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Força da Tática: O SSC Napoli de Maurizio Sarri

Francisco Sampaio · 4 min

Força da Tática: O SSC Napoli de Maurizio Sarri

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força da tática

Ponto prévio: Maurizio Sarri é, provavelmente, o melhor treinador italiano da atualidade, sendo o único que domina os quatro momentos de jogo (organização defensiva, transição defensiva, transição ofensiva, e organização ofensiva). Este trata-se, provavelmente, do verdadeiro herdeiro de Arrigo Sacchi, reconhecidamente um dos melhores treinadores da história do futebol.

O SSC Napoli, partindo de um sistema de 4-3-3 com um pivô no meio campo e dois médios interiores, trata-se de um dos mais entusiasmantes projetos futebolísticos da atualidade. Ainda assim, parece claro que falta à equipa alguma qualidade individual em determinadas posições, sem a qual os resultados dificilmente refletirão a verdadeira qualidade das ideias do seu treinador.

Na defesa a quatro, à frente de Pepe Reina, destaca-se Kalidou Koulibaly, certamente um dos melhores defesas centrais do mundo. Com o senegalês em campo é garantido que a fase de construção se liga, com qualidade, com a criação. Neste particular o SSC Napoli trata-se de uma das melhores equipas da atualidade, sendo que a utilização da dinâmica do terceiro homem se revela preciosa nesse momento. Porém, é Koulibaly quem alia à sua capacidade posicional um tremendo conforto para ligar o jogo, em passe vertical, com os médios ou os avançados. Muitas das vezes esse passe é feito por dentro do bloco adversário com o objetivo de ligar o jogo com quem surge entre linhas.

Koulibaly é uma peça-chave na equipa Fonte: Facebook Oficial de Coulibaly
Koulibaly é uma peça-chave na equipa
Fonte: Facebook Oficial de Coulibaly

É esta dinâmica que permite ao SSC Napoli adotar posicionamentos mais ofensivos em campo, ou seja, que permite que os médios interiores não tenham que baixar no terreno para pegar no jogo desde trás, mantendo-se mais próximos das zonas de definição das jogadas onde estes podem ser, efetivamente, mais perigosos. Koulibaly frequentemente realiza passes verticais que ultrapassam, desde logo, um número significativo de adversários e atraem alguns dos opositores da linha defensiva. O apoio frontal liga então com um médio que fica de frente para o jogo e com possibilidades de explorar a profundidade, sobretudo depois do desequilíbrio que é causado pelo arrastamento dos defesas.

Ofensivamente, no SSC Napoli de Sarri, impressiona igualmente a busca quase obsessiva do corredor central para a criação, bem como a forma paciente como a equipa procura atacar. Os futebolistas nunca cedem à tentação fácil da procura pela profundidade, procuram sempre ligar o jogo por dentro, e aguardam pacientemente pelo momento em que somente contra a última linha defensiva da equipa adversária podem procurar a rutura. Contrariamente ao que se possa pensar, esta obsessão por jogar por dentro, por receber e enquadrar no corredor central, acaba por ser também benéfica para quem joga por fora. Ao ter a bola no corredor central a equipa adversária vê-se “obrigada” a juntar naquela zona do terreno (para impedir o lançamento da bola em profundidade), aumentando o espaço e o tempo disponíveis para quem recebe a bola no corredor lateral.

Defensivamente, o SSC Napoli destaca-se pela sua minuciosa organização. A linha defensiva da equipa encontra-se trabalhada ao detalhe, ao nível do posicionamento e dos movimentos, talvez como há já muitos anos não se via em Itália. Tanto em transição como em organização defensiva todos os futebolistas percebem o que se passa no jogo e relacionam-se de forma coordenada. A equipa bascula em função da posição onde se encontra a bola, sendo esta claramente a referência para a decisão acerca dos posicionamentos defensivos a adotar. Numa fase já bem estabelecida de organização defensiva a equipa apresenta-se num sistema próximo do 4-5-1, sempre com a última linha defensiva bem subida no terreno de jogo. É certo que este SSC Napoli não é infalível defensivamente, particularmente contra adversários que procuram praticar um futebol mais direto; contudo, em quase todos os aspetos do seu momento defensivo a equipa apresenta uma qualidade incontestável.

Sarri, o obreiro desta equipa Fonte: Facebook Oficial de Sarri
Sarri, o obreiro desta equipa
Fonte: Facebook Oficial de Sarri

Na zona do meio campo e do ataque dois futebolistas destacam-se pela influência que apresentam no futebol praticado pelo SSC Napoli: Marek Hamšík e Lorenzo Insigne. O futebolista eslovaco é hoje, muito mais do que no passado, um jogador que atua em prol do coletivo. Quando Hamšík recebe a bola este tende a transporta-la de modo a atrair os adversários, abrindo assim espaços para os seus colegas de equipa. É igualmente notável a forma como o futebolista eslovaco se liga com o ponta de lança e, sobretudo, com Insigne na ala esquerda. O extremo esquerdo italiano, por sua vez, é extremamente inteligente na ocupação de espaços, percebendo sempre quando deve deixar o corredor livre para a entrada do lateral esquerdo e quando deve manter-se colado à linha para permitir o apoio de um centrocampista a partir do corredor central.

Por muito estranho que possa parecer, no país onde a organização tática sempre foi muito elogiada pelos analistas desportivos, não existem equipas que possam ser consideradas bem organizadas em todos os momentos do jogo. Este SSC Napoli é a exceção a essa regra e, para tal, muito mérito deve ser atribuído ao sensacional Maurizio Sarri. O treinador italiano apresenta uma proposta de futebol de posse, ofensivo, e que não fosse a menor competência individual dos futebolistas que atuam em algumas posições poderia lutar pela conquista da Serie A 2016/17 e, quem sabe, por um desempenho histórico na Liga dos Campeões.

Francisco Sampaio

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