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10 anos depois, Ranieri volta a Roma. Amore ou loucura?

Gonçalo Taborda · 4 min

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Pode não ter ganho nenhum título da Serie A na capital italiana, mas é a Roma que Claudio Ranieri chama casa. Depois de passagens por Grécia, Inglaterra e França, o Thinkerman – “Homem Pensador” – regressa ao clube onde já jogou profissionalmente, entre 1972 e 1974.

Ranieri pega numa equipa da Associazione Sportiva Roma (AS Roma) muito debilitada. A época em si não tem sido das piores: caiu nos oitavos de final da Liga dos Campeões (eliminada pelo FC Porto) e está no quinto lugar na tabela a apenas três pontos do acesso à Champions. Mas o orgulho da equipa encontra-se muito baixo. A eliminação da Taça Italiana, após derrota por 7-1 contra a ACF Fiorentina, foi um duro golpe, exacerbado pelo 3-0 sofrido perante os eternos rivais, SS Lazio, em jogo a contar para a Serie A. Esta é uma equipa que há dois anos perdeu o seu jogador mais icónico de sempre – Francesco Totti – e não terá o seu atual capitão, Daniele De Rossi, por muitos mais anos. É um clube que, embora não conte com um palmarés muito recheado, exige sempre um certo nível futebolístico e, acima de tudo, uma defesa da sua honra. Foi por falhar neste segundo aspeto que Di Francesco, ex-jogador e agora ex-treinador da AS Roma, foi despedido, mesmo apesar de ter chegado às meias finais da Liga dos Campeões na época passada.

Uma AS Roma debilitada, que Ranieri terá de recuperar.
Fonte: AS Roma

Agora que já percebemos a situação em que a AS Roma se encontra, podemos olhar para o seu novo treinador. A verdade é que, para onde quer que vá, Claudio Ranieri trará sempre consigo aquela mágica época de 2015/2016. Sobre ela, já tudo foi dito e escrito. O Leicester City FC, que lutava habitualmente pela manutenção, conquistou o título da Premier League, um dos campeonatos mais competitivos do mundo. Tudo pela mão de Ranieri. Ele traz também a esperança de poder repetir esse feito nos seus novos clubes. Quando rumou ao Nantes, em França, e ao Fulham, em Inglaterra novamente, a interrogação “novo conto de fadas?” foi sempre lançada por jornalistas e adeptos.

Mas 2016 foi apenas um ano, nos mais de 30 que Ranieri já tem como treinador. E, nessas três decadas como técnico, o italiano nunca ganhou outro título do campeonato. Entre 2000 e 2004, quando esteve a cargo do Chelsea FC, ficou conhecido como o Tinkerman, pela sua insistência em mudar o onze inicial e a disposição tática da sua equipa, muitas vezes para desagrado dos adeptos. Só com o feito do Leicester City em 2016 é que esta alcunha mudou para Thinkerman, com um teor mais positivo.

Na sua primeira experiência como treinador da AS Roma, Ranieri não esteve mal. Conquistou o segundo lugar na época 2009/2010, levando a equipa à Liga dos Campeões. Mas um mau início em 2010/2011 fez com que partisse para Milão, onde foi treinar o Internazionale, que acabara de perder José Mourinho. Desse plantel romano que Claudio treinou, restam dois homens: Daniele De Rossi e Alessandro Florenzi (este último tinha apenas 18 anos naquela época). Hoje, são ambos presenças regulares no onze inicial.

A nível tático, Ranieri e a AS Roma estão bem um para o outro. A equipa está construída num sistema 4-2-3-1, com um médio mais recuado (N’Zonzi ou De Rossi) e outro mais móvel (Bryan Cristante, ex- SL Benfica), dois extremos (El Sharaawy, a estrela da equipa, e Cengiz Ünder), um número 10 (Lorenzo Pellegrini) e um ponta de lança fixo (Edin Dzeko). É esta a formação mais regular da AS Roma esta época e também aquela que Ranieri está mais acostumado a usar – no Leicester, por falta de recursos, apostava num 4-4-2 mais conservador. Para já, o seu único jogo de volta ao Stadio Olimpico foi uma vitória, com uma equipa em poupança física, contra o Empoli, por 2-1. Dificilmente chega para curar o orgulho ferido dos adeptos, mas não é um mau começo.

Stephan El Sharaawy é a grande referência da equipa neste momento.                                                  Fonte: AS Roma

Desengane-se quem espera outro conto de fadas: Claudio Ranieri tem muito que trabalhar até ao fim da época e, sem janela de transferências até lá, terá de fazer o que pode com uma defesa que deixa muito a desejar – entre os seis primeiros classificados da Serie A, tem o pior registo, com 37 golos sofridos. Os adeptos, esse, parecem estar a recebê-lo de braços abertos. É um homem da casa, um homem da cidade. E, num clube como a AS Roma, isso não tem preço. Resta saber se a decisão de trazer Ranieri de volta lhes irá sair caro ou se conseguirão, com o Thinkerman, chegar ao pote de ouro que é a Liga dos Campeões.

Foto de capa: Bola na Rede

Gonçalo Taborda

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