Publicidade

Neymar no PSG: Os valores

Pedro Machado · 2 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Cabeçalho Liga Francesa

 

Informação prévia:

O PSG vai desembolsar cerca de 800 milhões de euros, caso Neymar cumpra os 5 anos de contrato propostos:

– €222M para o Barcelona

– €188M para os do Estado Francês (37,5 milhões por cada ano de contrato)

– €80M para os do Espanhol

– €250M para Neymar (30 milhões por ano, livres de impostos, já que estará isento de pagar o imposto sobre as grandes fortunas por nunca ter vivido em França, mais 100 milhões do prémio de assinatura)

– €45M em “comissões de agenciamento”

 

“… tanta gente a morrer a fome!”. Com a toalha no ombro e mão na cintura, o empregado do restaurante que me serviu o almoço de hoje não evitou o desabafo quando passou, no jornal da tarde de um canal generalista, a notícia da transferência de Neymar para o PSG. Não terá sido o único. O desabafo daquele senhor estará a ser replicado um pouco por todo o mundo, por entre gente que tem contas por pagar e filhos a quem dar de comer e educação.

De facto, os valores envolvidos são pornográficos, e têm de nos atirar, gente do futebol, para uma profunda reflexão sobre o verdadeiro valor da nossa indústria e, sobretudo, da sua responsabilidade social. Sim, responsabilidade social. O valor que se movimenta para comprar um jogador, hoje em dia, é verdadeiramente escandaloso e a tendência é para piorar (ou melhorar, no que toca aos interessados). Para o que se encaixa, já não chega existir “Fundação Barcelona” ou “Fundação PSG”, não. Tem de se fazer mais pelo mundo, porque o mundo tem feito muito pelo futebol.

Fonte: children.org
Fonte: children.org

E o mundo, que projeta o futebol em camisolas forjadas dos principais protagonistas dos maiores clubes mundiais e nos pés descalços de quem não tem meios para os calçar, merece, por exemplo, ser educado, como eu e muitos dos que estão a ler, foram ou estão a ser. O mundo merece criar condições para a sua sustentabilidade, e essa começa nas escolas e no conhecimento. O conhecimento que se pode alastrar daqui, da Europa “civilizada”, onde se fazem os negócios milionários, para lugares como, por exemplo, Madagáscar, onde uma escola com 580 alunos (e aos quais se daria uma refeição por dia) custa, segundo dados do Borgen Project, menos que 4500 euros. Ou seja, se Neymar Sr, pai de Neymar Jr, abdicasse de apenas 1% do valor que irá receber em “comissões de agenciamento”, conseguiria dar de comer e saber a 580 miúdos que, descalços e com camisolas forjadas (provavelmente de Neymar), promovem o futebol ao ponto de este atingir os valores dos quais é alimentada a fortuna desse senhor.

Amar o futebol, às vezes, deixa-me a consciência pesada.

Foto de Capa: Telegraph

Artigo revisto por: Beatriz Silva

Pedro Machado

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Em Portugal, as listas são horizontais, em Espanha, são verticais: o Real Bétis também é uma escola de extremos (e Souleymane Faye passou por lá)

SEVILHA, ESPANHA- Ao pensarmos em escolas de formação, com a sua especialidade em extremos, o nosso cérebro vai pensar automaticamente no Sporting. Cristiano Ronaldo, Nani, Simão Sabrosa e Ricardo Quaresma são o expoente máximo de craques saídos da cantera do emblema do José de Alvalade, capazes de fazer magia a partir da linha, procurando espaços interiores ou dando profundidade nas zonas exteriores, aliando-se ao lateral. Nos últimos anos, Espanha assumiu-se como o país protagonista no futebol, não apenas nos seniores, mas também na formação. As academias ganharam um papel importante no desenvolvimento do desporto rei desde a viragem do século, com vários emblemas a apostarem na manutenção e criação de infraestruturas para que os atletas possam atingir os níveis máximos. As conquistas do Euro 2024 e do Mundial 2026 provam este ponto. São a cereja no topo do bolo de um processo que obviamente não se construiu de um dia para o outro.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Denílson no Real Bétis: o brasileiro que encantou Manuel Lopera e que chegou a deter o título de jogador mais caro da história

SEVILHA, ESPANHA- Em 1997, o mundo preparava-se já para a viragem do século, com todos os países do mundo ocidental a procurarem a modernização e o protagonismo global. No futebol, não era distinto. Vivíamos os primeiros anos da Premier League, que procurava destronar a Serie A como o campeonato mais poderoso do mundo. Os ingleses tinham dinheiro e queriam a maior audiência possível, proporcionando assim ao espetador os melhores encontros possíveis. Era uma batalha entre poderosos, que hoje em dia é quase inimaginável. Em Espanha, a La Liga tinha uma boa cotação, mas ainda não estava no mesmo patamar que as suas congéneres. No entanto, o caminho traçado era claro. Ainda em 1990, o governo espanhol, farto de ver os clubes a gerarem prejuízos dantescos, criou a Ley del Deporte, que levava a que os clubes profissionais criassem uma Sociedade Anónima Desportiva. A partir desse momento, as instituições também passavam a ser empresas. Os únicos que escaparam a isto (por terem fechado as contas no positivo)? Barcelona, Real Madrid, Athletic e Osasuna. Presentemente, estes quatro emblemas continuam a pertencer aos sócios.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.