Cristiano tornou-se grande demais para o Real Madrid

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Cristiano Ronaldo e Real Madrid, apesar das estatísticas que abonam (e muito) a favor do primeiro, em certas ocasiões a posição do tricampeão europeu não foi ideal para o capitão da Seleção. O melhor do mundo em título.

CR7 nunca se coibiu de dizer, fazer ou insinuar algo. O seu estatuto permite-o. Estatuto que alcançou bem cedo na carreira. Afinal, aos 24 anos, já era Bola de Ouro e motivo da maior transferência de sempre. E digo que a dimensão de tal transferência não se deve única e exclusivamente ao montante divulgado ao Mercado de Valores Mobiliários, mas ao cômputo total que ela acarretou. E decerto ainda acarreta hoje. Algo impossível de estabelecer na exatidão, mas tem muitos zeros à direita.

Chegou a Madrid e deparou-se com um gigante esfomeado. Um gigante que já tinha enfrentado enquanto jogador do United, uma máquina vencedora e intransponível chamada de Barcelona. Como expoente máximo, tinha Leo Messi, um pequeno génio que surgira e não parava de encantar o mundo do futebol, era a jóia da coroa blaugrana. O menino bonito de Espanha. O rosto que tudo e todos gostavam.

Ronaldo a ser Ronaldo
Fonte: Real Madrid CF

Digam o que disserem, mesmo sendo alguém sem nada a provar, ser jogar à bola em Espanha para um português não deve ser fácil. Então ser melhor que qualquer espanhol… Ronaldo encontrou em todo o estádio rival uma plateia hostil. Um público que o enxovalhava individualmente. Parece uma máquina, mas qualquer ser humano tem emoções. Vejam o caso André Gomes, não querendo fazer comparações, mas o impacto das más vozes pode-se tornar auto-destrutiva num ser vivo como nós.

Superação é a palavra de ordem do seu vocabulário. Ronaldo, independentemente dos dados, superou sempre a época transata. Pode ter marcado um ou dois golos a menos do que numa anterior, porém o facto de demonstrar sempre uma personalidade vencedora, de comprovar ao longo que o tempo passava que era, de facto, algo mais. Afinal é o melhor marcador de sempre de um clube como o Real. Um clube onde já passaram alguns dos melhores atacantes de sempre. Apesar da idade ir aumentando, os índices não baixaram, o seu rendimento não foi afetado. Não algo fora da caixa, mas algo fora de todas as caixas. Afinal, foram quantos a darem como certa a sua quebra aos 32 anos? Tem 33 e muitos vídeos com milhões de visualizações terão razão de ser graças a si. Ronaldo sabe que para estar preparado às altas exigências, tem de se preparar.

No campo desportivo, nada a dizer. Está tudo escrito. Impecável. E no lado humano? Aquele miúdo arrogante que todos implicavam? Mesmo nos tempos da Seleção pós Figo e Rui Costa, que diziam mal do rapaz, que não fazia por Portugal o mesmo que fazia no clube? O vaidoso que fez um “pirete” aos benfiquistas na Luz? Que justificou o facto de não gostarem dele porque era rico e bonito? Repararam que esse gajo mudou? Ou pelo menos notou que não estava a ser interpretado da forma desejada, pois arrogância e Cristiano não combinam. E percebeu (ou foi aconselhado) o efeito que os media poderiam (e iriam) aliar às suas ações. Soube crescer, soube tornar-se um adulto com uma personalidade ímpar, adotou um modo de viver ideal, planeou a sua vida pós futebol de uma forma altamente responsável, e que, por todo o dinheiro que possa ter, faz questão de doar para caridade. Como não admirar uma pessoa assim?

Diogo Fresco
Diogo Frescohttp://www.bolanarede.pt
Fã de um futebol que, julga, não voltará a ver, interessa-se por praticamente tudo o que envolve este desporto, dando larga preferência ao que ocorre dentro das quatro linhas. Vibra bastante com a Seleção Portuguesa de Futebol.                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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