ACF Fiorentina: Ressurreição viola

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Poucos têm sido aqueles que conseguem andar nos lugares cimeiros da Serie A nos últimos tempos. A Juve, em modo “eucalipto” – a secar tudo à sua volta -, não tem dado hipóteses mesmo a equipas que se mostrem competentes. Foi assim a história da Fiorentina na época passada. Uma equipa surpreendente – chegou a ser líder -, bem orientada pelo português Paulo Sousa – o técnico sustenta-se como um dos técnicos da “moda” em Itália – e que marcava pela diferença. No jogar, essencialmente.

Esta época, para mal dos adeptos da Viola, as coisas mudaram de figurino. A fiabilidade transformou-se em irregularidade e a equipa não conseguiu acompanhar outras equipas que têm marcado a metade superior da tabela, em Itália. Paulo Sousa manteve-se fiel às suas ideias, e a equipa tem, aos poucos, crescido para o “seu” nível. Ainda que seja difícil definir o lugar desta Fiorentina, o novo ano, ao que parece, trouxe mesmo uma ressurreição da Viola.

Já se falou, caro leitor, das ideias de Paulo Sousa. Importa então refletir sobre as ideias mestre do técnico português. E, poderá dizer-se que esta Fiorentina, com Paulo Sousa, ao leme, vive bem…com a bola. Todos a querem. Todos tratam-na bem. Logo desde o princípio. A construção do jogo é feita desde trás, com três centrais a assumirem o risco – às vezes desmedido – de assumirem o jogo. A forma como os centrais tratam a bola – não a vêm como uma “granada” – diz muito da filosofia da equipa.

Chiesa tem sido uma das revelações da Serie A Fonte: ACF Fiorentina
Chiesa tem sido uma das revelações da Serie A
Fonte: ACF Fiorentina

É no meio-campo que as coisas são decididas. Aqui, na zona nevrálgica do terreno, o colectivo respira bem porque tem jogadores que assumem a identidade da equipa. Badelj é um poço de consistência; Borja continua a ser competente e inteligente. Mas é o uruguaio Vecino que verdadeiramente manda na equipa. Gere os ritmos muito bem e sabe tomar a melhor decisão quando tem de passar ou rematar.

Na frente Kalinic  – mais avançado no sentido clássico do termo – e Ilicic – mais móvel – asseguram golos, destacando-se também o jovem Chiesa que tem voado pelo flanco e que se tem mostrado um talento puro. Do outro lado a equipa sente a falta de Marcos Alonso, pese a qualidade de Olivera.

Poderá o novo ano trazer uma continuidade da ressurreição? A amostra frente a dois candidatos – Juventus e Nápoles – foi prometedora mas, os comandados de Paulo Sousa têm que fazer algo muito simples: transformar irregularidade em consistência. E têm o ano passado como exemplo.

Foto de capa: ACF Fiorentina 

Jorge Fernandes
Jorge Fernandeshttp://www.bolanarede.pt
O futebol acompanhou-o desde sempre. Do amor ao Benfica, às conquistas europeias do Porto, passando pelas desilusões dos galácticos do real Madrid. A década continuou e o bichinho do jornalismo surgiu. Daí até chegarmos ao jornalismo desportivo foi um instante Benfiquista de alma e coração, pretende fazer o que mais gosta: escrever e falar sobre futebol. Com a certeza de que futebol é um desporto e ao mesmo tempo a metáfora perfeita da vida.                                                                                                                                                 O Jorge não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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