A CRÓNICA: JOGO DE LOUCOS EM QUE TRÊS GOLOS É MUITO POUCO PARA O QUE ACONTECEU

Em Roma disputou-se o jogo cabeça de cartaz da 24ª jornada da Liga Italiana que colocou frente a frente quinto e segundo lugares do campeonato. Motivos de interesse não faltavam para todos os adeptos e os 90 minutos acabaram por provar isso mesmo. A AS Roma, mais atrás, ainda não tinha perdido em casa esta temporada e o AC Milan, na perseguição ao rival da cidade, teria de procurar a vitória. Posto isto, esperava-se uma partida muito bem disputada mas algo amarrada, como é bastante comum em Itália. Esse estereótipo rapidamente se desvaneceu. A equipa forasteira entrou a justificar a posição que ocupa e até aos 20 minutos foi dominante e conquistou várias oportunidades para fazer o golo.

Não conseguiu, e a partir desse momento o conjunto de Paulo Fonseca equilibrou as estatísticas e teve também chances de alterar o marcador. Ainda assim, só um erro individual de Fazio viria a fazer a diferença depois do argentino fazer a grande penalidade que viria a dar vantagem à equipa de Milão. Para o intervalo manteve-se o 0-1 mas na retina ficaram dos melhores 45 minutos disputados na Liga Italiana esta época.

Na segunda parte a avalanche ofensiva de ambas as equipas viria a manter-se mas desta vez foi a AS Roma a entrar melhor. Depois de uma bela jogada produzida pela equipa caseira, Veretout pegou muito bem na bola e restabeleceu, com classe e brilhantismo, a igualdade na partida. Isto em nada alterou a mentalidade dos jogadores que continuaram, de parte a parte, a procurar ganhar vantagem.

Podia ter dado para qualquer um dos lados, mas voltou a sobrepor-se um erro da defensiva romana, desta vez do guarda-redes que na saída de jogo ofereceu a bola aos forasteiros que aproveitaram e voltaram a obter vantagem no marcador. Até ao fim foram muitas as oportunidades, essencialmente para a turma da casa, mas o resultado não viria a sofrer alterações. O AC Milan levou os três pontos que, apesar de tudo, são justos, e apesar de ninguém precisar de vitórias morais, Paulo Fonseca deve estar orgulhoso da sua equipa que fez uma grande partida perante um adversário muito forte.

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A FIGURA


 Produção ofensiva de ambas as equipas – Apesar da partida ter terminado com apenas três golos, este é um resultado bastante enganador para o que se passou durante os 90 minutos. Foram, segundo as estatísticas, 35 tentativas de golo para ambos os lados, com 17 remates às balizas e sete remates para fora. Os guarda-redes apareceram hoje em grande plano, mas também é de registar a falta de eficácia dos avançados das duas equipas que, ainda assim, proporcionaram um dos melhores jogos da Liga Italiana desta temporada.

 

O FORA DE JOGO


 Erros da defensiva da AS Roma – Num jogo tão equilibrado e bem disputado em que os golos não estavam a aparecer, só dois erros individuais permitiram ao AC Milan sair da capital com os três pontos. Primeiro, uma grande penalidade cometida por Fázio num lance em que o adversário estava completamente desenquadrado da baliza. Em segundo, Pau López acabou por falhar um passe que ofereceu a bola aos jogadores do AC Milan e que fez com que Rebic rematasse para o fundo das redes e estabelecesse assim o resultado final.

  

ANÁLISE TÁTICA – AS ROMA

 Paulo Fonseca dispôs a equipa numa espécie de 3-4-3 muito difícil de decifrar devido às dinâmicas impostas a todas as peças do puzzle. Logo desde trás, Cristante a aparecer como defesa central, afastado da sua posição de origem, mas também com essa função de organizar a primeira fase de construção da sua equipa, subindo mais no terreno se necessário. Ao seu lado jogaram Fazio e Gianluca Mancini, dois centrais de origem menos capazes nesse momento de construção. No meio campo Villar e Veretout, muito habituados a jogar juntos e com uma química que foram construíndo ao longo da temporada e que faz com que se complementem muito bem. Karsdorp e Spinazzola a percorrerem toda a linha e muito presentes quer no momento defensivo quer no momento ofensivo, no apoio aos irrequietos Pellegrini e Mkhitaryan. Mayoral apareceu como o homem mais avançado, servindo de referência nas zonas de finalização mas nem por isso pouco móvel na frente de ataque na equipa da casa.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

 Pau López (7)

Gianluca Mancini (5)

Cristante (6)

Fazio (4)

Karsdorp (6)

Spinazzola (7)

Veretout (8)

Villar (7)

Lorenzo Pellegrini (7)

Mkhitaryan (6)

Mayoral (5)

SUBS UTILIZADOS

Bruno Peres (5)

El Shaarawy (5)

Diawara (5)

Pedro Rodríguez (5)

ANÁLISE TÁTICA – AC MILAN

 Pioli organizou a sua equipa no típico 4-2-3-1 com uma equipa muito equilibrada. Desta partida fica na retina a qualidade da pressão alta feita pela equipa em muitos momentos do jogo que acabou por dar frutos essencialmente no segundo golo, marcado por Rebic. A linha defensiva composta por Calabria, Kjaer, Tomori e Hernández foi, ainda assim, a que esteve menos bem, uma vez que concedeu ao adversário muito espaço para criar situações de finalização. À sua frente atuaram Tonali e Kessie, o primeiro mais recuado e o segundo com a missão de transportar bola e se aproximar mais da área da AS Roma, ainda que nem por isso alheado das responsabilidades defensivas. Çalhanoglu é o número dez desta equipa, o homem mais criativo que tem a missão de servir as três peças da frente: Rebic pela esquerda, Saelemaekers pela direita e Ibrahimovic no meio. Ainda que, em relação a outras equipas, o AC Milan não se destaque pela sua particular mobilidade e irreverência no momento ofensivo, esta é uma equipa que aposta muito no momento em que ganha a bola e este foi mais um jogo em que conseguiu cumprir o plano deleneado pelo seu treinador.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

 Donnarumma (9)

Calabria (7)

Kjaer (6)

Tomori (6)

Théo Hernández (6)

Tonali (6)

Kessie (8)

Çalhanoglu (6)

Saelemaekers (7)

Rebic (7)

Zlatan Ibrahimovic (5)

SUBS UTILIZADOS

 Brahim Diáz (5)

Rafael Leão (6)

Rade Krunic (5)

Samu Castillejo (-)

Meite (-)

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