Publicidade

West Ham FC: Um histórico à deriva

Guilherme Malheiro · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Cabeçalho Liga Inglesa

Com cinco clubes a atuar na Premier League, Londres é a cidade mais representada no principal escalão do futebol inglês. De todos os conjuntos londrinos, tem sido o West Ham, um histórico da zona Este da cidade, a ter a gestão mais atribulada.

Apesar de terem um plantel forte, com grandes jogadores como Arnautovic, Lanzini, Chicharito, ou Noble, os Hammers não têm, ultimamente, tido as condições necessárias para realizar bons campeonatos. A principal razão para isso é a gestão de David Sullivan, o dono do clube. Polémico e com pouca habilidade para dirigir uma equipa de futebol, o presidente galês tem sido uma constante fonte de problemas para o West Ham, e um impedimento na estabilização do clube na Premier League. Os jogadores e treinadores contratados são, na maioria das vezes, escolhas acertadas, mas a necessidade do presidente em ter protagonismo, e a atenção negativa que as suas declarações trazem, têm sido prejudiciais para o clube.

O melhor exemplo disso é a primeira metade desta temporada. Depois dum grande investimento no Verão, e a contratação de vários jogadores de qualidade, para além da aposta na continuidade de Slaven Bilic como treinador, esperava-se uma equipa mais ambiciosa, menos inconstante, que pudesse finalmente lutar por lugares europeus. Mas a verdade é que a época começou muito mal para os Hammers, que, com uma série de resultados negativos, rapidamente se afundaram nos lugares de despromoção da Premier League.

Não sendo capaz de virar o rumo da equipa, Bilic acabou por ser afastado do comando do West Ham. Para o seu lugar foi contratado David Moyes, a escolha ideal para o clube neste momento. Afinal, antes de se ter tornado alvo de críticas, pelo ano menos bom que passou como técnico do Manchester United, o treinador escocês fez um grande trabalho ao serviço do Everton, onde esteve 11 temporadas. Moyes pegou nos Toffees numa situação semelhante à do West Ham atual, perto dos lugares de descida, e levou-os até aos primeiros lugares da tabela, conseguindo várias qualificações para as competições europeias.

Arnautovic tem estado em grande destaque nos últimos jogos do West Ham Fonte: West Ham FC
Arnautovic tem estado em grande destaque nos últimos jogos do West Ham
Fonte: West Ham FC

Desde que Moyes chegou ao clube de Londres, tem havido uma ligeira melhoria de resultados. O West Ham conseguiu afastar-se da despromoção, e obteve até algumas vitórias importantes, como no jogo frente ao Chelsea. Embora o West Ham não tenha entrado numa grande sequência de vitórias, e ainda seja cedo para avaliar a importância de Moyes no sucesso da equipa, a verdade é que a entrada do treinador escocês em cena conseguiu unir o grupo em torno dum objetivo comum: impedir o histórico emblema de descer de divisão.

Neste momento, é fundamental que a equipa obtenha pontos. Com a ideia de construir uma grande equipa, que possa rivalizar com os melhores de Inglaterra, um pouco posta de parte, pelo menos esta temporada, o West Ham encontrou finalmente um rumo, e esse é o maior triunfo de Moyes até agora, ao comando dos Hammers.

Sediado no Estádio Olímpico de Londres, e com um dos maiores conjuntos de adeptos em Inglaterra, o West Ham terá sempre a pressão de ter desempenhos ao nível da sua dimensão. Como tal, depois de conseguir afastar os receios de ser despromovido, o clube precisa de encontrar uma nova estratégia, e um plano desportivo bem definido que lhe permita ter sucesso. Com a atual direção, isso parece difícil. Para já, Moyes tem conseguido o mínimo, a nível desportivo. Mas o West Ham devia intrometer-se na primeira metade da tabela, e não lutar nos últimos lugares do campeonato.

O compromisso dos jogadores, dentro de campo, é visível, tal como a ligação com os adeptos. Só que enquanto o clube não tiver alguém, como dirigente, que consiga construir um plantel equilibrado, e que proporcione todas as condições que uma equipa precisa para obter resultados, estará sempre perdido, confuso, e dependente da inspiração individual dos futebolistas,para alcançar pontos.

A impressão deixada pela equipa também vai mudando ao longo duma época. Se no início das temporadas há sempre expetativa por boas classificações, a partir do meio do campeonato só se exige que o West Ham não desça. O clube alterna entre dar a imagem duma equipa de lugares europeus, uma de meio da tabela e uma equipa de Championship.

Os Hammers já se habituaram a esta instabilidade, mas, perante a crescente competitividade da Premier League, têm de rapidamente crescer como clube. Seria um desperdício ver um dos clubes ingleses mais emblemáticos perdido na segunda divisão de Inglaterra, por total inabilidade dos seus donos em dirigir um projeto desportivo.

Foto de Capa: West Ham FC

Guilherme Malheiro

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Sporting

A nova fase do leão | Shakhtar Donetsk x Sporting CP 

Anunciada a saída de Rui Borges do comando do Sporting e com Paulo Fonseca de malas feitas, os verdes e brancos preparam-se para enfrentar o Shakhtar Donetsk, em solo inglês, em embate relativo à quarta jornada da Liga dos Campeões. Ainda na ressaca do primeiro desaire europeu, sofrido em Alvalade diante do LASK por 3-2, os pupilos orientados por Tiago Fernandes, treinador interino que vai constar no banco de Stamford Bridge, apontam as suas fichas ao regresso aos triunfos, numa fase em que vão entrar num ciclo completamente exigente na prova milionária, com encontros marcados com gigantes do futebol europeu.

Inês Flores · 3 min de leitura
Ler a crónica
Benfica

Depois do Halloween, apareceu um Diablito para evitar uma ida do Benfica às bruxas

Uma equipa grande também se faz naqueles jogos mais chatinhos, onde a inspiração se perde nos poros de suor e nada parece correr bem. Será algo do género que Andreas Schjelerup terá ecoado ao intervalo, quando ficou no balneário, ou quando Gianluca Prestianni, talvez já moldado pelo peso do brilhantismo, enfrentou pela frente mais uma muralha de jogadores adversários. Se no final da época for feita uma compilação dos grandes momentos do Benfica, será pouco provável ver muitos lances deste jogo, talvez apenas aquele em que o argentino com um toque de classe fez a bola passar por entre as pernas de Touaizi, perdido no meio de tamanho inconformismo. O retrato geral, não o escondeu Marco Silva, numa dose de realismo que já há muito não se via nos corredores da Luz, foi desinspirado. Felizmente para os encarnados, há Echeverri. Não é o primeiro momento de brilhantismo desmedido do reforço de verão por quem a cláusula de opção de compra já se afigura uma mera formalidade, mas, fosse esse o caso, seria quase poético. Depois de se celebrar o Dia das Bruxas, Halloween para os falantes de inglês, brilhou no Estádio da Luz um Diablito, que impediu Marco Silva de procurar explicações para o tropeço nas bruxas e dissipou qualquer questão sobre os fantasmas do empate que assombraram o Benfica na última época. Quem tem um Joker assim, pode sempre sorrir.

Diogo Ribeiro · 5 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.