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Neymar e o seu ego entram novamente em cena

César Mayrinck · 4 min

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Cabeçalho Liga Francesa

 

Ter um elenco recheado de estrelas é quase sempre uma árdua tarefa para um clube administrar. Alguns treinadores conseguem administrar bem essa situação. José Mourinho, Zinedine Zidane e Pep Guardiola são alguns exemplos. Claro que uma situação ou outra pode acontecer, porém as ações tomadas pelos comandantes citados sempre são rápidas.

Ter um elenco com “medalhões” é saber que você precisa trabalhar os egos dos jogadores com a mesma intensidade que realiza os trabalhos físicos, táticos e técnicos. Mas não precisaria ser assim. O jogador de futebol sabe que desempenha uma atividade de conjunto coletivo, ou seja, precisa saber trabalhar em harmonia com os seus demais companheiros para que o objetivo principal da sua equipe seja alcançado.

O PSG há algumas temporadas vem mostrando uma força grande no mercado. Para a atual temporada investiu pesado nas contratações do brasileiro Neymar e do francês Mbappé. Juntos os dois atletas custaram – se considerarmos apenas os valores das transferências e já calculando o valor da futura compra dos direitos federativos do Mbappé – cerca de 400 milhões de euros. Os dois se juntaram com outras estrelas do futebol mundial, como o lateral Dani Alves, o zagueiro Thiago Silva, os meio campistas Verratti e Thiago Motta, além dos avançados Cavani, Pastore e Di Maria. Um elenco para vencer a Ligue 1 com sobras e ir com muita força para a conquista da primeira Champions League da história do clube parisiense.

Até o momento as coisas no campo estão ótimas. O PSG é líder do Campeonato Francês e goleou o Celtic, na Escócia, na estreia da Champions League. Apesar desse bom momento nem tudo são flores no clube.

 

  Neymar é a contratação mais cara da história do futebol mundial. Fonte: Benoit Tessier/Reuters

Neymar é a contratação mais cara da história do futebol mundial.
Fonte: Benoit Tessier/Reuters

Na ultima rodada do Campeonato Francês, os atacantes Cavani e Neymar protagonizaram dois lances que fogem daquela ideia de jogar em equipe. No primeiro lance o uruguaio pegou a bola para fazer uma cobrança de falta. Neymar queria bate-la e os dois discutiram. Para encerrar o assunto o lateral Dani Alves pegou a bola de Cavani e entregou ao Neymar. Na cobrança a bola passou perto do gol. No segundo lance polêmico entre os dois atacantes, o uruguaio novamente pegou a bola para realizar uma cobrança de pênalti. Neymar foi até o companheiro para persuadia-lo a deixa-lo fazer a cobrança. Com a negativa do uruguaio, Neymar saiu da bola inconformado balançado negativamente a cabeça. Na cobrança de pênalti o uruguaio perdeu. Essa disputa entre os dois atacantes deixa claro que o objetivo pessoal está acima do objetivo coletivo.

Também não são apenas por esses dois lances que percebemos o clima tenso no vestiário do PSG. Os dois jogadores pouco trocam passes entre eles. Percebe-se claramente que não há sintonia entre os atletas. A situação se agravou ainda mais quando o brasileiro exigiu à diretoria do clube que negociasse o Cavani. Segundo a imprensa francesa, Neymar disse que não queria mais atuar ao lado do uruguaio.

Sobre a cobrança de pênalti quem define é o treinador. É necessário que os jogadores já saibam antes de subirem ao gramado de quem é a função de fazer tais cobranças. Outra questão é a atitude do brasileiro. Não há problema algum dele querer fazer todas as cobranças de falta e pênalti. Porém, precisa respeitar a ordem do treinador – que até esse jogo parece não ter definido – e também o seu companheiro. Tenho certeza que o Neymar é um dos três melhores jogadores da atualidade e possivelmente herdará o trono do futebol mundial do português Cristiano Ronaldo e do argentino Lionel Messi. Porém, precisa saber que no clube já existia um cobrador oficial.

Neymar também deixou de seguir o Cavani nas redes sociais. Parece coisa boba – e de fato é – mas comprova o desentendimento entre ambos. Os anos passam e o brasileiro continua sendo mimado e infantil com tais atitudes. Atitudes essas que prejudicam o seu clube. Não posso esquecer de mencionar o desentendimento que o jogador teve com o técnico Dorival Júnior, quando ambos trabalhavam no Santos. O jogador, erradamente, criou um clima insustentável no clube que a diretoria santista não teve outra saída a não ser demitir o treinador. Mesmo o Dorival tendo a razão. Claro entre um jogador promissor que geraria milhões de euros aos cofres do clube e um treinador a opção foi a “certa”.

Na situação atual o brasileiro continua jogando a favor do seu peso no elenco do PSG. Em uma disputa entre Neymar – que custou cerca de 900 milhões de reais – e o Cavani é claro que a diretoria parisiense ficará ao lado do brasileiro. Neymar não é mais um jovem para não entender certas circunstâncias no futebol. Um dia essa ”banca” cai. Surgirão novos talentos e o brasileiro que hoje não sabe lidar muito bem com essas situações vai ter sérias dificuldades.

 Foto de capa: Christophe Simon/AFP

César Mayrinck

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