Paris Saint-Germain FC: O dinheiro não compra títulos

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entrada da reta final da temporada, e à data deste artigo, o Paris Saint-Germain FC já garantiu o título da Ligue 1, seguindo isolado no primeiro posto com 16 pontos de vantagem do Lille OSC, o segundo classificado. Contudo, o bi-campeonato conquistado pelos parisienses não justifica todo o investimento feito pelo clube e sobretudo a massa salarial que o plantel aufere.

Na presente temporada, além do fracasso europeu, nas competições secundárias francesas, a Coupe de France e a Taça da Liga Francesa, o PSG revelou-se incompetente e não conseguiu alcançar mais nenhum título.

Primeiramente, nos Quartos de final da Taça da Liga Francesa, o PSG foi surpreendido em pleno Parque dos Príncipes diante da equipa do Guingamp, que, nos últimos dez minutos da partida, na conversão de duas grandes penalidades, fez dois golos e fixou o 1-2 final.

Para analisar a campanha europeia do PSG é conveniente relembrar que na primeira declaração de Nasser Al-Khelaïfi enquanto presidente do Paris Saint Germain, foi prometido um plantel de luxo, várias conquistas e um prazo máximo de cinco anos para conquistar a Liga dos Campeões. Em 2016 a validade dessa promessa chegara ao fim e também não foi nesta temporada que o clube parisiense conseguiu esse feito.

Na Liga dos Campeões 2018/2019, o PSG venceu o grupo C categoricamente, mas na fase seguinte naquele que possivelmente foi o momento mais decisivo da sua época vacilou: após uma excelente exibição na primeira mão dos oitavos de final que culminou numa vitória justa por 2-0 em Old Trafford, na segunda metade da eliminatória, os parisienses viram o Manchester United marcar ao cair do pano o 3-1 final e mais uma vez o sonho europeu caiu por terra.

Novamente jogando perante os seus adeptos, o Paris Saint-Germain não se assumiu como uma das maiores potências da Europa e foi eliminado de mais uma competição.

Com Neymar nas bancadas, completamente abismado, o Paris SG ainda tentou pressionar nos nove minutos de compensação que surgiram
Fonte: UEFA

Para um plantel que atualmente tem um valor de mercado na ordem dos 930M de euros, a eliminação precoce das competições fez despoletar múltiplas críticas na opinião pública. Essa crescente onda de reclamação aliada à notícia de que o Qatar pondera deixar de investir no clube francês gerou alguma instabilidade interna que teve um impacto negativo no rendimento da equipa no último terço da temporada.

Ainda assim, logo no mês de abril, a cinco jornadas do fim do campeonato, o PSG conquistou a Ligue 1.

Num campeonato tão pouco competitivo, os parisienses limitaram-se somente a conquistar o título, não demostrando qualquer tipo de dificuldades e até emoção, na medida em que em toda a sua campanha nenhuma outra equipa lhe conseguiu fazer frente. As facilidades foram tantas que o título foi “festejado no sofá” fruto de mais um deslize do Lille, que, curiosamente, na jornada anterior havia goleado o PSG por 5-1, evidenciando assim a fragilidade dos comandados de Tuchel.

Poucos dias depois, no Stade de France, na final da Coupe de France, o Paris Saint-Germain defrontou o Rennes.

Com uma entrada fulminante na partida, o conjunto parisiense chegou rapidamente a uma vantagem de dois golos com Neymar em especial evidência assinalando um golo e uma assistência. Apesar do bom arranque, o PSG mais uma vez deixou-se surpreender, permitiu o empate e a final seguiu para as grandes penalidades, sem a presença do jovem prodígio Kylian Mbappé que viu vermelho direto.

Foi o Rennes quem venceu a Coupe de France, batendo nas penalidades o PSG por 6-5 com Nkunku Christopher a ficar muito mal na fotografia ao “atirar para as nuvens” na cobrança de uma grande penalidade na fase de morte súbita.

Ao PSG já só resta cumprir calendário na Ligue 1 e para a história fica uma temporada com um sabor “insonso” em que os parisienses conquistam o título nacional com demasiada facilidade, mas pecam em três momentos cruciais não se revelando capazes nem merecedores de conquistar mais algum título.

Fonte: Paris Saint Germain FC

O fracasso da equipa parisiense é para alguns uma vitória da integridade do futebol, uma vez que mesmo com um investimento de largas proporções, o principal clube francês não foi capaz de ser gigante.

Em Paris, desde a direção aos jogadores, advinham-se algumas mudanças e o sucesso do PSG terá de passar pela “descapitalização” do clube e pela aposta num plantel como um todo e não como um concílio de craques.

 

Foto de Capa: FFF

 

Gonçalo Miguel Santos
Gonçalo Miguel Santoshttp://www.bolanarede.pt
Ainda era caracterizado com um diminutivo e sentado ao lado do seu pai, já vibrava com o futebol, entusiasmado e de olhos colados na televisão à espera dos golos. O menino cresceu e com o tamanho veio o gosto pela escrita e o seu sentido crítico.                                                                                                                                                 O Gonçalo não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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