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O (en)canto do Cisne de Carlos Carvalhal

Diogo Fresco · 3 min

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Cabeçalho Liga Inglesa

Em Inglaterra, o prémio de melhor treinador do mês (referente a janeiro), foi entregue a Eddie Howe. Na minha modesta opinião, e solidariedades patrióticas à parte, houve quem tivesse sido melhor: Pep Guardiola ou Carvalhal. Talvez lá por Inglaterra já se tenham habituado ao ritmo vitorioso dos comandados pelo catalão, ou se tenham esquecido do quase milagre alcançado por Marco Silva, no ano anterior. Talvez a incrível derrota imposta ao Chelsea (0x3), em pleno Stamford Bridge, pelo Bournemouth, sustente essa atribuição.

O que o City está a fazer é de loucos, não há como negar. Já não serão invictos, mas o registo está constantemente a ser selado com o carimbo de vitória. Já são 16 pontos a separar os dois “Manchesters”. Há que achar outro para entregar o prémio, senão fica redundante e enfadonho, não? Não conheço os critérios, mas leva-me a crer que é assim que acontece.

Por outro lado, literalmente falando, temos o Swansea. No início do ano encontrava-se no fundo do poço, agora até já se vê à tona. Não digo em terra firme, mas com a dinâmica que estava escondida e foi colocada em prática pelo antigo treinador do Sporting, os ‘swans’ jogam a bola de uma maneira apaixonada, como se auto intitula o português, de apreciador e até embaixador do futebol romântico. Apaixonante. Penso que todos gostamos, apesar da crescente disciplina tática a ser posta em evidência. Penso que ambos têm de estar presentes, já que equipas que jogam com blocos emperrados e presos não costumam agradar aos seus adeptos. Bem, a não ser que ganhem, não é?

Fazer do Liverpool “um ferrari no trânsito de Londres às quatro da tarde”, a metáfora que deu que falar e bem espelha a inteligência e pragmatismo do técnico lusitano.

Fazer do Liverpool um ferrari no trânsito de Londres às quatro da tarde, a metáfora que deu que falar e bem espelha a inteligência e pragmatismo do técnico lusitano Fonte: Swansea City
Fazer do Liverpool um ferrari no trânsito de Londres às quatro da tarde, a metáfora que deu que falar e bem espelha a inteligência e pragmatismo do técnico lusitano
Fonte: Swansea City

Apaixonante é, também, cada vez mais, o cartão de visita dos treinadores portugueses. Desde os feitos de Mourinho no seu primeiro percurso no Chelsea, foi criada uma característica específica dos nossos nos olhos dos ingleses. Uma característica muito importante no mundo do futebol, que é a competência. Podemos nem sempre ser os melhores, mas somos sérios e temos ideias práticas que podem ser usadas na hora. Cada um com o seu estilo, mas os traços são comuns. Até Villas-Boas, que apesar de não ter deixado grandes admiradores por lá, ainda venceu uma Taça de Inglaterra (Chelsea, 2011/12),  e deixou esses traços, que caracterizam um futebol bem pensado e vivo, bem ao estilo tuga.

Além do futebol, a própria postura com a imprensa, por exemplo, é de realçar. O que faz, como o episódio bem recente de oferecer pastéis de nata, e inclusive brincar com os repórteres, torna a pressão menor no seio do seu trabalho, e faz-me acreditar que favorece todos. Carvalhal tem um certo carisma, um modo de encarar o seu trabalho muito à base do bom humor e boa disposição, tornando o ambiente de trabalho mais agradável e a sua pessoa mais respeitada. No Sheffield Wednesday, foi despedido, apesar dos registos notáveis alcançados, e agora tem oportunidade para os despedir a eles da FA Cup. Justiça poética, “como diz o outro”, e quão bem sabe, quando é servida.

O que Carvalhal está a fazer não pode ser ignorado. O Swansea, para quem não sabe, estava completamente afundado e agora, como disse acima, está à tona! Embora a nível de pontos não esteja muito além da linha de água, está numa posição inimaginável para qualquer adepto do Swansea, que já via a descida “ao fundo do poço”.

Foto de capa: Swansea Ciy

Artigo revisto por: Jorge Neves

Diogo Fresco

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