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Liverpool FC 4-0 Arsenal FC: ‘Gunners’ sem armas para Liverpool imperial

Simão Mata · 5 min

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Cabeçalho Liga Inglesa

Dia 27 de agosto de 2017 foi dia de jogo grande na Premier League, com o Arsenal a deslocar-se ao terreno do Liverpool num encontro alusivo à 3ª jornada do principal escalão do Futebol Inglês.

Tudo fazia antever um duelo renhido entre as equipas do princípio ao fim. Contudo, a analisar pelas estatísticas, a equipa do alemão Jürgen Klopp levava vantagem sobre a equipa do francês Arsène Wenger antes da entrada em campo: de um total de 222 partidas oficiais disputadas, o Liverpool conta com 85 vitórias contra as 78 da equipa londrina. Se levarmos em conta o último embate entre estes dois gigantes ingleses, verificamos que ainda mais se reforça a supremacia da equipa da cidade dos Beatles: em março deste ano, corria já a segunda volta da temporada 2016/2017, a equipa do Liverpool venceu o Arsenal por três bolas a uma. (Fonte: Site Zero Zero).

Encurtando mais ainda a distância temporal, e olhando apenas para o registo das duas equipas na presente temporada na Premier League, verificamos que ambas traziam da 2ª jornada motivações distintas para este jogo: o Liverpool venceu em casa a formação londrina do Crystal Palace por uma bola a zero, enquanto que o Arsenal perdeu em casa do Stoke City pela mesma diferença.

A cidade de Liverpool recebeu, por isso mesmo, os forasteiros londrinos num clima de elevada motivação. Mas o Arsenal certamente que procurava também, a todo o custo, sair do amargo sabor da derrota do último jogo. Tudo convidava para uma excelente partida de futebol.

Todos sabemos que há aqueles jogos em que se pode dizer que as estatísticas valem muito pouco face àquilo que se viu ou vê em campo. Mas, no caso do jogo de hoje, as estatísticas confirmaram aquilo que se viu em campo. A partida foi, no geral, um autêntico domínio imperial do Liverpool em todos os momentos e fases do jogo.

A equipa da casa atuou num sistema de 4x3x3, onde se destacou o tridente ofensivo constituído por Sadio Mané do lado esquerdo do ataque, Mohamed Salah do lado direito e, no centro do ataque, o matador Roberto Firmino. Foi o brasileiro, precisamente, quem abriu o nulo em Anfiel Road: aproveitando um cabeceamento vindo do lado direito do ataque do Liverpool, cabeceou sem qualquer hipótese para Petr Cech. Na manobra ofensiva da equipa da casa, destaque para o excelente envolvimento do médio alemão Emre Can, com passes no último terço do terreno capazes de cortar a respiração – refira-se, logo aos 10 minutos o passe/cruzamento para Salah que culminou numa grande defesa do guardião do Arsenal.

As estatísticas do jogo ao minuto 25 davam conta, se algumas dúvidas ainda restassem, do domínio da equipa da casa face aos Gunners: o Liverpool contava com 6 remates e o Arsenal apenas 1, remate esse protagonizado por Danny Welbeck logo aos 7 minutos. O inglês esteve sempre, aliás, muito sozinho na frente de ataque dos forasteiros.

O Liverpool insistia num futebol direto, rápido, profundo, impunha-se no meio campo do Arsenal e jogava com um bloco bastante subido no terreno. Por seu lado, os Gunners jogaram num sistema tático de 3x4x3 onde Özil e Sánchez (do lado direito e esquerdo do ataque londrino, respetivamente) foram autênticos fantasmas durante todo o jogo. Por exemplo, Welbeck só se fez notar no minuto 7 onde rematou por cima da baliza do alemão Loris Karius. A partir daí, tornou-se invisível na partida.

A desinspiração ofensiva do Arsenal acabou, ao minuto 40, por se traduzir num contra-ataque da equipa do Liverpool que culminou no segundo golo da equipa da casa, desta vez por parte do senegalês Sadio Mané, algo que se justificava por aquilo que o extremo fez durante todo o encontro.

Ozil não guardou as melhores recordações da visita a Anfield  Fonte: EPA
Özil não guardou as melhores recordações da visita a Anfield
Fonte: EPA

Na segunda parte, Wenger sentiu a necessidade de dar maior caudal ofensivo à sua equipa e coloca em campo Francis Coquelin, saindo o suíço Granit Xhaka. Além disso, altera o sistema tático e coloca uma linha de 4 homens na defesa, ficando Nacho Monreal a ocupar o lado esquerdo da mesma. Os primeiros minutos da segunda parte foram mesmo de algum domínio do Arsenal. A equipa londrina assumiu as despesas do jogo, procurando penetrações ofensivas na muralha do Liverpool. Esses primeiros minutos da segunda parte permitiram ver aquilo que a primeira parte não permitiu: um jogo mais equilibrado e disputado entre as duas equipas.

Mas foi verdadeiramente ilusório esse domínio do Arsenal, ditando o Liverpool as regras do que ainda faltava do jogo. Aos 53 minutos, houve um contra-ataque da equipa da casa que culminou num remate de Salah para a defesa de Cech. Mais uma vez, o Arsenal não conseguia equilibrar os seus momentos ofensivos com os momentos defensivos da equipa, permanecendo uma equipa pouco coesa e desorientada. Aos 57 minutos, mais uma vez Mohamed Salah recupera a bola após um pontapé de canto do Arsenal e foi, desta vez, letal: recupera a bola na zona média do campo, sprinta em direção à grande área dos Gunners apanhando em contra-pé a equipa do Arsenal e finalizou com um golo certeiro, levando a melhor no frente-a-frente com Cech.

Aos 69 minutos assistiu-se ainda a nova defesa de Cech, perante as investidas de Sadio Mané. Estava endiabrado este senegalês. Se não fosse o guarda-redes checo, o domínio do Liverpool poderia ter contornos demolidores.

Aos 63 minutos, Wenger lançou os últimos trunfos que lhe restavam: saiu Alexis Sánchez e Alex Oxlade-Chamberlain para as entradas de Olivier Giroud e Alexandre Lacazette. Mas foi impossível pôr termo ao domínio esmagador do Liverpool: aos 77 mintuos, Daniel Sturridge (que entretanto tinha entrado no jogo), aproveitou o cruzamento na esquerda de Mohamed Salah para finalizar de cabeça, batendo o guardião do Arsenal. Era o quarto golo do Liverpool e a sentença final do Arsenal. A equipa londrina desejava, minuto a minuto, o final do jogo, tal era o massacre de que estava a ser vítima.

Em resumo, este Liverpool foi imperioso em Anfiel e isso traduziu-se na vitória categórica sob um Arsenal completamente desorientado e sem ideias. Um Arsenal que de “Gunners” não teve nada ou, pelo menos, se tem hoje não se viram na cidade de Liverpool.

Foto de Capa: Shutterstock

 A FIGURA

Fonte: Liverpool FC
Fonte: Liverpool FC

Mohamed Salah (Liverpool) – pelo que fez o egípcio durante todo o jogo, sendo crucial na manobra ofensiva do Liverpool e pelo golo de raça e determinação que marcou na segunda parte. Grande aquisição da equipa para esta temporada 2017/2018, valendo os 42 milhões de euros que o clube inglês deu à AS Roma para adquirir o passe do jogador. Um extremo-avançado a ter debaixo de olho.

 O FORA-DE-JOGO

Fonte: scotsman.com
Fonte: scotsman.com

Alexis Sánchez (Arsenal)– Foi autêntico fantasma durante todo o jogo, espelhando bem aquilo que foi todo o ataque do Arsenal durante o jogo. Desmotivado, pouco ligado ao jogo, desconectado com a equipa toda. Serão sintomas de quem estás prestes a sair de Londres?

 

 

Artigo revisto por: Beatriz Silva

Simão Mata

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