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Marque na agenda: sábado às 15h15 (de Portugal Continental) é hora de clássico espanhol. Milhões de pessoas espalhadas por mais de duas centenas de países estarão sentadas em frente à televisão para terem a oportunidade de ver em direto algum momento que fique para a eternidade. Poderá ser uma jogada genial de Messi, um golaço do Ronaldo ou mesmo um treinador a espetar o dedo no olho do outro. Nunca se sabe o que vai acontecer, só sabemos que vai acontecer algo.
E, por ser tão difícil antever o que se vai passar no clássico, talvez seja mais prudente começar por olhar para a única coisa de que temos certezas, que é o que se passou nas últimas semanas e a forma como ambas as equipas chegam até aqui (ainda que, no sábado, isso tenha pouca influência). Se o momento de forma atual das equipas fosse relevante, o Real Madrid seria claro favorito. Chega ao clássico depois de 32 jogos consecutivos sem derrotas, lidera o campeonato com seis pontos de vantagem sobre o Barcelona e, mesmo quando as exibições não são as melhores, tem conseguido bons resultados. Do outro lado, o Barça chega ao clássico no pior momento da época, depois de três empates consecutivos: em casa, frente ao Málaga; fora, frente à Real Sociedad; e no terreno do Hércules C.F., da 2.ª divisão B, em jogo da Taça em que os blaugrana pouparam todos os titulares.

Fonte: Real Madrid C.F.
No entanto, o Barcelona tem no regresso de Iniesta uma excelente notícia, principalmente para um meio campo que tem estado irreconhecível e que foi completamente esmagado pela Real Sociedad no fim de semana passado. O domínio dos bascos foi tal que, a meio do jogo, se viu Luis Enrique pedir aos seus jogadores que batessem a bola larga para a frente, renunciando por completo ao estilo tradicional da equipa. Iniesta precisa-se urgentemente! Do lado do Real, regressa Casemiro (embora possa começar no banco), mas confirma-se que Bale, o jogador que estava em melhor forma nos blancos, vai estar de baixa até abril. Estas são notícias importantes porque o clássico, além de um duelo entre equipas, faz-se também de duelos individuais. Este ano, infelizmente já não teremos o duelo entre Cristiano Ronaldo e ,Dani Alves (e parece-me que ambos os jogadores estão felizes por já não terem de se enfrentar), mas há muitos outros duelos para seguir. Eu destacaria o confronto entre Carvajal e Neymar, que poderá ser apenas um dos episódios iniciais de uma longa saga de encontros por vir, dado que ambos têm apenas 24 anos.
Depois há, claro, o duelo maior entre Messi e Ronaldo, que, mais do que ao nível da relva, onde se cruzarão poucas vezes, é jogado ao nível da História. Os dois melhores futebolistas de todos os tempos não costumam deixar os créditos por mãos alheias neste tipo de ocasiões. Messi, no seu primeiro clássico no Camp Nou, quando ainda era um menino de 19 anos, usando a camisola 19 (já que a 10 era de Ronaldinho), fez logo um hattrick como carta de apresentação ao mundo do futebol. Cristiano Ronaldo, de quem durante muito tempo se dizia que só marcava a equipas pequenas, já soma dez golos em casa do Barcelona e não lhe faltará vontade de voltar a dizer ao Camp Nou: “Calma, que eu estou aqui”. Em Messi e Ronaldo poderá estar a chave do jogo, como já tantas vezes aconteceu, ainda que nem tudo se decida aí, naturalmente.

Fonte: La Liga
Há outro fator que poderá ser crucial: as mexidas dos treinadores a partir do banco. Essa é a única previsão que arrisco fazer. Pode tomar nota: caso o Real esteja a perder, Zidane vai mexer com o jogo a partir do banco. Isco (se não for titular), James e Asensio poderão entrar e agitarão o jogo, certamente. E Morata só não entra nestas contas por estar lesionado. Do lado do Barcelona, independentemente de como esteja o jogo, só haverá uma substituição: sairá Rakitic e entrará André Gomes ou vice-versa, se o português for titular. Assumindo que Iniesta aguenta os 90 minutos, só haverá outra substituição em caso de lesão. De resto, Luis Enrique, se quiser que o jogo mude, limitar-se-á a esbracejar na linha, enquanto reza para que Messi pegue no jogo e o resolva sozinho, como fez em Sevilha, há três semanas.
Foto de Capa: Real Madrid C.F.












