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Boxing Day 2017: Recordes de golos… e a magia do costume

Pedro Machado · 7 min

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Cabeçalho Liga Inglesa

Os anos passam, mas a magia não envelhece. O Boxing Day permancece como um dos dias mais bonitos do ano para todas as famílias britânicas… e para apaixonados por futebol, como são quem lê e quem escreve estas linhas.

Para nós, o Natal só acaba a 26 de Dezembro, mesmo que as sobras de um banquete que enchem os frigoríficos, os papéis de embrulho que espreitam pelos caixotes do lixo como se quisessem voltar ao estado mais elegante em que se viram e o regresso dos e-mails do trabalho nos indiquem o contrário.

Este ano, não foi diferente. E a Premier League voltou a proporcionar-nos, como última prenda do Natal deste ano, um belo espetáculo. Barriga cheia de golos ao almoço e um recorde como sobremesa

Tudo começou pela manhã, como é hábito. Ao meio-dia e meio, o Tottenham recebeu o Southampton em Wembley e os olhos estavam todos colocados num jogador – Harry Kane. O ponta-de-lança inglês podia superar o recorde de golos obtido num ano civil, na Premier League, e ainda tornar-se no melhor marcador de 2017. Conseguiu-o, com um hat-trick (o segundo consecutivo!).

Ao inaugurar o marcador, servido exemplarmente por Christian Eriksen, superou Alan Shearer e fez o 37º golo do ano na Premier League. Ao bisar no encontro, ampliando a vantagem dos Spurs, concluindo interessante jogada colectiva, ultrapassou Leonel Messi e fez o golo número 55 neste ano civil. O Southampton, sem Virgil Van Djik nem Charlie Austin, limitava-se a ver jogar e a melhor oportunidade de perigo até ao intervalo tinha sido um cabeceamento de Danny Rose, lateral… do Tottenham, que quase traiu Hugo Lloris.

Harry Kane completou um hat-trick histórico com um chapéu Fonte: Tottenham Hotspur
Harry Kane completou um hat-trick histórico com um chapéu
Fonte: Tottenham Hotspur

O espírito dos Saints mudou na segunda parte, a equipa subiu linhas e até teve oportunidades para reduzir a desvantagem (Buffal destacou-se), mas foi o Tottenham, fazendo uso da vertiginosa transição ofensiva e aproveitando o espaço concedido pelo adversário, quem marcou. Delle Ali fez o terceiro, assistido por Son Heung-Min… e devolveu o favor ao norte-coreano, que fez o 4-0.

Os Saints não baixaram os braços, e conseguiram mesmo marcar por Boufal, aos 64 minutos. Porém, Harry Kane, três minutos depois, decidiu voltar a aparecer e, com um belíssimo chapéu, chegou aos 39 golos na Premier League e aos 56 golos em 2017. O jogo não terminaria sem que os Saints tivessem mais um assomo de orgulho. Tadic fez o 5-2 final, sentenciando, de barriga cheia, o resultado do primeiro jogo do Boxing Day.

Despertador tocou tarde em Old Trafford

O Manchester United apareceu “empaturrado” da ceia de Natal e não fez jus ao título de equipa mais bem sucedida na jornada do Boxing Day (tinha 65 pontos em 75 possíveis à entrada para este) e não foi além de um empate caseiro diante do Burnley.

Os orientados por Sean Dyche, a fazer uma campanha fantástica na Premier League (mas que pareciam em quebra depois do 0-3 consentido diante do Tottenham), entraram da melhor forma no teatro dos sonhos e adiantaram-se no marcador por Ashley Barnes, na sequência de um livre lateral.

O Manchester United reagiu, por Zlatan (jogou de início, juntamente com Lukaku) e por Pogba, mas foram os Clarets a ampliar a vantagem. De livre directo, Steve Defour, antigo jogador do FC Porto e que esteve nas cogitações dos Red Devils antes de rumar à invicta, fez o 0-2 com que terminou a primeira parte.

Defour assustou Old Trafford Fonte: Premier League
Defour assustou Old Trafford
Fonte: Premier League

Mourinho não esteve de modas e avançou com uma dupla substituição ao intervalo, fazendo entrar Lingard e Mkhitaryan para o lugar de Rojo e Ibrahimovic. Esta aposta teve retorno imediato – o Manchester United entrou mais afoito e reduziu a desvantagem, aos 7 minutos da segunda parte, pelo extremo inglês naquele que foi o 600º golo em Boxing Days da Premier League.

O Burnley, fazendo uso da boa capacidade defensiva conseguiu sossegar o ímpeto dos red devils e foi segurando a vantagem até aos minutos finais, porém, à passagem do minuto 90, Lingard voltou a fazer das suas

Prendas dadas à cabeçada

O Chelsea de Conte vinha escaldado de um nulo em Goodison Park, mas conseguiu manter a série de seis vitórias consecutivas em casa, para a Premier League, derrotando um Brighton com algumas modificações, como que a afirmar que aquele não era o seu campeonato.

Porém, os “substitutos” de Chris Hughton deram boa conta de si e tornaram difícil a tarefa do Chelsea, revelando uma boa  organização defensiva, que esteve na génese de um nulo ao intervalo, que Bakayoko, Moses e Rudiger tentaram evitar, com boas oportunidades.

Álvaro Morata desfez o nulo Fonte: Premier League
Álvaro Morata desfez o nulo
Fonte: Premier League

Na segunda parte, o Chelsea entrou mais pressionante e chegou mesmo ao golo, logo aos 2 minutos da etapa regulamentar, através de uma cabeçada imperial do regressado Álvaro Morata.

A partir daqui tudo ficou mais fácil para os blues, que ampliaram a vantagem por Alonso, num cabeceamento ao primeiro poste em resposta a um canto milimetricamente cobrado por Cesc Fabregas e que setenciou a partida.

O fim da ‘fome’ de Marco Silva e uma caldeirada de empates

Nem só dos “grandes” se fez o Boxing Day, aliás, este é um dia celebrado desde os mais pequenos aos maiores, e as equipas do meio da tabela também merecem destaque, numa série de jogos da tarde marcada por empates e em que, para além do referido Chelsea, apenas o Watford foi excepção.

Os orientados por Marco Silva começaram a perder frente ao Leicester, graças a uma cabeçada mortífera de Ryad Mahrez e a série negativa dos Hornets (cinco derrotas e um empate nos últimos seis jogos) parecia destinada a continuar, até porque os campeões da Premier League 2015/16 ameaçaram ampliar a vantagem, porém, um golo de Moga Walle a terminar a primeira parte, na sequência de uma jogada confusa, deu a esperança do regresso as vitórias que viria a ser alcançada  – na sequência de um livre, Doucouré contou com a ajuda de Kasper Schmeichel para confirmar a reviravolta do marcador, e o 2-1 manteve-se até final.

Kasper Schmeichel ajudou o Watford no regresso às vitórias Fonte: Premier League
Kasper Schmeichel ajudou o Watford no regresso às vitórias
Fonte: Premier League

De resto, só empates. Em Huddersfield a equipa da casa começou por se adiantar por Tom Ince, aos 10 minutos de jogo mas, perante um Stoke City em recuperação, não conseguiu aguentar a vantagem e Sobhi Ramadan empatou o jogo para os Potters, que preservaram três pontos para a linha de àgua, encabeçada pelo Bournemouth. Os Cherries empataram em casa diante do West Ham num jogo eletrizante e repleto de reviravoltas. Collins adiantou os Hammers , mas Gosling, ainda na primeira parte e Aké, na segunda deram a cambalhota no marcador, antes de Arnautovic aparecer e devolver a liderança ao West Ham com dois golos em oito minutos (entre os 83 e os 89)… mas o jogo não terminou aí – ao terceiro de seis minutos de compensação, Callum Wilson evitou a derrota do Bournemouth, que não vence há nove encontros consecutivos,

Quem também atravessa uma série negra de jogos sem vencer (mas esta bem mais grave) é o West Bromwich, que não sabe o que é vencer desde Agosto e não teve, no Boxing Day, a prenda desejada, não indo além de um nulo caseiro diante do Everton, naquele que foi o único jogo sem golos do dia.

‘Lanche’ tranquilo em Anfield Road

A terminar o dia, à hora do lanche, mais espetáculo. O Liverpool de Jurgen Klopp recebeu e venceu o Swansea sem grandes dificuldades,

Os Reds entraram a todo o vapor e adiantaram-se cedo no marcador. Philipe Coutinho, num disparo fora de àrea confirmou um dos melhores meses da sua carreira, assinando o sexto golo em Dezembro e o 11º desta época.

O Liverpool não tirou o pé do acelerador e podia ter castigado um adversário demasiado passivo com mais golos até final da primeira parte, fruto da já habitual dinâmica ofensiva, mas Salah e Firmino não tiveram o acerto do 10 dos reds.

Coutinho adiantou os 'reds' Fonte: Liverpool FC
Coutinho adiantou os reds com um grande golo
Fonte: Liverpool FC

As facilidades concedidas pelo Swansea transitaram da primeira para a segunda parte e não espantou ninguém que os Reds ampliassem a vantagem. Firmino incumbiu-se de o fazer, servido por Philippe Coutinho.

A superioridade do Liverpool foi-se mantendo e adivinhava-se uma goleada, que se confirmou com o golo de Arnold (65′), o bis de Firmino (66′), o chapéu de Chamberlain (82′). Foram cinco, mas podiam ter sido muitos mais.

E chegou ao fim o Boxing Day de 2017. Tivemos espetáculo a rodos e muitos golos. Aliás, este foi o Boxing Day com maior média de golos por jogo (3.63, fruto de 29 golos em 8 jogos, ultrapassando o de 1999, com 3.60, graças a 36 golos em 10 jogos) e que também ficou marcado por ter sido o quinto sem vitórias forasteiras (depois de 1992, 1997, 2003 e 2009).

Foto de capa: Tottenham Hotspur

Pedro Machado

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