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As 6 contas finais da Premier League

Tiago Serrano · 7 min

As 6 contas finais da Premier League
Foto de Capa: Liverpool FC

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Mais uma edição daquele que é para muitos o campeonato mais competitivo do mundo acaba de chegar ao fim. E agora, está na hora de fazer um balanço da época na Premier League: da luta pelo título, pelo acesso às competições europeias, pela manutenção, bem como pelas principais revelações e desilusões da temporada. Num campeonato que foi rico em surpresas, irei aqui falar dos principais destaques.

LUTA PELO TÍTULO

Desde há uns anos para cá, que se tem vindo a afirmar um grupo de clubes rotulado de “Big-6”, que tem ocupado os seis primeiros lugares da Premier League nas últimas épocas. No entanto, analisando o contexto destes clubes no início da época, Liverpool e Manchester City seriam novamente os principais candidatos ao título.

Os citizens partiram na condição de bicampeões ingleses, mas desde o início da época que enfrentaram um calvário de lesões. As lesões graves de John Stones e Aymeric Laporte forçaram Pep Guardiola a fazer adaptações no eixo defensivo, e o desempenho da equipa ressentiu-se fortemente, sobretudo a nível da transição defensiva.

Já o Liverpool, no estatuto de campeão europeu, partiu para a nova época com uma máquina bem oleada e estruturada, não dando a mínima hipótese à concorrência, conseguindo o registo histórico de 26 vitórias nas primeiras 27 jornadas. A primeira derrota surgiria apenas na 28ª jornada e de forma surpreendente nas mãos do Watford. Só mesmo uma quebra no regresso após a pandemia impediu os reds de baterem o record de pontos na Premier League. Mas o principal já estava feito, quebrar o jejum de campeonatos que já durava há 30 anos, ainda antes da fundação da Premier League.

LUTA PELA EUROPA

A luta pelo acesso às competições europeias esteve ao rubro, com dois confrontos entre clubes com aspirações europeias na última jornada.

Não posso falar desta luta sem falar da renovada equipa do Chelsea. Impedidos de contratar jogadores pela UEFA e vendo partir a sua maior figura nos últimos cinco anos, os blues de Roman Abramovich viveram uma nova realidade, construindo uma equipa nova, apostando na formação e contratando um treinador que, apesar de conhecer muito bem a casa, ainda era novo nestas andanças.

Apesar de ter tardado a assentar as suas ideias, a lenda do clube londrino conseguiu montar um colectivo sólido e capaz de valorizar os jogadores, relevando nomes como Mason Mount, Tammy Abraham, Reece James e Billy Gilmour. Todo o mérito para Frank Lampard que para além de ter qualificado o Chelsea para a Champions League e por ter construído uma equipa competitiva num contexto completamente novo para o clube.

Outros dois clubes dos quais não posso deixar de falar são o Manchester United e o Tottenham. Os ainda vice-campeões europeus tiveram um defeso conturbado e enfrentaram vários conflitos no balneário que desagregaram o plantel. Todas estas circunstâncias levaram a um decréscimo brutal do desempenho da equipa, que culminou com o despedimento de Maurício Pochettino em Novembro, com o clube a ocupar o 14º lugar na Premier.

José Mourinho seria o treinador escolhido para arrumar a casa, sendo que o próprio também tinha o objectivo de limpar a imagem após ter saído do Manchester United pela porta pequena. O técnico setubalense conseguiu dar alguma estabilidade à equipa e fez com que o clube reentrasse na luta pelo acesso às competições europeias, conseguindo o sexto lugar que dá acesso à Liga Europa na próxima época, competição onde Mourinho deverá querer apostar forte. Porém, José Mourinho ainda não reúne consensualidade por parte dos adeptos, sendo que a próxima época será decisiva para o clube do norte de Londres.

Já o Manchester United, cedo se “suicidou” neste campeonato. Com um planeamento mal feito e um plantel mal montado, os Red Devils afastaram-se rapidamente da luta pelo título, e tudo encaminhava para o clube alcançar a pior classificação dos últimos 30 anos. Porém, a contratação de Bruno Fernandes daria uma nova alma à equipa.

O internacional português assumiu-se imediatamente como uma mais-valia na equipa, não só pelo seu talento, mas também pela sua capacidade de liderança. Sob a sua batuta, o Manchester United reentrou nos lugares cimeiros da tabela classificativa, conseguindo a qualificação para a Champions na última jornada, mas a verdade é que para vermos o United de outros tempos, o clube ainda tem de crescer muito dentro e fora das quatro linhas.

AS REVELAÇÕES

Depois de ser o protagonista de um dos mais belos contos de fadas da história do futebol, o Leicester City voltou a virar os holofotes para o King Power Stadium. Brendan Rodgers construiu uma equipa nova à volta de referências como Kasper Schmeichel e Jamie Vardy, montando um dos colectivos mais sólidos e consistentes desta temporada na Premier League.

Apesar de falharem a qualificação para a Champions ao cair do pano, esta equipa ainda vai dar muito que falar. Enquanto o título de 2016 pode ser visto como um oásis no deserto, o desempenho desta época é fruto de um projecto bem trabalhado e estruturado, onde os foxes podem vir a sonhar com algo mais.

Tendo em conta aquilo que fez na época passada, o Wolverhampton não pode ser considerado propriamente uma revelação, mas o trabalho de Nuno Espírito Santo não deixa de ser digno de realce. Apesar de terem um início de campeonato tremido (muito graças à participação nas primeiras pré-eliminatórias da Liga Europa), os wolves conseguiram recuperar dar continuidade ao trabalho que tem vindo a ser realizado nos últimos anos, voltando a ficar entre os sete primeiros classificados da Premier League. Por isso, estão neste grupo pela solidez do seu projecto e pela continuidade do trabalho realizado.

Mas a maior revelação da época é claramente o Sheffield United. O treinador Chris Wilder chegou ao comando técnico dos blades em 2016, com o clube na League One. Após duas subidas de divisão, o Sheffield regressou à Premier League 12 anos após a última presença, e surpreendeu tudo e todos ao colocar-se na luta pelo acesso à Liga Europa. Com um sistema táctico de 3-5-2, a equipa não praticava o futebol mais atractivo do campeonato, mas mostrou um colectivo coeso, disciplinado e muito difícil de bater.

DESILUSÕES

Começo por falar do Arsenal, o último dos chamados “Big-6”. O clube do Norte de Londres ainda se encontra em reestruturação técnica após a saída de Arsenè Wenger. Após um Verão em que não foram colmatadas todas as lacunas do plantel, os gunners voltariam a mostram que estavam um passo atrás dos seus adversários directos e os maus resultados levaram ao despedimento de Unai Emery.

Para o seu lugar, foram buscar o braço direito de Guardiola no Manchester City. Mikel Arteta regressaria aos gunners, com o objectivo de implementar uma ideia de jogo a partir do zero, passando a mensagem de que estava a construir uma equipa para o futuro. Apesar de mostrar ideia positivas e potencialidades para se tornar num grande treinador, por esta época, o Arsenal falha o acesso às competições europeias e obtém a pior classificação dos últimos 25 anos.

Juntamente com os gunners, o Everton foi a principal desilusão desta Premier League. Com Marco Silva ao leme, a equipa manteve a sua espinha dorsal e ainda trouxe outros jogadores de qualidade como Moise Kean. Tudo apontava que os toffees teriam capacidade para melhor o oitavo lugar obtido em 18/19.

No entanto, o clube de Liverpool esteve longe de corresponder a tamanhas expectativas e à 15ª jornada, Marco Silva seria despedido após perder por 5-2 no Merseyside’s Derby. Carlo Ancelotti substituiu o técnico português no Everton, e a fazer de levar a equipa a uma ligeira melhoria, um lugar na segunda metade da tabela não é um objectivo para os Toffees.

DESPROMOÇÕES

Um ano após ser campeão do Championship, o Norwich rapidamente mostrou ser o clube com menos argumentos para vingar no campeonato mais competitivo do mundo. Mantendo a espinha dorsal da época passada e apostando em jovens como Max Aarons, Jamal Lewis e Todd Cantwell, o conjunto liderado por Daniel Farke praticou um futebol positivo e ousado, mas acusou a falta de experiência e de andamento a este nível, sendo que as sete derrotas consecutivas no pós-pandemia, acabaram por ditar a já esperada descida de divisão.

Já o Watford fez um planeamento de época completamente anedótico, despedindo o treinador Javi García ainda nas jornadas iniciais, sendo substituído pelo compatriota e regressado Quique Flores. Com o ex-treinador do Benfica no comando, o Watford sofria a maior goleada da história do clube na Premier ao perder por 8-0 contra o Manchester City, deixando Quique com os dias contados no clube.

Nigel Pearson seria o terceiro treinador dos Hornets e ainda deu razões para os adeptos terem esperança na manutenção, conseguindo inclusive, ganhar por 3-0 ao Liverpool. Mas Pearson acabaria por ser despedido há poucos dias e o jogo acabaria por ditar a despromoção que se temia.

Esta também acaba por ser a época da queda do Bournemouth. Presente na Premier League desde 15/16, o humilde clube da costa sul de Inglaterra acabou por sucumbir nesta última jornada, apesar da vitória por 3-1 no reduto do Everton na última jornada. Eddie Howe conseguiu fazer muito com pouco nestes cinco anos, mas desta vez não foi suficiente.

Tiago Serrano

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