O fantástico Levante que travou o sonho do Barcelona

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Terminada a época em quase todos os campeonatos dos países europeus, chegou a hora de dar o merecido destaque aos principais protagonistas da Europa do futebol. Na liga espanhola, há um clube que salta logo à vista: não se trata do Barcelona; o momento é, para surpresa de muitos, dos homens do Levante, que bateram a formação de Ernesto Valverde no passado domingo, dia 13 de maio. Mas já la vamos.

O Levante Unión Deportiva, oriundo da cidade de Valência, terminou a Liga Adelante 2016/2017 no primeiro lugar da tabela. Após a descida ao segundo escalão do futebol espanhol na época transata, os granotas, pelas mãos do técnico Juan Muñiz, conseguiram recompor-se e formar um elenco bastante interessante e competitivo.

Com nomes como o médio José Campaña (ex-FC Porto) e o avançado Roger Martí, a equipa valenciana somou 25 vitórias, nove empates e oito derrotas, números que permitiram o regresso à La Liga. Dos 57 golos marcados, 22 tiveram o selo de Roger.

Em 2017/2018, o presidente do Levante, Francisco Catalán, considerou que era fundamental atacar bem o mercado, e reforçou o conjunto espanhol com algumas caras importantes: Coke (por empréstimo do Schalke 04), Emmanuel Boateng (ex-Moreirense), Doukouré (ex-Metz), Bardhi (ex-Újpest FC), Ivi (ex-Sevilha Atlético), Olazábal (ex-Granada), Pazzini (por empréstimo do Verona), Lukic (por empréstimo do Torino), Rober (por empréstimo do Deportivo) e Luna (ex-Eibar) foram as principais contratações.

Após um bom começo na liga, com duas vitórias (Villarreal e Real Sociedad em casa) e três empates (Valência e Deportivo em casa, e Real Madrid no Bernabéu), os azulgranas entraram numa fase desastrosa a 25 de setembro, num jogo em que saíram goleados de Sevilha, pelo Bétis, por 4-0. Nos 21 jogos seguintes, o Levante somou apenas uma vitória (frente ao Las Palmas), registando 11 derrotas e nove empates nesse período.

A direção do emblema valenciano, após o empate caseiro com o Espanhol (1-1) a 4 de março, numa altura em que a equipa se encontrava em 17.º lugar no campeonato e na luta pela manutenção, decidiu destituir Juan Muñiz do cargo. O escolhido para ocupar a vaga deixada pelo treinador espanhol foi Paco López, que até ao momento orientava a equipa B.

Paco López foi o principal responsável pelo bom final de época do conjunto valenciano
Fonte: Levante UD

E a escolha não podia ter sido melhor. O treinador natural de Valência levou a equipa a uma série impressionante: nos 11 jogos restantes, venceu oito, empatou um e perdeu apenas dois. Mas há um jogo que faz com este feito do Levante não possa passar despercebido: a vitória frente ao Barcelona.

Os catalães foram a Valência já com o título espanhol garantido, mas ainda com um objetivo em mente: a invencibilidade na La Liga, algo inédito. Só que o dia 13 de maio não é de boas recordações para a equipa de Leo Messi. Num cenário completamente imprevisível, o Levante vencia o Barcelona aos 56 minutos de jogo por 5-1 (hat-trick de Boateng e bis de Bardhi).

O conjunto catalão ainda conseguiu reduzir para 5-4, numa boa exibição de Philippe Coutinho, mas não foi o suficiente para evitar a derrota frente à equipa da casa.

Emmanuel Boateng (ex-Moreirense) foi o autor de três dos cinco golos do Levante frente ao Barcelona
Fonte: Levante UD

O Levante alcançava assim um triunfo fantástico e inesperado, que punha fim às ambições dos culés de terminarem a liga sem qualquer derrota. Paco López, para além de ter sido o obreiro de um final de época extraordinário, foi ainda capaz de pôr em prática um futebol atrativo, principalmente no momento de transição ofensiva.

Esta é a história do fantástico Levante que travou o sonho do Barcelona, e que, apesar do 15º lugar na La Liga, tem razões para almejar algo mais. A entrada nas competições europeias pode (e deve) ser encarada como objetivo para 2018/2019. Que os Leicesters, Caldas, etc. desta vida nunca deixem de sonhar. O futebol e os adeptos agradecem.

Foto de Capa: Levante UD

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