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Dentro das casas britânicas há um burburinho exacerbado. E sente-se a presistência da magia da época. O Natal não acabou a 25 de Dezembro. Ainda há uma tradição a cumprir! Pais e Mães preocupam-se com os agasalhos dos filhos, que não se importam de adiar 3 ou 4 horas de atenção aos novos brinquedos. Afinal, hoje é dia de ir ao estádio ver a bola. Hoje há Boxing Day.
E com ele, a esperança. A esperança dos adeptos do Palace em ver a sua equipa “atinar” após duas derrotas consecutivas e uma chicotada psicológica (saiu Pardew, entrou Allardyce). A esperança dos adeptos do United em ver a equipa aproximar-se da zona do “top 4”. A esperança, também, dos adeptos do Chelsea, no alcançar de um recorde de vitórias seguidas inédito na sua história.
De norte a sul de Inglaterra, essa esperança esteve nos estádios, alimentado por doses enormes de magia. Nuns ficou, noutros foi-se embora… mas prometeu voltar.
Pela manhã, como se quer
O pontapé de saída do Boxing Day foi dado pela manhã (como se quer, em Inglaterra) em Vicarage Road, onde o Palace foi buscar um ponto, beneficiando de lesões precoces do Watford (aos 14 minutos, Janmaat e Behrami já tinham saído, por lesão) para ganhar ascendente e adiantar-se no marcador, através de Cabaye (enorme jogada de Townsend, a oferecer o golo ao francês). Ainda na primeira parte, Benteke desperdiçou uma grande penalidade (mantém-se a saga de penaltys falhados) e deu azo a que a equipa da casa ganhasse embalo e empatasse a partida… por essa via. Chamado à conversão, Troy Deeney, ao marcar o golo 100 com a camisola dos Hornets (apenas o quinto jogador a fazê-lo), fez o 1-1 final.

Fonte: TheSun
O Watford continua tranquilo a meio da tabela, ainda que necessite, urgentemente, de se encontrar em termos de identidade táctica. Há uma estrutura posicional, falta criar mecanismos com bola que vão para lá do abuso do jogo directo.
Quanto ao Palace, somou um ponto na luta por essa tranquilidade e ainda não ficou bem patente o que pode Allardyce trazer. Para já o ex-seleccionador inglês ainda não foi capaz de dissipar a muita ansiedade que ainda se sentiu nas trocas de bola da equipa.
A meio da tabela… e da tarde
O empate do Palace permitiu aos Eagles guardar uma distância maior para a linha de àgua, beneficiando das quedas de Hull, Sunderland e Swansea.
Enquanto que os dois primeiros foram derrotados pelas equipas de Manchester (já lá vamos), os últimos confirmaram o péssimo momento de forma que atravessam, ao ser goleados pelo West Ham no seu próprio reduto. Andre Ayew, de regresso a uma casa onde foi muito feliz, inaugurou o marcador na primeira parte. Reid, Antonio e Carrol continuaram a festa dos Hammers em Cardiff, apenas interrompida pelo golo de Llorente. 4-1 para a equipa visitante (exactamente o mesmo resultado a 7 de Maio deste ano, mas a favor dos Swans… em Londres), que atravessa um momento de foram soberbo, atestado, com esta vitória, em 3 três triunfos seguidos e num salto classificativo de 3 lugares, beneficiando, para tal, da vitória do Burnley, em casa, diante do Middlesbrough, que foi batido pelo jogo directo do adversário, via pela qual chegou ao único golo do jogo, apontado por Andre Gray, a 10 minutos do final.

Fonte: Sky Sports
No outro jogo da tarde entre equipas fora do top 6, o Everton foi a Leicester vencer por 2-0. Os actuais campeões de Inglaterra voltaram a demonstrar alguma passividade na hora de tomar iniciativa quando em desvantagem no marcador e evidenciam a falta que Kanté vai fazendo ao meio-campo na permeabilidade que tiveram na zona central do terreno, facilmente invadida pelos Tofees.
Ranieri foi infeliz nas substituições que efectuou e quando, certamente, quereria emendar a mão, o resultado já estava feito e as trocas… esgotadas (logo aos 65 minutos).
Mirallas e Lukaku materializaram a superioridade da sua equipa com dois golos em que há culpas a apontar aos centrais e, claro está, ao desfalcado meio-campo dos foxes. Uma vitória dos de Liverpool que lhes permite sonhar com os lugares de acesso à UEFA via Premier League (o 7º lugar pode garanti-lo).
Giroud salva Arsenal de serviços mínimos
O passado recente do Boxing Day não eram a melhor para os adeptos do Arsenal. Ainda estava por sarar a ferida causada pelos 4-0 sofridos em Southampton no ano passado, numa partida em que os gunners… não apareceram.
Decididos a anestesiar a dor, os comandados por Arséne Wenger estavam determinados em vencer o West Bromwich Albion, partindo de um 4x2x3x1, onde Giroud (dada a ausência de Walcott) era a principal referência ofensiva, dando mais pujança física no eixo do ataque. A procura por bolas aéreas aumentou na mesma razão da previsibilidade. Os intentos dos gunners esbarravam num bloco compacto de quase duas linhas de 5 entre defesa e meio-campo.

Fonte: Arsenal
Havia muita posse de bola (79%!), mas não se criava perigo com ela e no final da primeira parte, adivinhava-se um Boxing Day sem vitórias no Norte de Londres. O jogo recomeçou, os gunners tentaram agitar o jogo, sobretudo através de Alexis Sanchez, que inclusivé atirou uma bola ao poste, mas foi sol de pouca dura. O West Bromwich voltou a conseguir entupir os acessos à baliza de Ben Foster. e os londrinos tiveram dificuldades.
Os minutos foram passando e foi preciso esperar pelo minuto 87 para que se respirasse de alívio. Giroud, servido por Ozil (acordou a tempo!) numa bola longa, fez o único golo do jogo e mandou embora o pessimismo reinante nas bancadas.
O West Bromwich pagou a factura de jogar de forma desinteressada nos três pontos. O Arsenal tem muito que trabalhar o seu processo ofensivo de forma a tornar-se mais acutilante. Em jogos contra equipas com uma proposta de jogo tão fechada, a circulação de bola tem de ser mais rápida e… colada ao chão. Sim, há a atenuante de não se dispôr da velocidade de Walcott, e as coisas seriam diferentes neste capítulo… mas sem a pujança física de Giroud não venceriam este jogo. O problema do jogo do Arsenal é, pois, estrutural.
Nota artística elevada na 5ª seguida de Mourinho
Nos últimos 9 Boxing Day, 3 confrontos entre Sunderland e Manchester United, 3 triunfos dos red devils. A última? 3-1, há umas horas atrás, no regresso de David Moyes a Old Trafford.
O jogo até começou de feição ao Sunderland, que dispôs das melhores ocasiões no início do encontro, porém, a organização posicional e a valência física foram ganhando importância na partida e quando se deu por ela, a tendência já se tinha alterado. Pogba partiu para um jogo fantástico, tanto a segurar as amarras do meio-campo, como a soltá-las em ataque organizado. Teve duas oportunidades para marcar, mas foi Blind quem inaugurou o marcador numa inicativa de Marcos Rojo, culminada com uma assistência de Ibrahimovic para o disparo do holandês ainda antes do apito para o descanso.

Fonte: Manchester United
A segunda parte teve a mesma toada e a vantagem mínima ia sendo lisonjeira para um Sunderland sem argumentos para contrariar o futebol dos red devils. O 2-0 e o 3-0 chegaram pois, com naturalidade. O segundo, por Zlatan, servido por Pogba, numa bola ganha a meio-campo que o francês tornou em contra-ataque. O terceiro, outra vez com o sueco na jogada, mas na pele de assistente para um golo assombroso de Mkhitaryan (em voo, com o corpo balanceado para a frente, deu de calcanhar e fez a bola entrar ao poste mais distante).
O jogo podia acabar naquele momento. Mas faltava o prémio de consolação. Borini, aproveitando uma bola devolvida pela àrea do United, preparou-a no peito e, sem deixar cair, rematou direitinha ao ângulo superior direito da baliza de De Gea, colocando um laço no embrulho de um jogo que foi autêntico presente de Natal.
Mourinho somou a 5ª vitória consecutiva, mantendo a perseguição à qualificação para a Champions ao mesmo tempo que o seu United revelou interessante consistência táctica, alicerçada na integração da defesa no ataque e do ataque na defesa. A equipa age como um todo, quase em harmonia.
Rumo ao recorde
Depois da vitória sobre o Palace, que conferiu ao Chelsea de Conte a 11ª vitória consecutiva, igualando o recorde do clube, partilhado entre Guus Hidink e Carlo Ancelotti, os blues procuravam agora superar a marca conseguida há 7 anos atrás.
Foi, assim, à procura de fazer história, que Hazard e companhia entraram em Stamford Bridge. A ausência do goleador da equipa, Diego Costa, em nada fez esmorecer esta competitividade e a opção por um ataque mais móvel (Willian, Hazard e Pedro) acabou por trazer dividendos bem cedo no encontro (23 minutos), com Pedro, servido por Fabregas, a apontar o primeiro da partida.
Hazard, já na segunda parte, encarregou-se de ampliar a vantagem de grande penalidade. Pedro, sob o apito final, marcou outra vez e concluiu o encontro.

Fonte: Chelsea F.C.
O adversário? Era o Bournemouth. Mas nem se viu em campo. Ou a magia deste Chelsea fê-lo desaparecer. Quem tem ilusionistas do calibre de Hazard, pode muito bem fazer isto. O belga fez um jogo incrível, ganhando todas as disputas individuais e acelerando o jogo no timming certo. Marcou só um, sim, e de grande penalidade, mas foi ele a figura de jogo, apesar do bis de Pedro e da consistência de Fabrègas.
O Chelsea batia o recorde “pessoal” de 11 vitórias seguidas, alcançando as 12. Faltam, agora. duas para se atingir o Arsenal de 2002 no recorde absoluto de triunfos consecutivos na Premier League.
Sterling e Ihenacho abafam ausência de Aguero
Perante o triunfo dos rivais, o City não podia facilitar. Jogava quase que sobre brasas perante a ultrapassagem provisória do Arsenal graças ao maldito golo de Giroud nos últimos instantes da partida. Um golo que foi marcado muito longe de Hull, onde os citizens jogavam, mas que foi lá consentido.
A equipa de Pep Guardiola teve muitas dificuldades em soltar o perfume do seu futebol nos instantes iniciais, acusando muito a falta de um avançado com a noção construtiva de Aguero e a desinspiração de De Bruyne, Silva e companhia.
O técnico espanhol mexia-se muito no banco, mas a sua genica não passava para o relvado. Urgia a mesma injecção de cafeína dada no intervalo do jogo com o Arsenal na jornada anterior.

Fonte: Manchester City
O problema é que, desta vez, não se fez sentir o efeito. Era mesmo preciso um homem de àrea. Entrou Ihenacho, saiu Nolito. De Bruyne assumiu tarefas de construção, o nigeriano ficou com a frente de ataque. O jogo mudou completamente. Silva passou a ter espaço para criar e Sterling encontrou espaços por onde pôde furar. Foi, até, do inglês, a iniciativa do primeiro golo do jogo. Aos 72 minutos irrompeu pela àrea dos tigers a dentro e sofreu penalty. Touré encarregou-se da conversão e marcou. Estava feito o mais difícil.
O Hull, com pouco tempo para jogar, expôs-se, e, claro, sofreu dois golos. Ihenacho fez o segundo, Cutis Davies, na própria baliza, o terceiro (iniciativa de Raheem Sterling, novamente).
O City volta a vencer com golos marcados apenas na segunda parte. Desta vez, aliás, demorou mais a reagir. Ficou bem patente a necessidade de uma referência ofensiva que o saiba ser. O futebol associativo, a circulação de bola são coisas bonitas do futebol, mas também há golo. E o último terço tem, para isso, de ser trabalhado. E a equipa não pode depender de Aguero para sempre.
A FIGURA

Fonte: ESPN
Num dia como este, há uma procura por uma prenda de Natal. Um momento de magia, de euforia que surpreende e canta quem a abre/vê. Neste contexto, merece a distinção quem fez brilhar os olhos de crianças, adultos e pessoas mais velhas que gostam de futebol.
Esse alguém foi Mkhitaryan, autor de um golo assombroso na vitória do Manchester United sobre o Sunderland. O arménio recebeu um bola de Zlatan, em busca da sua cabeça, porém, com corpo balanceado para a frente, fez questão de levar a perna e usar o calcanhar para lhe acertar, num gesto técnico magnífico.
O FORA-DE-JOGO

Fonte: BBC
15 golos sofridos nos últimos 5 jogos fazem acentuar a crise do Swansea. A nivel defensivo, a equipa tem sido uma lástima e há responsabilidades do treinador neste aspecto. Hoje ficaram bem evidentes na derrota por 4-1 ante o West Ham, que fazem da equipa uma residente “natural” da zona abaixo da linha de àgua.
Bob Bradley assumiu o comando técnico da equipa do País de Gales em Outubro deste ano e, desde aí, apesar de bom caudal ofensivo, apenas venceu por 2 vezes e sofreu uma enxurrada de golos (29 em 11 jogos!).
Foto de Capa: Manchester United








