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O 11 do século XXI do Paris Saint-Germain

Diogo Mesquita · 10 min

Neymar pode rumar a Inglaterra. Neymar PSG capa
Foto: UEFA

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O Paris Saint-Germain está a viver o melhor período da sua história. É um dos mais consagrados clubes do futebol francês e tem uma das melhores equipas do mundo. Contudo, nem sempre foi assim. Há que reconhecê-lo: o palmarés não era tão invejável como o de hoje em dia, antes do clube ser comprado pelo magnata do Catar, Nasser Al-Khelaifi.

Apesar do passado recente hegemónico, os parisienses sempre contaram com alguns dos plantéis mais competitivos da Ligue 1 e vestiram alguns dos melhores jogadores de sempre, mesmo antes da compra multimilionária.

Nos últimos 20 anos, foram muitos os jogadores que fizeram do Parc des Princes a sua casa e ajudaram a fazer do clube o tubarão europeu que é hoje em dia. O Bola na Rede encarrega-se de revisitar o passado e o presente do clube, analisar estes plantéis e escolher o melhor XI do século do Paris Saint-Germain. Uma tarefa difícil, mas entusiasmante.

Spoiler: a equipa é um 4-4-2 de luxo.

GUARDA-REDES

Salvatore Sirigu – O italiano foi um dos primeiros jogadores a assinar pelo “novo” Paris Saint-Germain. Chegou do Palermo com 24 anos e a troco de €3,8 milhões. Em Paris, ganhou todos os troféus internamente. Um tetracampeonato, duas Taças de França, três Taças da Liga e quatro Supertaças.

Sirigu foi ainda o guardião titular do PSG na Champions: levou os parisienses quatro vezes aos quartos-de-final, mas o clube nunca conseguiu passar dessa fase da competição na última década. Sirigu foi dono e senhor da (quase) impenetrável baliza francesa ao longo de cinco épocas recheadas de sucesso, até ser emprestado em duas épocas consecutivas e, eventualmente, sair para o Torino a custo zero, onde ainda hoje joga.

LATERAL-DIREITO

Bernard Mendy – O francês assinou pelos parisienses logo na primeira temporada do século XXI, em 2000-01. Trocou o SM Caen pelo PSG a troco de €2,7 milhões, uma quantia avultada para a altura, ainda para mais tendo em conta que Mendy tinha apenas 19 anos. Foi, portanto, desde cedo que começou a construir o seu legado no Parc des Princes. Ora, como sabemos, o Paris Saint-Germain da década passada não era tão dominante como o de hoje em dia. Portanto, no palmarés de Mendy ao serviço dos franceses constam apenas duas Taças de França e uma Taça da Liga.

Envergou a Torre Eiffel ao peito durante sete épocas de sucesso, tendo representado o PSG mais do que qualquer outro clube durante a sua carreira. Totaliza 247 jogos, 11 golos marcados e 13 assistências pelos parisienses. Hoje em dia, ainda dedica a sua vida ao clube; é treinador adjunto do plantel feminino do Paris Saint-Germain. Bernard Mendy é visto como uma lenda em Paris, e não é para menos, porque leva uma carreira inteira de PSG.

LATERAL-ESQUERDO

Layvin Kurzawa – Tendo dividido a carreira profissional entre os emblemas franceses mais bem sucedidos da década, o internacional gaulês trocou o AS Monaco pelo Paris Saint-Germain, em 2015, por €25 milhões. É um dos melhores alunos duma grande turma da cantera da equipa monegasca e, infelizmente para o principado, um dos que fugiu para o grande rival. Resta dizer que é, muito provavelmente, o melhor lateral esquerdo da história dos parisienses, destronando o lendário argentino Gabriel Heinze.

O palmarés é muito parecido com alguns dos colegas nesta listagem, por ser colega da equipa de todos eles. Quatro campeonatos, três Taças e três Taças da Liga. Em quatro épocas, já fez 123 jogos pelo PSG. Marcou 13 golos e fez 21 assistências. Tem hoje 28 anos e renovou contrato com os parisienses até 2024, há menos de um mês. Por isso, os números devem tornar-se ainda mais impressionantes daqui para a frente.

DEFESA-CENTRAL

Thiago Silva – O brasileiro era internacionalmente reconhecido como um dos melhores defesas do mundo quando assinou pelo Paris Saint-Germain. Em 2012, trocou o AC Milan pelos franceses a troco de €42 milhões, tornando-se o segundo defesa mais caro da história do futebol na altura – oito anos depois, ou hoje, ocupa o 12.º lugar desta lista. O carioca tinha 28 anos quando chegou à capital francesa e estava indubitavelmente a jogar o melhor futebol da sua carreira. Pelo PSG conquistou sete campeonatos, quatro Taças de França, cinco Taças da Liga e ainda sete Supertaças.

Já se sabe que na próxima época, Thiago Silva, com 35 anos, será um jogador livre, uma vez que não vai renovar contrato com o PSG. É um dos jogadores mais acarinhados pelos adeptos do clube, que lhe são muito agradecidos por ter dado tudo pelo emblema parisiense. É, relembro, capitão do PSG há seis temporadas. Com a camisola dos Paris Saint-Germain, realizou 310 jogos. Marcou 17 golos e assistiu outros cinco.

DEFESA-CENTRAL

Marquinhos – É a escolha lógica para jogar ao lado de Thiago Silva. O sucesso conquistado pela dupla ao largo de vários anos não me permite, em consciência, colocar outro defesa nesta lista que não ele. Embora Mauricio Pochettino quase tenha roubado o lugar ao luso-brasileiro e mereça, por isso, uma menção honrosa. Também proveniente do calcio, Marquinhos chega a Paris com apenas 21 anos, proveniente da AS Roma, equipa a quem o PSG teve de pagar quase €32 milhões pelos talentos do jovem brasileiro.

Ao contrário de Thiago Silva, Marquinhos não era uma certeza, mas sim um projeto a médio-longo prazo. Teve um período de adaptação e ainda cometeu esporádicos erros na equipa titular do Paris Saint-Germain, mas é seguro dizer que a aposta no jovem paulista foi muito bem conseguida. No seu palmarés constam seis campeonatos, quatro Taças e cinco Taças da Liga.

MÉDIO-CENTRO

Blaise Matuidi – O campeão do mundo em 2018 é, indubitavelmente, um dos melhores jogadores da história do Paris Saint-Germain. Deixou a AS Saint-Éttiene para rumar a Paris a troco de €8 milhões em 2011, quando tinha 24 anos e foi perante a plateia do Parc des Princes que jogou o melhor futebol da sua carreira. Coletivamente, conquistou cinco campeonatos franceses, três Taças e quatro Taças da Liga. Mereceu ainda a distinção de Futebolista do Ano em França, em 2015. Feito pouco comum para um médio centro, mas condigno.

Depois de disputar 295 jogos pelos parisienses, aos quais junta 33 golos e 28 assistências, saiu para a Juventus por €25 milhões com 30 anos. Matuidi surpreende pela inteligência com que lê o jogo, qualidade de passe e segurança com a bola nos pés. É um dos grandes jogadores desta era dourada que o futebol francês está a viver. Inesquecível.

MÉDIO-CENTRO

Marco Verratti – O médio italiano simbolizou uma grande prova de fogo ao departamento de scouting do emblema parisiense. Em 2012, o PSG pagou €12 milhões por um jovem de apenas 19 anos ao Pescara. Um desconhecido para a maioria dos adeptos de futebol, Marco Verratti nunca tinha jogado a Serie A, uma vez que o emblema italiano defendia as suas cores na segunda divisão do país. A contratação que causou estranheza ao início, acabou por se revelar certeira.

Atualmente com 27 anos, Marco Verratti é rouge-et-bleu por dentro e por fora. Jogou a carreira toda ao serviço dos franceses, é titular indiscutível e um dos mais cobiçados médios do mundo. Tem um valor de mercado de €60 milhões. O palmarés é o do costume: sete campeonatos, quatro taças e cinco Taças da Liga. O internacional italiano já disputou 310 jogos pelos franceses, tendo marcado nove golos e assinado 52 assistências.

EXTREMO-DIREITO

Ronaldinho – O mago brasileiro jogou apenas dois anos em Paris, mas foi na capital francesa que catapultou para aquilo que viria a ser a sensação chamada Ronaldinho Gaúcho. A lenda responsável por tornar uma geração inteira apaixonada por futebol. Aos 21 anos, o Grémio deixa fugir a troco de €5 milhões uma entusiasmante promessa para o futebol francês. Tinha a melhor finta, o melhor drible, a melhor corrida e o melhor remate. Era o maior talento do futebol no mundo inteiro. Ronaldinho era único.

Acabado de chegar à Europa, Ronaldinho Gaúcho jogou 77 vezes pelo Paris Saint-Germain, onde conseguiu marcar 25 golos e fazer 17 assistências. Sai para o FC Barcelona por €32 milhões, concretizando uma das transferências mais caras do mundo em 2003.

O resto… É a história que já todos conhecemos.

EXTREMO-ESQUERDO

Neymar – A transferência mais cara da história do futebol não podia ficar de fora. O PSG deixou o mundo em choque quando pagou €222 milhões pelo avançado brasileiro que abandonou o Barcelona contra tudo o que parecia lógico. Pese embora a decisão chocante, é certo que Neymar não foi para Paris para brincar.

Findas as três primeiras épocas – esta última interrompida pela pandemia – Neymar já conta com 80 jogos pelos parisienses, onde marcou 69 golos e fez 39 assistências. Números que não mentem. Neymar, claro, ganhou os três campeonatos que disputou, juntando ainda uma Taça e uma Taça da Liga.

O grande objetivo do brasileiro no Parc des Princes continua a ser, acredito, aquilo que o PSG tão obcecadamente persegue: a conquista da Liga dos Campeões. Algumas histórias online têm avançado um possível regresso de Neymar a Barcelona ou um eventual rumo a Madrid para jogar com a camisola merengue. Até lá, continuará a ser o rei parisiense.

PONTA-DE-LANÇA

Pauleta – Portugueses a jogar em relva francesa é, normalmente, uma combinação maravilhosa. Porém, Pedro Pauleta é, de todos os exemplos, o melhor que consigo dar. O avançado açoriano chega a Paris vindo do Bordéus por €11 milhões. A humildade e discrição do português conquistaram imediatamente os corações da plateia parisiense, que tantas vezes cantou o nome do seu capitão.

Nas cinco épocas ao serviço do clube de Paris, Pedro Pauleta conquistou duas Taças de França e foi, em duas ocasiões, o melhor marcador do campeonato francês – mais uma ao serviço do clube antecessor, Bordéus.

O seu emocionante adeus ao futebol foi ao serviço do clube da capital francesa, numa final de Taça diante do Lyon, que também aplaudiu a sua despedida dos relvados. Em 211 jogos, marcou 109 golos e ainda assinou 15 assistências. Um ídolo em Paris, e em Portugal.

PONTA-DE-LANÇA

Zlatan Ibrahimovic – Apesar da eclética carreira em múltiplos destinos, foi em Paris que a super estrela sueca encontrou a sua casa mais duradoura. Ibra chega ao PSG oriundo do AC Milan por €21 milhões e com 31 anos, idade com que normalmente os jogadores entram na fase descendente da sua carreira. Contudo, todos sabemos que as leis não se aplicam a Zlatan, o Zlatan aplica as leis.

Em Paris, Ibrahimovic consegue os melhores números da sua carreira. Em 180 jogos pelos gauleses, marcou 156 golos e fez 60 assistências. Tudo isto em apenas quatro épocas. Ganhou quatro campeonatos, duas Taças e duas Taças da Liga. Foi ainda o melhor marcador da Ligue 1 três vezes. Zlatan Ibrahimovic é um dos avançados que ajuda a definir uma era do futebol, e, até ver, o melhor jogador da história do PSG.

Quem melhor do que o próprio para definir a sua estadia em França? “Cheguei um rei, saio uma lenda.”

Artigo revisto por Joana Mendes

Diogo Mesquita

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