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José Mourinho: O ego e a mudança

Gonçalo Pereira · 4 min

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Quando falamos de futebol de treinadores e de símbolos representativos do desporto rei, entre muitos é inevitável não falarmos de José Mourinho, pelos feitos e conquistas ou simplesmente pela sua personalidade Mourinho é um dos nomes que representam o futebol moderno.

Com um vasto currículo internacional o Português já percorreu meia Europa conquistando tudo o que havia para ganhar no que diz respeito a competições de clubes. Para além das conquistas Mourinho sempre nos habitou aos seus “mind games” e ao seu lado mais controverso, “mind games” esses que eram sustentados com os resultados que vinha obtendo. Sempre com uma postura longe de ser consensual muitos lhe apontavam alguma arrogância e falta de humildade mas a verdade é que no final o que contam são os resultados e Mourinho nesse ponto sempre foi “Special”.

Muitas são as vezes em que o ego é afetado por resultados desportivos, mas será que foi esse mesmo ego de Mourinho que afetou os seus resultados e a sua capacidade de adaptação às recentes mudanças do futebol?

A ascensão do Special One

Mourinho foi campeão na época de estreia pelo Chelsea FC Fonte: Chelsea FC

Mourinho deu nas vistas quando assumiu o comando técnico do Sport Lisboa e Benfica no ano de 2000. Todos lembramos da sua saída após o 3-0 em casa frente ao rival Sporting.
Após isso Mourinho treinou o União Desportiva de Leiria e é aqui que a ascensão começa, é convidado a treinar outro grande, desta vez o rival do norte, o Futebol Clube do Porto. Em três anos à frente dos azuis e brancos Mourinho ganhou nada mais nada menos que, uma Taça UEFA, uma Liga dos Campeões, dois campeonatos nacionais, uma Taça de Portugal e uma Supertaça.

Os holofotes do futebol europeu viraram-se para o fenómeno português e foi sem surpresa que em 2004 Mourinho troca o Porto pelo ainda em construção Chelsea. Quatro anos passados e mais uma mão cheia de títulos conquistados. É idolatrado pela massa adepta do Chelsea que o apelidam de “Special One”, alcunha que ainda hoje o acompanha.

Mourinho muda-se para Itália e em dois anos dá continuidade ao sucesso do Inter de Milão no campeonato e consegue uma inédita liga dos campeões, a segunda do currículo.

No auge da sua carreira Mourinho abraça provavelmente o maior desafio da sua carreira, o Real Madrid que estava um pouco afastado das grandes conquistas e Mourinho tinha um objetivo complicado pela frente, travar a hegemonia do rival Barcelona.

O ego, os maus resultados, e a mudança

Inter teve anos de glória no Inter FC
Fonte: Inter FC

Na chegada a Madrid, apesar da tarefa complicada que tinha em mãos a verdade é que Mourinho tinha tudo para trazer de volta o velho Real pois teve milhões à sua disposição. Vieram craques de renome como Káká, Cristiano Ronaldo e Di Maria mas apesar disso as coisas não correram como era expectável, uma taça do rei, uma liga espanhola e uma supertaça foram insuficientes para um Real Madrid sedento de títulos.

A crítica não perdoou Mourinho e com a conjugação de maus resultados, saiu e voltou a uma casa onde já foi feliz.

Em Londres, Mourinho era acarinhado pelos adeptos e longe da pressão e critica dos media espanhóis sentia-se que português iria regressar ao sucesso.

Mas a verdade é que o regresso voltou a não correr bem. O Chelsea tinha mudado, a ambição do clube e a necessidade de afirmação europeia exigiam mais de Mourinho, e o outrora “Special One” não soube gerir essas mesmas expetativas. O clube tinha investido muito para lutar pela Liga dos Campeões e Mourinho não conseguiu repetir o feito conseguido em Milão. Mourinho sai de Londres e para surpresa de todos segue para o rival Manchester United.

Em Manchester mais uma vez encontra um clube afastado da ribalta e o objetivo era claro, reerguer um Manchester afastado dos títulos internos e da glória europeia.

Mesmo com orçamentos astronómicos e com tudo o que um treinador pode sonhar para construir uma equipa, mais uma vez as coisas voltam a não correr como esperado. É verdade que conquistou uma liga Europa e uma taça da liga mas para a dimensão do Manchester United e todo o dinheiro gasto em contratações exigia-se no mínimo a conquista da Premier League.

Um especial será sempre especial

Zlatan trabalhou com Mourinho no Inter FC
Fonte: Inter FC

Esta está a ser mais uma época difícil para o português com campeonato entregue ao rival City e com a recente eliminação da Liga dos Campeões diante do Sevilha fizeram com que a critica atacasse fortemente Mourinho.

Outrora admirado, o “Special One” começa a ser questionado sobre se é capaz de voltar aos tempos de glória. Com três passagens falhadas, milhões gastos e muitas vezes mal gastos, fazem com que os adeptos comecem a questionar as atuais qualidades do técnico.

Será que Mourinho desaprendeu? Procura um novo despedimento e reformar-se mais cedo?

Um génio será sempre um génio e é inegável o talento e a capacidade de Mourinho no que diz respeito a tudo o que envolve futebol.

Quando se está no topo durante tanto tempo por vezes é difícil perceber quando é preciso parar para refletir e perceber que é preciso mudar. Porque por vezes é mesmo preciso, o panorama futebolístico mudou à 10 anos atrás o PSG não ia sequer à Liga dos Campeões, o City era um mero clube da Premier League.

As coisas mudaram e Mourinho precisa de saber adaptar-se a essas mudanças. Não será de todo falta de capacidade técnica e mental mas apenas uma questão de ego e orgulho. Admitir que o nosso estilo não reina para sempre e porque não aprender com quem entrou agora e conquistou.

Recomeçar como se fosse o primeiro clube que treinou, há mais de 10 anos, com humildade, vontade para reaprender e querer alcançar novamente o topo.

Foto de capa: Manchester United FC

Gonçalo Pereira

Redação Bola na Rede · ver artigos

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