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Heracles 1-1 FC Arouca: Milagre de São Bracali

Pedro Machado · 5 min

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liga europa

AROUCA FC

Um resultado positivo para o Arouca FC na estreia na Liga Europa Fonte: Heracles
Um resultado positivo para o Arouca FC na estreia na Liga Europa
Fonte: Heracles

A entrada do emblema arouquense no Polman Stadio deve ter enchido a família Pinho de alegria, pelo projecto de vida ganhar asas e voar alto, rumo à elite do futebol. O Arouca está na Liga Europa, e a sua direcção tem uma fatia de leão num feito histórico do futebol português.

Talvez pelo simbolismo da ocasião, os 10 jogadores de campo da formação orientada por Lito Vidigal entraram  com algum nervosismo. O guarda-redes, porém, estava inspirado e evitou males maiores quando surgiu a primeira investida holandesa, logo aos 2 minutos.

Uma situação que não acalmou os jogadores, sem discernimento para assentar jogo e manter a bola em sua posse, deixando o adversário tomar conta do jogo fruto da enorme pressão ofensiva que foi inflingindo. Até ao intervalo, só Bracalli esteve à altura, evitando, com uma defesa espantosa, o golo do Hercales. O 0-0, no fim dos primeiros 45 minutos era lisonjeiro.

Na segunda parte, nada de novo. O Arouca voltou a mostrar-se demasiado passivo na hora de pegar no jogo e talvez por isso Lito Vidigal tenha retirado Artur para fazer entrar Nuno Valente, que trouxe acutilância ao ataque. Porém, três minutos depois da substituição… o golo do Heracles. Um golpe duro na estratégia de Lito e dos jogadores, que não se conseguiram compôr durante o choque, sobrevivendo apenas pelas mãos milagrosas do seu guarda-redes, que evitou quatro golos feitos e foi mantendo o Arouca na eliminatória.

A pouco e pouco a equipa foi aproveitando alguma quebra física do seu adversário para se estender no jogo, ainda que a construção não fosse consistente o suficiente para se fazer adivinhar um golo… porém, ele chegou. Gegé ganhou a linha, cruzou para a àrea, beneficiou de um desvio e a bola entrou na baliza do Heracles. Um golo que pareceu caído, aos trambolhões, do céu. Foi a oportunidade mais perigosa do Arouca, que valeu um empate precioso. Porém, é preciso mostrar muito mais agressividade na segunda mão. O piso sintético serve de atenuante, mas não justifica uma exibição apagadíssima dos comandados de Lito Vidigal.

Notas aos jogadores:

Bracali – 9

Gegé – 6

Jubal – 5

Hugo Basto – 4

Nelsinho – 5

Adilson – 5

Nuno Coelho – 5

Artur – 4

Zequinha – 5

Mateus – 5

Walter Gonzalez – 6

Nuno Valente – 6

André Santos – 5

Rafael Crivellaro – 5

HERACLES

A formação holandesa contou com um estádio cheio para a apoiar. E foi, talvez, galvanizada pelo cântico da claque e o colorido das bancadas que investiu com todas as forças no meio-campo contrário, com Navratil a aproveitar uma falha da defesa arouquense para causar o pânico com apenas um par de minutos decorrido. A bola saiu por cima.

O mesmo Navratil voltou a assinalar a sua presença, com uma fuga à marcação, numa diagonal fantástica que lhe permitiu isolar-se, porém, o remate saiu à malha lateral. Antes disto, Pelupessy, de longe, obrigara Bracalli a enorme defesa.

O Heracles acabou por sofrer um golo no final da partida Fonte: Heracles
O Heracles acabou por sofrer um golo no final da partida
Fonte: Heracles

Isto tudo aconteceu na primeira meia hora do encontro, como que provando a superioridade do Hercales no jogo e a eficácia da pressão alta levada à cabo pelos homens da frente, que sufocavam a construção do adversário. Foi assim, aliás, que voltou a criar perigo, aproveitando uma má saída de bola dos arouquenses – Bruns ganhou a linha de fundo, cruzou para o coração da àrea onde apareceu Gladon a rematar por cima. O sufoco manteve-se até final do primeiro tempo, mas sem golos a registar…

… um desacerto que foi prontamente corrigido por Gladon. Primeiro avisou, obrigando Bracalli a brilhar outra vez, mas pouco depois não perdoou  e marcou mesmo, aproveitando da melhor maneira o cruzamento de Navratil, ao segundo poste para rematar sem hipóteses para o guardião brasileiro. O duelo entre os dois manteve-se, e o avançando holandês tentou ganhar com nota artística, mas Bracalli  impediu o chapéu. Entre os dois lances, Bruns e Kuwas, aproveitando o desnorte arouquense, também tentaram a sorte, mas o brasileiro ex-FC Porto estava em noite abençoada.

O Heracles não desistiu de ampliar a vantagem e Kuwas, numa fuga pelo flanco direito quase passava a barreira do Arouca. Valeu Jubal.

75 minutos de sufoco permanente da equipa holandesa, numa fase tão precoce da época tinham de ter impacto físico. E assim foi. A equipa deixou de conseguir construir, ainda que não consentisse grandes veleidades ao Arouca… até surgir o minuto 90, altura em que Gegé ganhou a linha aa Gosens, cruzou, a bola sofreu em desvio no lateral esquerdo holandês e foi parar ao fundo das redes de Castro.

1-1, e equipa não se conseguiu levantar mais. No fim, lamentava-se o desperdício e… Bracalli.

Notas aos jogadores:

Castro – 5

Breukers – 5

Te Wierik – 6

Zomer – 5

Gosens – 5

Bruns – 7

Pelupessy – 7

Bel Hassani – 6

Kuwas – 7

Navratil – 8

Gladon – 8

Propper – 5

Darri – 5

A FIGURA

Rafael Bracali foi o homem da partida Fonte: Heracles
Rafael Bracali (dir.) foi o homem da partida
Fonte: Heracles

Bracalli (FC Arouca) – Das mãos de Bracalli veio a esperança da sobrevivência na Europa. O guardião brasileiro foi a última barreira às investidas holandesas, que tinham no meio-campo e na defesa arouquense um autêntico passador. Ao longo de todo o encontro foram 5 as intervenções de alto nível que fizeram os holandeses (particularmente Gladon) levar as mãos à cabeça.

Foi graças a ele que foi nascendo a esperança do empate, depois do golo consentido (sem hipóteses para o “keeper”), pois tratou de não desanimar, mantendo o nível altíssimo que exibira até então, com mais três boas intervenções.

O golo do Arouca foi de Gegé, o jogo foi dele.

O FORA DE JOGO

Hugo Basto (FC Arouca) – É um jogador formídavel, com um futuro brilhante à sua frente, mas neste fim-de-tarde deixou muito a desejar, sobretudo para quem o tem em tão boa conta. Entrou nervoso, e isso transformou-se em permissividade e passividade, deixando Gladon explorar terrenos que deviam ser “policiados” por ele.

Hugo Basto foi o elo mais fraco da equipa do Arouca FC Fonte: Heracles
Hugo Basto foi o elo mais fraco da equipa do Arouca FC
Fonte: Heracles

No golo, foi réu, abordando muito mal o cruzamento de Bruns, deixando as suas costas descobertas para a finalização de Gladon. Um nome que, não fosse o golo arouquense ao cair do pano, lhe daria noites em claro.

Pedro Machado

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