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Numa semana irregular em que começa com uma goleada sofrida em Belém e em que acaba de marcar pela segunda vez na sua história, e presença nos quartos-de-final da segunda grande competição europeia, o Sporting Clube de Braga volta a fazer história e irá agora defrontar os ucranianos de Donetsk, o FC Shakhtar.
Num sorteio que acabou por ser satisfatório, dadas as presenças de equipas como o Borussia Dortmund, o Liverpool e o atual bicampeão Sevilha, o atual segundo classificado do campeonato ucraniano, a três pontos do líder Dínamo, não será tarefa fácil de todo, e a prova disso é o facto de ter eliminado o Schalke 04 e o RSC Anderlecht.
O FC Shakhtar dispensa apresentações e, apesar de ser presença regular na Liga dos Campeões, procura repetir a sua única conquista europeia em 2008/09, em que foi campeão, vencendo o Werder Bremen F.C. na final por duas bolas a uma.
O clube liderado por Mircea Lucescu conta com 23 vitórias, quatro empates e sete derrotas, marcando 79 golos e sofrendo 34 vitórias. Note-se que cinco destas derrotas, com 16 golos sofridos, foram concedidas na fase de grupos da Liga dos Campeões, onde teve que medir forças com duas superpotências europeias, o PSG e o Real Madrid.

Fonte: FC Shakhtar Donetsk
À imagem do seu treinador, o F.C. Shakhtar continua a apresentar um futebol de cariz ofensivo com muitos golos e, apesar de ter perdido o seu melhor marcador e um dos melhores marcadores da Europa para os chineses do Jiangsu Suning, continua a ser uma equipa que marca bastantes golos e apresenta movimentações ofensivas e objetivas idênticas àquelas que nos habituámos a observar nos últimos anos.
Com a instabilidade vivida na Ucrânia, a dificuldade em contratar jogadores aliou-se à venda, de certa forma forçada, de peças fundamentais como Mkhitaryan, Willian, Fernandinho, Douglas Costa, Luiz Adriano e, neste mercado de inverno, Alex Teixeira.
Gerou assim receitas na ordem dos 174 milhões de euros apenas com estes seis jogadores, possibilitando a compra de jogadores como Bernard, Fred, Taison (peças fundamentais do clube ucraniano) e muitos outros jogadores, maioritariamente sul-americanos como Dentinho, Wellington Nem, Facundo Ferreyra, Fernando, Ismaily, entre muitos outros.
De resto, dada a velocidade dos seus jogadores, os contra-ataques dos “Mineiros” são feitos através de processos simples, explorando o futebol nas alas e a facilidade com que os seus extremos aparecem nas zonas interiores mais avançadas do terreno.
Pontos fortes a reter:
– Taison e Bernard são dois dos expoentes máximo não só do próprio clube mas também do futebol ucraniano, onde aguardam pacientemente pelo salto para um colosso europeu.
– Num 4x4x2 semelhante ao dos Guerreiros do Minho, por vezes a equipa apresenta-se num 4-2-3-1; contudo, a estrutura da equipa está montada há largos anos com jogadores habituados a disputar as competições europeias e com um treinador experiente que faz bem o seu trabalho de casa. Stepanenko, Kucher e um dos ídolos da casa, Srna, são prova disso.
– A qualidade técnica dos seus jogadores é elevada, permitindo jogadas sistemáticas a um e dois toques, conseguindo chegar à grande área adversária com relativa facilidade e com um futebol vistoso e com um número de oportunidades de golo bastante elevado por jogo.
– Lesões não tendem a preocupar em demasia esta equipa, dado o leque enorme de jogadores que apresenta, com um plantel, todo ele, de enorme valor e com soluções bastante similares para cada setor da equipa.
– É uma equipa que continua constantemente à procura do golo e que raramente se dá por vencida; basta vermos o jogo com o Real Madrid, que, a perder por quatro bolas a zero, conseguiu marcar três golos em apenas 12 minutos. Trata-se de algo que exigirá ao Sporting Clube de Braga concentração e não permitirá faltas de passividade nos diferentes momentos do jogo durante as duas mãos.

Fonte: FC Shakhtar Donetsk
Lacunas:
– Os invernos rijos na Ucrânia obrigam a uma grande paragem; a equipa pode não conseguir apresentar-se no seu melhor futebol aquando da próxima eliminatória.
– Costuma apresentar um grande espaço fornecido entre a defesa e o meio campo, com pouca pressão exercida, deixando as equipas adversárias explanarem o seu jogo.
– A defesa, embora maioritariamente experiente, procura sair a jogar sistematicamente, arriscando muitas vezes, desnecessariamente, concedendo golos e oportunidades infantis, o que, com uma pressão alta e intensiva pelo clube do Minho, pode explorar as limitações defensivas que o clube de leste apresenta.
– A falta de intensidade dada a liga que disputam e a lentidão nas transições defensivas, apesar do forte apoio dos extremos aos laterais, pode positivamente aliar-se ao futebol direto que o Braga muitas vezes apresenta, sobretudo nas costas da defesa, queimando várias linhas de passe.
– Quanto à defesa do Shakhtar, esta também não se apresente sistematicamente em linha, o que, com contínuas faltas de compensação, pode permitir o forte entrosamento que o ataque do Sporting Clube de Braga costuma apresentar.
O sorteio está decidido e coloca frente a frente um dos possíveis candidatos ao título da presente edição da Liga Europa e um candidato que continua a surpreender e a apresentar um futebol de bastante nível, podendo sonhar com a primeira conquista de um dos maiores eventos futebolísticos da Europa.
Apesar de ser o adversário mais complicado até agora para o clube português, depois do extasiante resultado frente ao Fenerbahçe, tem tudo para acreditar, e também nós!
Foto de Capa: FC Shakhtar Donetsk









