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Olympiacos FC 2-1 Arouca FC: O fim de um início

Pedro Machado · 3 min

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A FIGURA

Fonte: Arouca FC
Fonte: Arouca FC

Lito Vidigal – A sua equipa era tecnicamente mais modesta, o ambiente seria adverso e trazia da primeira mão uma desvantagem de 1-0. Não se atemorizou. E passou o estado de espírito para o esquema táctico, assente em maior ousadia ofensiva, mais exposto a riscos. Os seus jogadores absorveram a mensagem e bateram-se como se tivessem as mesmas responsabilidades do Olympiacos.

O FORA-DE-JOGO

Fonte: Olympiacos FC
Fonte: Olympiacos FC

Fortounis – Foi o espelho da passividade grega que levou à monumental assobiadela dos seus adeptos, não conseguindo impor a sua qualidade entre a defesa arouquense, para a qual perdeu imensas bolas. André Martins substituiu-o e notou-se a diferença.

Lito Vidigal prometeu a garra do costume e a equipa não deixou o seu mister ficar mal. O Arouca apresentou-se, no Georgios Karaiskakis, de forma personalizada, sem temer a adversidade que vinha de fora (o ambiente do reduto do Olympiakos mete respeito à formação mais rodada e a equipa grega está formatada para ir longe na Liga Europa) e de dentro (o natural nervosismo por se disputar uma competição europeia).

Havia dúvidas sobre a disposição da equipa, dada a ausência do capitão, Nuno Coelho, tão importante a equilibrar a manobra defensiva arouquense. Especulou-se o reforço do meio-campo e levantou-se a questão sobre a utilização do homem mais adiantado- Walter ou Marlon? Lito respondeu: “os dois”. Foi assim, de peito aberto e cheio do fulgor dos corajosos que o Arouca conseguiu dignificar a cidade… e o país futebolístico.

É certo que o Olympiakos começou por dominar a contenda, circulando a bola sem pressa, porque o tempo jogava a favor de uma vantagem de um golo trazida da primeira mão. Ia ameaçando, mas sem nunca concretizar. Aproveitou o Arouca para, entre esta espécie de passividade, avisar que estava em Atenas para fazer história. Primeiro foi Walter a rematar ao lado, depois foi Velasquez, a cabecear perto da baliza defendida por Kapino. Assustou-se o Olympiacos, e reagiu à ousadia dos portugueses – Ideye e De La Bella tiveram boas chances para marcar, mas Bracalli, primeiro e a falta de pontaria, em segundo, deixaram as coisas na mesma rumo ao intervalo.

Lito tinha algo de inspirador a dizer e disse. E a equipa voltou a levar as palavras do seu líder a sério, chegando a encostar o Olympiacos ao seu meio-campo, com várias oportunidades de perigo – Crivellaro revelou crença com um pontapé de bicicleta que passou perto do alvo, Walter seguiu o exemplo, primeiro de cabeça, depois com os pés, mas Kapino opôs-se. Estava confirmado: o Arouca estava por cima no encontro e justificava o golo. Assim, quando Gege aproveitou a bola que para ele sobrou na área do Olympiakos para inaugurar o marcador, fez-se justiça. Mateus podia ter ampliado a vantagem logo depois, com um remate a rasar a barra, levando à fúria os adeptos gregos, que brindaram os seus jogadores com uma assobiadela monumental.

Os gregos chegaram, por isso, ao prolongamento, com necessidade de reagir. Saiu Cambiasso, entrou Dominguez e, de repente, tudo mudou. O argentino precisou de apenas 4 minutos em campo para deixar a sua marca, e empatar a partida, assistido por Pardo. Um duro golpe do qual o Arouca se tentou erguer (Walter, por duas vezes, ameaçou relançar a eliminatória), mas não conseguiu. E ainda sofreu o segundo, por Ideye, a 7 minutos dos 120.

O Arouca está fora da Liga Europa 2016/2017 mas foi eliminado da melhor forma possível – com uma exibição que fez corar um adversário experimentalismo nestas andanças e com uma vitória nos 90 minutos, no Georgios Kariskakis, algo que não era conseguido por uma equipa portuguesa desde há 42 anos a esta parte. A equipa técnica, os jogadores e a direcção regressarão eliminamos, sim, mas com a noção de que o trabalho que está a ser feito é de excelência e que este é o caminho a seguir. O fim da primeira época na Europa. Um fim de um início brilhante. É que a continuar assim, com esta entrega e profissionalismo, as portas da Europa estarão escancaradas para o Arouca.

Pedro Machado

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