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Até onde pode ir esta Atalanta?

João Pedro Rocha · 4 min

Até onde pode ir esta Atalanta?

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A Atalanta é a equipa sensação em Itália desde a temporada passada, na qual terminaram em 3º lugar no campeonato e com o melhor ataque da prova – 77 golos. É surreal uma equipa com um menor orçamento, e menos condições do que os ditos grandes de Itália, conseguir alcançar esse posto e qualificar-se para a Liga dos Campeões, sendo o melhor ataque da prova.

Mais surpreendente ainda é o facto de essa qualificação para a competição europeia ter resultado numa outra qualificação ainda mais brilhante, que foram os oitavos-de-final da competição. Haverá mais algum facto curioso? Sim… A Atalanta perdeu os primeiros três jogos da fase de grupos e mesmo assim passou, com um empate frente ao Man. City e duas vitórias, contra o Shakthar Donetsk e o Dínamo de Zagreb.

Esta temporada, além da brilhante campanha europeia, que pode continuar, visto que o adversário é o Valência (mais acessível do que o resto dos tubarões), a Atalanta continua num 5º lugar, a morder os calcanhares ao 4º, e repete para já o feito da época transata, pois são o melhor ataque do campeonato italiano, com 57 golos marcados. Este número continua bem disparado em relação aos rivais, pois a seguir a eles vem a Lazio com 47. E para ter ainda outra noção, a líder Juventus tem apenas 40 marcados e o Inter de Milão, que ocupa a segunda posição, tem 42.

A Atalanta, de um momento para o outro, passou de lutar pela manutenção para uma equipa de competição europeia. A academia foi importante para esta transição, no entanto o obreiro dos feitos é Gian Piero Gasperini. Depois de fazer alguns investimentos, a equipa é agora candidata a ocupar lugar de qualificação para a Liga dos Campeões.

Gasperini não é um técnico conservador e diferencia-se do clássico treinador italiano, tal como provam as suas táticas. Defensivamente, a equipa faz uma marcação homem-a-homem para forçar as transições. A Atalanta defende com um bloco alto e intensifica a pressão no momento certo, por vezes através de um 2 para 1. A equipa preocupa-se mais com a bola do que propriamente com a marcação, o que reduz o tempo e aumenta a pressão do portador da bola. A Atalanta é das equipas italianas que força mais perdas de bola ao adversário.

A Atalanta, ofensivamente, procura criar perigo através do espaço entre o central e o lateral adversário. O defesa central apoia o lateral para que este possa explorar o flanco e dar liberdade aos avançados Ilicic e Zapata para fazerem rasgos interiores, nos quais são perigosos e decisivos. Além disso, tantos estes dois como Papu Gómez são fortes no 1 para 1. Na Serie A de 2018/2019, estes três ficaram nos quatro primeiros na lista de jogadores que mais chances criaram através do drible.

A equipa também é forte de cabeça e tem jogadores com boas capacidades nesse aspeto. Duván Zapata terminou a última temporada em 4º nos jogadores com maiores oportunidades de cabeça. O colombiano não procura muito o cabeceamento, embora o faça muito bem. É, também, um jogador fantástico na transição para servir como apoio e oferecer a segunda bola aos colegas de equipa.

Fonte: Atalanta

Ilicic é um jogador diferente de Zapata e Gomez. Tem 1,90m e usa bem o corpo para ganhar posição. Tem qualidade para driblar os adversários e é forte a ganhar espaço para um remate ou um passe que coloque um colega em zona de finalização. Gasperini adaptou a equipa em função dos três da frente por serem os mais influentes e decisivos. 34.5% dos passes no meio-campo adversário têm envolvimento de pelo menos um deles, um recorde máximo desde 2016 na liga.

Papu Gómez é, talvez, o jogador mais importante desta equipa e em muitas ocasiões se posiciona longe da baliza adversária, o que parece tirar a produtividade ofensiva, mas na verdade é estratégico para rentabilizar os movimentos de Zapata e Ilicic, e para que possam ter espaço aberto para desequilibrar – isto com Gómez a orientar o ataque. Geralmente, funciona como um criador de jogo, em benefício dos colegas no último terço.

A Atalanta alinha num 3-4-1-2 e é uma equipa imprevisível, devido às alterações estratégicas, visto que é uma equipa capaz de se adaptar mediante o estilo de jogo do adversário. Um dos médios tem como função a chegada à área, de forma a ganhar superioridade numérica nessa zona. Este conjunto é, essencialmente, ofensivo, mas com o jogo pensado, baseado numa estrutura sólida e com princípios de verticalidade. É uma equipa a ter em conta.

A Atalanta pode alcançar feitos ainda maiores se continuar com este projeto bem assente, depois com um maior orçamento mais reforços poderão chegar. No campeonato italiano tem feito boas prestações e luta novamente por um lugar de Liga dos Campeões. A nível europeu foi uma grande surpresa e, quem sabe, poderá surpreender o mundo e continuar esta caminhada europeia brilhante.

Foto de Capa: Atalanta

Artigo revisto por Joana Mendes

João Pedro Rocha

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