Liverpool FC 2-1 Tottenham Hotspur FC: Firmino teve cabeça de líder

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A CRÓNICA: A SORTE PROTEGE OS AUDAZES, A VITÓRIA SORRI AOS QUE A PROCURAM

Encontraram-se, esta quarta, em Anfield (Liverpool) os líderes da Premier League. Reds e Spurs chegaram à jornada 13 em igualdade pontual e qualquer resultado que não o empate significaria liderança isolada para a turma vencedora.

A jogar em casa, com a liderança em vista, os de Liverpool assumiram por completo as rédeas da partida. Perante o seu público – ainda longe do ambiente sensacional a que Anfield nos habituou – o primeiro lance caseiro de perigo surgiu aos 11 minutos. Robertson cobrou o livre da esquerda ao qual Firmino respondeu com uma cabeçada forte e colocada, mas Lloris voou para a defesa.

A superioridade dos reds era evidente, mas só aos 21 minutos voltaram a criar relativo perigo; Salah apareceu em zona frontal e rematou muito fraco, à figura. Contudo, cinco minutos mais tarde chegava o golo. A incursão de Curtis Jones foi negada pela defesa adversária, mas Salah aproveitou a bola perdida e rematou de primeira.

Apesar da pouca preparação, a bola sofreu um desvio em Eric Dier e caiu a pingar junto ao poste direito de Lloris, sem grandes hipóteses de reação para o guardião francês. Vantagem ajustada, ainda que tenha surgido no lance de perigo com menos preparação e intenção.

A equipa de Mou, que se remetia quase por completo ao processo defensivo, chegou ao empate no primeiro remate que fez. Já depois da meia hora de jogo, Lo Celso lançou Son na esquerda no limite de fora de jogo e o sul coreano repôs a igualdade só com Alisson pela frente.

Eficácia mortífera dos Spurs a que a equipa de Klopp respondeu prontamente com o mesmo domínio, mas sem voltar a encontrar as redes de Lloris. Além do remate difícil de Firmino aos 35 minutos, não mais se criaram lances de perigo no resto da primeira parte.

A segunda parte trouxe tudo o que a primeira teve, mas levado ao extremo; um Liverpool FC ainda mais dominante, um Tottenham Hotspur FC ainda mais recuado e com ainda menos preocupações ofensivas e ainda menos oportunidades de golo para ambos os lados.

Aos 63 minutos, lá se vislumbrou um ensaio de golo. Lloris iniciou uma jogada de pinball; pontapé de baliza muito longo, Kane desviou de cabeça, Son voltou a desviar de cabeça e Bergwijn ficou isolado frente a Alisson. O holandês fez quase tudo na perfeição, mas colocou o remate em demasia e acertou no poste.

Na sequência do canto cedido por Fabinho, Hojbjerg cabeceou com perigo, ligeiramente por cima da barra. Estavam feitos mais remates na segunda parte do que em toda a primeira; o único sinal positivo da equipa de Londres em toda a segunda parte.

A resposta chegou, mas passou ainda por um processo demorado de posse, criação e destabilização do posicionamento adversário. Aos 73 minutos, Curtis tocou para Mané que rodou sobre si próprio, evitou Aurier e rematou à barra.

As substituições de Mourinho passavam um claro sinal de reforço defensivo, retirando um extremo veloz e colocando outro lateral em campo – Reguilón – mantendo sempre a esperança de poder sair em contra ataque.

Tudo parecia correr de feição aos líderes da Premier League, mas, em cima do minuto 90, Firmino voltou a testar Lloris de cabeça e desta vez levou a melhor. Com uma cabeçada colocada deixou o francês pregado ao solo, o brasileiro marcou apenas o seu terceiro golo no campeonato, mas recuperou a liderança para os campeões em título.

 

A FIGURA

Hugo Lloris – O resultado esteve em discussão até aos 90 minutos – e podia ter terminado empatado – só e apenas graças às intervenções do campeão do mundo pela França. A qualidade de Lloris é sobejamente reconhecida, mas voltou hoje a prová-lo durante todo o jogo. Foram nove defesas, oito delas dentro da área – há muros e paredes mais permeáveis. Adiou o golo enquanto podia e os que sofreu pouco ou nada podia fazer.

O FORA DE JOGO

Harry Kane – O avançado inglês, capitão e uma das maiores figuras do clube londrino passou ao lado do jogo. Tentou o golo por quatro vezes, mas em nenhuma acertou na baliza de Alisson. Além das dez perdas de posse de bola e dos quatro duelos perdidos em seis disputados, Kane apareceu completamente desligado do jogo. Fruto da estratégia, de uma noite desinspirada ou de um enorme Rhys Williams, Kane não existiu no momento defensivo, excetuando as bolas paradas defensivas, e no momento ofensivo este particularmente apagado. Mais do que pólvora seca, criatividade esgotada.

 

ANÁLISE TÁTICA – LIVERPOOL FC

Num habitual 4-3-3, Klopp viu-se obrigado a improvisar, uma vez mais, no centro da defesa. Naquele que seria o ponto mais débil da equipa de Liverpool, Fabinho foi adaptado a central e teve como companheiro Rhys Williams.

Se as ações defensivas pudessem representar um problema para esta dupla, a tração defensiva da equipa adversária tratou de lhe retirar o peso de cima e permitiu até perceber uma bela saída de bola do miúdo de 19 anos que cumpriu o nono jogo pela equipa principal do Liverpool.

Na frente, o trio habitual; Salah e Mané nas linhas tentavam combinar com Firmino, o falso ponta de lança. Se Mané passou algo despercebido na partida, muito por culpa da anormal competência de Aurier nesta partida, a outra asa do ataque esteve no polo oposto. O egípcio, além do golo, somou mais quatro remates e mostrou-se em todos os duelos, aparecendo tanto na linha, como no centro do ataque.

O Liverpool de Klopp não efetuou qualquer alteração. Fica a dúvida se seria confiança extrema nos onze que escalou de início ou falta de confiança naqueles que tinha no banco.

11 INICIAL E PONTUAÇÃOES

Alisson (7)

Trent Alexander-Arnold (6)

Rhys Williams (7)

Fabinho (6)

Andrew Robertson (7)

Jordan Henderson (7)

Georginio Wijnaldum (7)

Curtis Jones (7)

Sadio Mané (6)

Mohamed Salah (6)

Roberto Firmino (8)

SUBS UTILIZADOS

Não houve substituições

 

ANÁLISE TÁTICA – TOTTENHAM HOTSPUR FC

O que parecia à partida um 4-2-3-1, rapidamente assumiu a forma de 5-3-2 em organização defensiva e raramente se viu em processos ofensivos. A intenção de Mou era óbvia; fechar completamente os caminhos da baliza de Lloris e entregar a Son, Kane e Bergwijn as despesas da produção ofensiva em contra ataque, que haveria sempre de acontecer.

À habitual linha de quatro, o duplo pivô Sissoko-Hojbjerg desfez-se constantemente para que um deles baixasse e se juntasse aos centrais. Além disso, Lo Cleso e Bergwijn desciam para se juntar ao que sobrava, normalmente Hojbjerg, e formavam nova linha de três, muito junta da anterior. “Na frente” ficavam Kane e Son, desamparados e totalmente desligados do jogo.

O golo foi um “engano” e que nada teve a ver com tática. Lo Celso provou mais uma vez a sua genialidade no passe e Son provou novamente a sua letalidade. Se tivesse resultado, estaríamos provavelmente a falar numa exibição de extrema solidariedade defensiva, mas o golo em cima do minuto 90 trouxe justiça ao marcador e evidencia a ausência de estratégia ofensiva neste jogo por parte da equipa de Londres.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Hugo Lloris (8)

Ben Davies (6)

Eric Dier (6)

Toby Alderweireld (6)

Serge Aurier (7)

Pierr-Emile Hojbjerg (7)

Moussa Sissoko (6)

Giovani Lo Celso (6)

Heung-Min Son (7)

Steven Bergwijn (6)

Harry Kane (5)

SUBS UTILIZADOS

Lucas (5)

Sergio Reguilón (5)

Dele Alli (-)

Diogo Pires Gonçalves
Diogo Pires Gonçalveshttp://www.bolanarede.pt
O Diogo ama futebol. Desde criança que se interessa por este mundo e ouve as clássicas reclamações de mãe: «Até parece que o futebol te alimenta!». Já chegou atrasado a todo o lado mas nunca a um treino. O seu interesse prolonga-se até ao ténis mas é o FC Porto que prende toda a sua atenção. Adepto incondicional, crítico quando necessário mas sempre lado a lado.                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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