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Marco Silva: Demasiado competente para a Championship

Diogo Fresco · 5 min

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Cabeçalho Liga Inglesa

 

Marco Silva está na moda em terra de Sua Majestade: foram vários os emblemas a perguntar pelo português. E tal não se pode dever ao acaso. Mesmo impotente perante o rebaixamento dos Tigers de Hull City, as suas qualidades ficaram ainda mais visíveis com o interesse suscitado nos seus serviços mesmo sem conseguir evitar uma descida já há muito dada como certa e anunciada… Os media ingleses, com o pouco que viram e conhecem do treinador, já lhe dão destaque. Bem merecido. Vejamos, até ao momento, o técnico tem de se sentir orgulhoso do seu ainda curto currículo: os recordes obtidos no Estoril Praia e Olympiacos são grandes provas disso mesmo. No caso do segundo, dizer que hoje é fácil ganhar na Grécia ao serviço do clube do Pireu já é recorrente, embora as coisas não sejam assim tão simples. Penso que o mérito é posto, em primeira instância, de parte. Portanto, não há mérito em ser campeão em Fevereiro? E no que toca ao Estoril, que dizer sobre o 4º lugar obtido em 2013/14? 54 pontos, mais 9 do que o 5º classificado, Nacional, e a 7 do 3º, FC Porto. Não é para todos…

Em Fevereiro e Março deste ano, com uma série de bons e dignificantes resultados, exibições onde a equipa mostrava um elevado grau de compromisso com o plano do técnico, os media ingleses insistiam muito na possibilidade do milagre de Hull acontecer. Marco Silva, ciente do que pode fazer e que já fez inclusive, respondeu que os repórteres não fizeram o trabalho de casa, que não conhecem o percurso do treinador. E no final, mesmo com a inevitável descida, todos se renderam ao “coach Silva”: até já houve quem lhe chamasse o próximo Mourinho. Mas, fora de exageros (imediatos), digo uma vez mais, o que este treinador já conseguiu fazer não pode ser obra do acaso, não pode ser ignorado.

É de facto especial este homem. A equipa de Hull estava mais que morta. “Jogos tão pobres que nem bola havia.” Jogadores em campo sem ideias predefinidas, sem uma orientação adequada perante os propósitos da partida. Isto até à chegada de Marco Silva. Parece ser uma pessoa que percebe muito disto. Chegou com um plano já delineado, é que o projeto que o Hull lhe apresentara não parecia ser muito atrativo, talvez fosse mais a roçar o desespero… Contudo, talvez tivesse sido o facto do clube pertencer à Premier League que convenceu Marco Silva a aceitar o desafio, e assumir o leme de uma equipa em queda livre. Não só do futebol em si, mas de tudo o que o envolve.

Marco Silva foi reconhecido pelo seu bom trabalho em Hull Fonte: SkySports
Marco Silva foi reconhecido pelo seu bom trabalho em Hull
Fonte: SkySports

 

Uma dessas envolventes, era a comunicação. Algo que antes da sua chegada não era trabalhada, o então técnico Mike Phelan não tinha apostado muito. Pelo menos da melhor maneira. Algo fundamental, mais do que nunca nos tempos que correm, numa era em que a informação circula a altíssima velocidade, que quebra facilmente as mais vincadas fronteiras, e que qualquer pessoa pode fazer uso dela, tanto na emissão, na receção, e na sabotagem da mesma (boatos), facultando-se rapidamente mensagens. Tais mensagens podem ser interpretadas das mais diversas maneiras, consoante contextos, circunstâncias que o público tem à sua disposição.

A plataforma Facebook permitiu ao técnico apostar numa forma de comunicação muito próxima dos adeptos. Isso fez com que os adeptos Hull percebessem de forma direta, e não através de comentadores televisivos (muitas vezes com interpretações sem associação à realidade), as suas ideias, o que queria para determinado jogo, como queria que os adeptos se comportassem durante o jogo, de forma a alcançar o objetivo a que se propôs em Janeiro. Marco Silva coloca “posts” na sua página pública, em que, na minha interpretação, de certa forma descansa os adeptos, pois o conteúdo das suas publicações era composto por frases assertivas e positivas, em que palavras como possível, acreditar, confiar se revelavam chave do plano do treinador para levar a equipa a permanecer na Premier. Todos se uniam perante a causa da manutenção. “Silva is a meticulous and demanding head coach and is extracting far greater levels of effort from his players.”- by Adrian Clarke, in official premier league website. Vejam como uma pessoa bem conhecedora da Premier descreve o perfil de Marco! Traduzindo, Silva é um treinador meticuloso e exigente que está a extrair grandes níveis de esforço dos seus jogadores, para obter resultados desejados.

Ficou em antepenúltimo (posto mesmo abaixo da linha de água), incluiu jogadores low cost, como jogadores que conhecia ou com já quem tinha trabalhado, montou uma estratégia…Melhor dizendo, montou várias estratégias: Marco Silva não encarava dois jogos diferentes com uma ideia comum, e por isso os seus “onzes” apresentavam algumas oscilações. Isso e o sistema tático, que mesmo durante o jogo era alterado, devido principalmente às armas que tinha no banco, e que ao entrar teriam de encaixar num sistema mais propício às suas respetivas qualidades, e que soluções poderiam acrescentar ao treinador. Pelo que tive oportunidade de perceber, é essa otimização de ideias, essa dinâmica que equipas como o Watford procuram. Sendo também ela uma equipa que luta pela permanência, com um plantel aparentemente pouco vasto, viram em Marco Silva não só a capacidade de a assegurar, como subir mais alguns degraus e obter uma classificação mais estável e segura. Agora sim, iremos ver do que Marco Silva é capaz de fazer na Premier League, agora com tempo para preparar a época, e procurar vitórias desde o início da mesma, e não desde Janeiro…

Equipa de Marco Silva teve uma boa performance, apesar da descida Fonte: Hull City
Equipa de Marco Silva teve uma boa performance, apesar da descida
Fonte: Hull City

Confesso que, já no Verão anterior, depois de ter saído do Olympiacos por escolha própria, e estando livre em termos contratuais quando José Peseiro, depois de substituir Lopetegui no comando dos dragões, saiu, via Marco Silva como o candidato mais apropriado a assumir o cargo, tendo em conta as supostas condições financeiras impostas por ambas as partes, e o perfil, que admito achar que qualquer clube grande em Portugal gostaria de contar com os serviços do agora treinador do Watford, incluindo o Sporting CP. No ano passado, a escolha portista recaiu em Nuno Espírito Santo, e este ano esperava que a oportunidade de contratar o promissor e jovem “head coach” fosse aproveitada. A sua continuidade na Premier League foi a sua vontade, a minha é que me dê muito a escrever sobre os seus sucessos profissionais.

 Foto de Capa: GD Estoril-Praia

Diogo Fresco

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