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Cristiano tornou-se grande demais para o Real Madrid

Diogo Fresco · 5 min

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Cristiano Ronaldo e Real Madrid, apesar das estatísticas que abonam (e muito) a favor do primeiro, em certas ocasiões a posição do tricampeão europeu não foi ideal para o capitão da Seleção. O melhor do mundo em título.

CR7 nunca se coibiu de dizer, fazer ou insinuar algo. O seu estatuto permite-o. Estatuto que alcançou bem cedo na carreira. Afinal, aos 24 anos, já era Bola de Ouro e motivo da maior transferência de sempre. E digo que a dimensão de tal transferência não se deve única e exclusivamente ao montante divulgado ao Mercado de Valores Mobiliários, mas ao cômputo total que ela acarretou. E decerto ainda acarreta hoje. Algo impossível de estabelecer na exatidão, mas tem muitos zeros à direita.

Chegou a Madrid e deparou-se com um gigante esfomeado. Um gigante que já tinha enfrentado enquanto jogador do United, uma máquina vencedora e intransponível chamada de Barcelona. Como expoente máximo, tinha Leo Messi, um pequeno génio que surgira e não parava de encantar o mundo do futebol, era a jóia da coroa blaugrana. O menino bonito de Espanha. O rosto que tudo e todos gostavam.

Ronaldo a ser Ronaldo
Fonte: Real Madrid CF

Digam o que disserem, mesmo sendo alguém sem nada a provar, ser jogar à bola em Espanha para um português não deve ser fácil. Então ser melhor que qualquer espanhol… Ronaldo encontrou em todo o estádio rival uma plateia hostil. Um público que o enxovalhava individualmente. Parece uma máquina, mas qualquer ser humano tem emoções. Vejam o caso André Gomes, não querendo fazer comparações, mas o impacto das más vozes pode-se tornar auto-destrutiva num ser vivo como nós.

Superação é a palavra de ordem do seu vocabulário. Ronaldo, independentemente dos dados, superou sempre a época transata. Pode ter marcado um ou dois golos a menos do que numa anterior, porém o facto de demonstrar sempre uma personalidade vencedora, de comprovar ao longo que o tempo passava que era, de facto, algo mais. Afinal é o melhor marcador de sempre de um clube como o Real. Um clube onde já passaram alguns dos melhores atacantes de sempre. Apesar da idade ir aumentando, os índices não baixaram, o seu rendimento não foi afetado. Não algo fora da caixa, mas algo fora de todas as caixas. Afinal, foram quantos a darem como certa a sua quebra aos 32 anos? Tem 33 e muitos vídeos com milhões de visualizações terão razão de ser graças a si. Ronaldo sabe que para estar preparado às altas exigências, tem de se preparar.

No campo desportivo, nada a dizer. Está tudo escrito. Impecável. E no lado humano? Aquele miúdo arrogante que todos implicavam? Mesmo nos tempos da Seleção pós Figo e Rui Costa, que diziam mal do rapaz, que não fazia por Portugal o mesmo que fazia no clube? O vaidoso que fez um “pirete” aos benfiquistas na Luz? Que justificou o facto de não gostarem dele porque era rico e bonito? Repararam que esse gajo mudou? Ou pelo menos notou que não estava a ser interpretado da forma desejada, pois arrogância e Cristiano não combinam. E percebeu (ou foi aconselhado) o efeito que os media poderiam (e iriam) aliar às suas ações. Soube crescer, soube tornar-se um adulto com uma personalidade ímpar, adotou um modo de viver ideal, planeou a sua vida pós futebol de uma forma altamente responsável, e que, por todo o dinheiro que possa ter, faz questão de doar para caridade. Como não admirar uma pessoa assim?

Talvez o Real Madrid, talvez Florentino Perez saibam responder. Quer dizer, não devem saber responder porque são palavras. Talvez se fossem algarismos conseguissem. Embora tente ser alheio a comentar verbas que envolvem transferências, ordenados, prémios, comissões, é inevitável neste caso. Avaliar o atual Bola de Ouro em 100 milhões de euros pode ser considerado racional. Idade, renovação do plantel, e afins. Mas aqui, eu acredito que se trata de um caso especial. Ronaldo não é um jogador qualquer de 33 anos. Continua a um nível “estrela”, é um profissional ímpar, que faz a diferença, que joga 90 minutos a quase totalidade dos jogos, que continua a ser “top”… Bem, sendo o Real um clube altamente gastador, CR7 não precisa de pensar muito para perceber que o projeto madridista já não tem como bandeira o seu número. Sente-se injustiçado, pois sabe do que é capaz de fazer em campo, e percebe que o clube espanhol não corresponde a essa sua capacidade. Sente que está a ser despachado. E está.

Todo o mediatismo que é consequente das tecnologias que não existiam antes de 2009, concede um grau de exposição brutal. Uma exposição global. Os adeptos da Juventus demonstraram o respeito que Cristiano não contou sempre que precisava no Bernabéu. Aliás, quaisquer adeptos de gema reconhecem o efeito CR7. Como é possível assobiar Ronaldo? Como é possível, no seu estádio, os adeptos da sua equipa, o assobiarem? Como??? Como se sentir cómodo? Superando-se. Assinava exibições monstruosas, marcava uma quantidade de golos abismal por ano e era alvo destas “criancices”? Olha, o que não o mata torna-o melhor jogador.

Desempenho esse que, acredito, ter sido motivado, em parte, pela existência de um outro jogador no seu patamar. Juntos numa Liga, mas super separados por cada uma da sua legião de fãs. Fãs é o substantivo do fanatismo, que no amplo sentido da palavra fazem questão de denegrir ao máximo o rival do seu ídolo. Felizmente, não são tantos a pensar assim.

Estando ciente que esta rivalidade a dois é ainda mais efémera que a própria vida, e estando agora, aparentemente, na reta final da mesma, resta saber como será agora. Jogando em Ligas diferentes, pico da carreira a fugir dos seus pés… Ainda bem que, quer um, quer outro, correm bastante.

A Juve já deu as boas vindas ao craque lusitano
Fonte: Juventus FC

Nunca falei com Cristiano Ronaldo, não tenho a certeza do que se passa, mas tenho uma cabecinha para pensar. Tudo o que sabemos provém de instâncias mediáticas, contudo, conhecendo minimamente a forma de ser do nosso capitão, para dizer o que disse após a conquista da Liga dos Campeões à imprensa, leva-me a crer que “rebentou a bolha”. Foi a desagregação de dois gémeos siameses.

A Juventus pertence a uma Liga, hoje, adormecida. Tem ganho todos os campeonatos, e mais importante, tem garantido presença assídua nas fases mais longínquas da “Champions”, inclusive, foi finalista vencido por duas vezes em três anos. Cristiano Ronaldo quer sentir-se bem, apoiado e realizado. E mais que tudo, ver o seu contributo DEVIDAMENTE reconhecido. Mais tarde, quer dizer que jogou nas três melhores ligas do mundo, e em Itália que outro clube poderia acolher o G.O.A.T.?

Foto de Capa: UEFA

Artigo revisto por: Jorge Neves

Diogo Fresco

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