrutínio é suscitado.

O divórcio entre a “France Football” e a FIFA, resultou na divisão em dois de um só prémio. Reconhecidos com importância, meticulosamente, equivalente, dão a conhecer a todos os fãs deste desporto o seu melhor praticante no período de análise.

Analisando então, chegamos à conclusão que as escolhas de um e outro não coincidem em partes que deveriam ser indiscutíveis. Porém, coincidiram em deixar Messi fora do pódio. Algo que seria inédito durante uma década inteira, foi agora neste preciso ano. Num ano em que se apresentou, igualmente, ao seu melhor nível, e de forma igual também mais prolífero que os concorrentes (além das estatísticas abismais, também conta com uma forma de jogar à bola ímpar, algo que deveria ter importância).

Sei que é difícil acompanhar um lote restrito de jogadores ao milímetro, mas a eleição pressupõe algo. E encarrega-a a quem exerce um cargo de inegável valor no mundo do futebol, que é o de treinador/jogador/jornalista desportivo de referência. Neste lote seria justi incluir os fãs, porém, parece-me que muitos só se interessam por um dos dois, não Messi e Ronaldo em simultâneo, o que é de lamentar. Mesmo a quem cabe a decisão, a subjetividade e proximidades nutridas com quaisquer intervenientes no processo de deliberação adulteram, em parte, a votação.

Pode ser difícil acompanhar ao detalhe a vida dos jogadores, mas o objetivo não é esse! O que está em análise é a prestação em competição. E nesse aspeto, contam muitas, mas muitas variáveis. Os lote de melhores jogadores é cada vez maior, surgem mais estrelas do que se retiram, mas o tempo passa e acontecimentos surgem. Mesmo assim, Messi e Ronaldo têm demonstrado estar sempre no limite, muitas poucas paragens durante as respetivas carreiras, desde cedo no mais alto nível. Uma autêntica vénia.

Podem dizer que Iniesta, Pirlo, Ibra, Robben, foram desfraldados por não dizerem adeus com a tal coroação, mas é um prémio que premeia apenas um. E houve ano algum em que esses jogadores foram melhores que os dois astros da década?

Fonte: FC Barcelona

O que se sucedeu a Sneidjer em 2010, foi o mote para não deixar acontecer o mesmo em 2018. Modric merece o prémio, mas Messi também merece, Ronaldo também merece, Salah também merece, Griezmann também merece. O que mais me assusta, é que segundo este padrão de eleição, Benzema poderia muito bem ter surgido no pódio!!! Caso jogasse por França, e vencesse na mesma o Mundial, não seria ele o “Melhor do Mundo”??

Com tantas equipas a eclodir, devido ao aumento considerável de jogadores de nível proporcional ao topo competitivo, é difícil escolher apenas um. E sem Ronaldo e Messi, será ainda mais difícil, talvez eles daqui para a frente vão parecer todos do mesmo nível, e claro que serão os títulos a decidir o vencedor.

Messi espalhou exibições memoráveis. Continuou a evidenciar o melhor Messi. E o melhor Messi é muito melhor que qualquer “terceiro”. Para mim, Modric poderia (e pôde) vencer o prémio, mas com Ronaldo e Messi a completar o pódio. Salah ou Griezmann são fantásticos, mas este troféu galardoa os melhores dos melhores, não os melhores das melhores equipas. Trata-te de um troféu de caráter individual, numa modalidade absolutamente coletiva. Quem o criou devia ter explicado o critério fundamental, assim evitava tanto debate não era?

Messi não pode estar de acordo com a deliberação conduzida pela “France Football” ou pela “FIFA”. Estar fora do Top3 não é condizente com a temporada que realizou, e o jogo que assinou frente ao Espanyol foi… faltam palavras. Dois livres perfeitos, um de cada lado. Foram movimentos, dribles, enfim, foi um hino ao futebol. “Quem joga assim não é gago”. Messi não concorda com a classificação, e naquele jogo mostrou-nos (novamente) que tem toda a razão em não concordar.

Eu e qualquer amante de futebol aceitamos de bom grado se essa classificação motivar o argentino a continuar a surpreender, depois de já ter surpreendido tanto…

Foto de capa: FC Barcelona

 

Diogo Fresco

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