Óliver, Isco e outras promessas espanholas

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Isco e Óliver: visão de jogo, qualidade técnica e criatividade que contribuíram decisivamente para as vitórias de Espanha no Euro sub-21 (Isco), em 2013, e no Euro sub-19 (Óliver), em 2012. Dois dos maiores jovens talentos do futebol mundial que, no entanto, não têm lugar assegurado no melhor onze dos seus clubes.

Ainda assim,  os jogadores vivem situações diferentes. Isco já confirmou ser mais do que uma promessa. É internacional A por Espanha e um jogador importante no Real Madrid, mesmo não tendo sempre lugar garantido no onze. Quando Zidane chegou, em janeiro, começou por lhe dar a titularidade ao lado de Modric, com Kroos mais recuado e só mais tarde decidiu apostar em Casemiro como médio mais defensivo, pelo que Isco tem boas possibilidades de voltar a conseguir um lugar na equipa.

Óliver é que está numa fase crítica da sua carreira. Jogou pouco esta época e as perspectivas não são muito animadoras para a próxima. E nem se pode dizer que o Atlético não tenha apostado nele. Depois da boa temporada no FC Porto, o clube deu-lhe a camisola 10 e Simeone deu-lhe a titularidade no início do campeonato. Nas sete primeiras jornadas, foi titular por seis vezes, incluindo jogos importantes como as visitas a Sevilha e Villarreal e as receções a Barcelona e Real Madrid. No entanto, nos restantes 31 jogos até final do campeonato, só foi titular em mais três ocasiões, o que é preocupante. Aos 21 anos, espera-se que um jogador vá ganhando espaço na equipa, não o contrário.

Óliver procura mais oportunidades para festejar no Atlético Fonte: Club Atlético Madrid
Óliver procura mais oportunidades para festejar no Atlético
Fonte: Club Atlético Madrid

Aliás, foi isso mesmo que aconteceu com Saúl Ñiguez, que é da mesma idade e acabou a época como titular, depois de começar como suplente. O problema de Óliver é que as suas qualidades sobressaem principalmente jogando no centro do terreno, como médio mais ofensivo de um meio campo a três, posição que não existe no esquema de Simeone. Isso faz com que, neste Atlético, seja empurrado para uma ala, onde não rende tanto.

Assim, o ideal seria que o espanhol que atuou no FC Porto procurasse outro clube que o pudesse aproveitar melhor. Este verão, já se falou num eventual regresso aos dragões, mas também no interesse de clubes como Borussia de Dortmund, Sevilha ou Celta de Vigo. A continuar no Atlético, Óliver corre o risco de nunca chegar a cumprir tudo o que o seu talento promete.  Já a continuidade de Isco no Real Madrid parece estar assegurada para esta época e o jogador deverá ter bastantes minutos de jogo, mas é possível que, num futuro próximo, tenha de repensar a sua carreira. É que parte atrás de Kroos e Modric na luta por um lugar no meio-campo e tem ainda de contar com a concorrência de James e com a possível chegada de Pogba. O facto de ter ficado de fora da convocatória para o Europeu poderá ser um sinal de alerta para o jogador, que, provavelmente, seria titular em quase todas as equipas do mundo (com exceção apenas de Barcelona e Bayern de Munique).

As dificuldades que Óliver e Isco têm sentido em impor-se são comuns a várias promessas espanholas. Entre os jogadores que, juntamente com Isco,  venceram o Europeu sub-21 estão, por exemplo, Bartra, Illarramendi e Morata. O central catalão, crónico suplente no Barcelona, decidiu este ano mudar-se para o Borussia de Dortmund em busca de mais tempo de jogo; Illarramendi não conseguiu convencer no Real Madrid e teve de voltar à base, na Real Sociedad; Morata saiu para a Juventus porque jogava pouco em Madrid e agora parece estar de volta para ocupar um lugar no banco, assim que Ronaldo regresse de lesão. Entre os jogadores que, com Óliver, venceram o Europeu sub-19, estão Jesè e Deulofeu.

Isco celebra um golo pelo Real Madrid Fonte: Real Madrid CF
Isco celebra um golo pelo Real Madrid
Fonte: Real Madrid CF

O primeiro foi o melhor marcador do torneio, mas hoje não passa de suplente em Madrid; Deulofeu foi considerado o melhor jogador da competição, mas nunca teve oportunidade no Barça, pelo que, após sucessivos empréstimos, saiu definitivamente para o Everton. É a desvantagem de ter os melhores clubes do mundo na Liga Espanhola, os plantéis são tão fortes que os jogadores mais jovens têm de procurar outras paragens se não quiserem passar metade da época no banco de suplentes. Veremos o que o futuro reserva para Óliver e Isco.

Foto de capa: Rfef

Eduardo Botelho
Eduardo Botelhohttp://www.bolanarede.pt
Se os passes de letra existissem literalmente, o Eduardo talvez tivesse dado jogador de futebol. Assim, limita-se às reviengas literárias. A viver em Barcelona, tem vista privilegiada para a melhor liga do mundo.                                                                                                                                                 O Eduardo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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