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O (próximo) golo de Saúl Ñiguez

Eduardo Botelho · 2 min

O (próximo) golo de Saúl Ñiguez

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Cabeçalho Liga Espanhola

Há golos que ficam na história do futebol. Uns devido à importância que tiveram num determinado resultado, outros devido ao lado estético e à dificuldade da sua execução.

Entre os primeiros há muitos exemplos. Lembra-se do golo de Costinha em Old Trafford que deixou o Manchester eliminado? Tim Howard não conseguiu segurar o remate de McCarthy e Costinha encostou para a baliza na recarga. Não se pode dizer que tenha sido um golo bonito, mas deu origem àquela famosa corrida de José Mourinho ao longo da linha lateral e foi um passo decisivo para a conquista da Liga dos Campeões nessa época. Impossível de esquecer. Assim como o de Miguel Garcia, em Alkmaar, já em tempo de descontos. Canto batido ao primeiro poste e desvio de cabeça para a baliza. Um golo igual a tantos outros e, ao mesmo tempo, único. Já passaram mais de dez anos sobre estes golos e todos nos lembramos deles.

Saúl marca ao Real Madrid, de pontapé de bicicleta Fonte: Club Atlético de Madrid
Saúl marca ao Real Madrid, de pontapé de bicicleta
Fonte: Club Atlético de Madrid

Há também os golos que ficam na memória pelo seu lado estético. Messi, em 2007, pegou na bola na linha de meio campo, fintou meia equipa adversária, passou pelo guarda-redes e marcou. O golo foi memorável, mesmo que já poucos se lembrem de que o adversário era o Getafe e que era um jogo da Taça do Rei. Mais recentemente, tivemos, por exemplo, o pontapé de bicicleta de Ibrahimovic, ainda bem de fora da área, contra a seleção inglesa. Nem o facto de ter sido um jogo amigável nos deixa esquecer aquela acrobacia do sueco.

Mas os mais raros são aqueles golos que conseguem conjugar o lado estético com a sua importância. O melhor – nesse binómio estética-importância – talvez tenha sido o de Zidane, que deu a vitória na final da Liga dos Campeões frente ao Leverkusen, em 2002. Na mesma categoria andará o golo em que Maradona fintou meia seleção inglesa nos quartos-de-final do Mundial do México, e o golo de Van Basten na final do Euro 88, por exemplo.

Zidane prepara-se para marcar na final da Champions frente ao Leverkusen Fonte: Real Madrid C. F.
Zidane prepara-se para marcar na final da Champions frente ao Leverkusen
Fonte: Real Madrid C. F.

Saúl Ñiguez parece determinado a juntar-se a este restrito lote de jogadores que guardam as suas melhores obras de arte para os grandes momentos. Na quarta-feira fez aquele golo digno de Messi – superando Thiago Alcântara, Bernat, Xabi Alonso e Alaba, antes de bater Neuer, – dando ao Atlético de Madrid a primeira vitória sobre o Bayern de Munique em toda a sua história. Mas esse não foi o único golo simultaneamente bonito e importante na carreira de Saúl. Apesar de ter apenas 22 anos – e de nem ser um jogador que marque muitos golos –, já fez outras obras de arte em jogos decisivos.

Há dois anos, quando estava emprestado ao Rayo Vallecano, fez um golaço num remate de fora da área, que deu a vitória frente ao Granada e que garantiu a manutenção à sua equipa. No ano passado, na goleada por 4-0 ao Real Madrid, foi ele quem inaugurou o marcador e fê-lo com um pontapé de bicicleta que não deu hipóteses a Casillas. Agora, fez esta maravilha frente ao Bayern. Mal posso esperar para ver o golo que vai marcar na final da Liga dos Campeões.

Foto de capa: Club Atlético Madrid

Eduardo Botelho

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