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Liga Inglesa: O génio da lâmpada dos elogios

Pedro Machado · 3 min

Liga Inglesa: O génio da lâmpada dos elogios

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Quando, finalmente, se conquista aquilo que há muito parecia alcançável mas, inexplicavelmente (ou não), não se conseguia, a satisfação é enorme. Muito maior do que se o tivéssemos conseguido pela primeira vez. O facto de se ter falhado várias vezes dá um gostinho especial a uma conquista que pode parecer normal ou irrelevante aos olhos dos outros, mas que para nós tem um grande significado. Pode acontecer com aquela cadeira acessível que não conseguimos fazer no primeiro ou no segundo ano da faculdade por termos facilitado, com aquele café que foi sendo adiado pela indisponibilidade de ambas as partes ou… com aquela vitória que arranjava sempre maneira de fugir.

Mas as coisas, felizmente para aqueles que as procuram, acabam por acontecer. E até sabem melhor assim. José Mourinho, no momento em que escrevo estas linhas, deve estar a deliciar-se mais do que alguma vez julgaria, juntamente com os jogadores (principalmente os mais antigos), com os primeiros três pontos da temporada, olhando para a tarefa aparentemente acessível (pelo favoritismo e dinheiro gasto), mas nunca conseguida nos últimos quatro anos – vencer o West Bromwich Albion (WBA) no The Hawthornes. Depois do 3-1 conseguido em 2011, nunca mais o Chelsea foi capaz de capitalizar o seu favoritismo, perdendo pontos de forma sucessiva – 1-0 e 2-1 nos primeiros dois anos, 1-1 no terceiro (já com Mourinho ao leme) e 3-0 no quarto.

Esta vitória, porém, tem um significado que vai além de um ponto final numa malapata para os blues: o seu treinador não vencia o treinador do adversário, Tony Pulis, há dois jogos consecutivos, perdendo mesmo ambas as partidas frente a equipas contra as quais teria obrigação de vencer (Crystal Palace e, claro, WBA); as “novelas” criadas (ou amplificadas?) pelos media  à volta da equipa terão menos potencial de venda e, por isso, baixarão de tom; conquistaram-se pontos a, pelo menos, um rival directo – o Manchester United…

A primeira vitória da época do Chelsea foi... Pedro Rodríguez Fonte: Facebook do Chelsea FC
A primeira vitória da época do Chelsea foi… Pedro Rodríguez
Fonte: Facebook do Chelsea FC

… embora não tenham sido os primeiros da época. Em termos classificativos, foram os primeiros dois conseguidos sobre os red devils, mas fora de campo, o Chelsea ganhou uma batalha importantíssima aos rivais, durante esta semana – a contratação de Pedro Rodríguez.

José Mourinho, ao ler, e bem, o moral da equipa, e perante a ausência de Óscar, não hesitou em colocar o espanhol no onze inicial para esta partida, dando correspondência às suas palavras, antes do encontro, vangloriando-se, quase excessivamente, pela chegada do ex-Barcelona. Aliás, na flash interview de antevisão do encontro (os ingleses têm esse bom hábito), divulgado o onze inicial, retirou-lhe a pressão ao dizer que não se deveria colocar sobre ele toda a responsabilidade e até confessou que não esperava que os colegas o entendessem…

… mas, como dizem os ingleses, “it takes one to know one”, e um génio como Hazard estabeleceu logo afinidade com um semelhante seu, combinando, na perfeição, com o espanhol para “rasgar” a defesa do West Bromwich no golo inaugural, da autoria do ex-Barcelona. 10 minutos mais tarde, Pedro descobria Diego Costa na área e este assinava o 0-2.

O West Bromwich deu muito trabalho  até final. O Chelsea teve de suar para manter a vantagem (Terry foi expulso, o WBA reduziu a vantagem, por duas vezes, para 1-2 [vale a pena ser visto e revisto!] e 2-3), mas conseguiu quebrar o enguiço.

Mourinho esfregou a lâmpada com elogios e de lá saiu o génio, Pedro, que lhe concedeu o desejo de quebrar as suas malapatas e, finalmente!, somar três pontos na Premier League, iniciando, muito provavelmente, um ponto de viragem no rumo do Chelsea para os próximos tempos.

Foto de capa: Facebook do Chelsea

Pedro Machado

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