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Durante o século XX a Liga Italiana foi o palco da grande maioria das estrelas do futebol mundial. Com especial incidência para os anos 80 e 90, talvez só o Real Madrid e o FC Barcelona tinham poderio financeiro e desportivo para conseguir “roubar” algumas estrelas ao futebol transalpino.
Para alguém como eu, que nasceu e cresceu no auge do campeonato italiano, fazer este onze é recordar tempos em que o futebol era absolutamente mágico, sem a vertente económica tão acentuado como vemos atualmente.
O século XX foi o século em que o amor à camisola ganhou quase sempre aos cheques chorudos, o século onde os números “10” ainda jogavam no meio e não encostados à faixa, o século em que um túnel ou uma finta valiam tanto como golos e assistências.
Vamos então ao meu onze, escalado num 3x5x2.
Guarda – Redes
Walter Zenga.#inter pic.twitter.com/6xVGcaOkGs
— Olympia (@olympia_vintage) March 12, 2018
Walter Zenga – Esperavam o nome de Buffon? A verdade é que o século XX apenas incluiu as prestações do mítico guarda redes no Parma. “Apenas” é uma forma de expressão, já que nesse período era já notório a qualidade do guarda-redes da Juventus FC, mas Walter Zenga era a verdadeira muralha do FC Internazionale.
Com duas ligas europas, uma supertaça e um campeonato italiano no currículo, fez quase seiscentos jogos na sua carreira. Nos anos noventa havia ótimos guarda redes na Liga italiana, incluindo Walter Zenga, Gianluca Pagliuca, Sebastiano Rossi, Angelo Peruzzi, Francesco Toldo e uma jovem Gigi Buffon.
Defesa central
Franco Baresi – Fez setecentos e dezanove partidas pelo AC Milan, vencendo nos anos 90 quatro dos sete títulos da liga italiana e duas de suas três ligas dos campeões.
Defensivamente, o ponto alto de seu sempre elevado rendimento apareceu na temporada 1993-94, quando a equipa rossonera esteve 21 jogos sem sofrer golos no campeonato, sofrendo apenas 15 golos em 34 jogos.
Defesa Central
“Se eu tiver que desarmar, eu já cometi um erro.”
– Paolo Maldini. pic.twitter.com/iz0cszMdix
— Curiosidades Europa (@CuriosidadesEU) May 1, 2020
Paolo Maldini – Os anos 90 foram o ponto médio de suas vinte e cinco (!!) temporadas com o AC Milan. Fez parte da equipa que venceu a Liga italiana em 1991-92, sem perder um único jogo. Uma invencibilidade no campeonato que terminou depois de 58 jogos.
Após a reforma de Franco Baresi em 1997, Maldini passou a capitão do AC Milan, cargo que ocupou até sua reformar em 2009. Uma carreira dedicada a um só clube, o seu clube de coração.
Defesa central
Romario and Alessandro Costacurta, 1993. pic.twitter.com/95f9MYvUqG
— 90s Football (@90sfootball) January 10, 2018
Alessandro Costacurta – fez seiscentas e sessenta e três partidas pelo AC Milan entre 1987 e 2007, muitas delas lado a lado com Baresi. A dupla italiana tinha um entendimento telepático no centro da defesa do AC Milan.
Jogou pelo AC Milan até os 41 anos e chegou a marcar no seu último jogo pelo clube.
Médio Ala direito
Javier Zanetti – Antigo capitão do FC Internazionale, atuou na liga italiana entre 1995 e 2014, estabelecendo um recorde de 858 partidas.
No seu ano de chegada, o FC Internazionale apresentava a sua nova grande contratação: Sebastião Rambert – que vinha com a marca de melhor marcador do futebol argentino. Na negociação, o presidente Moratti pediu para incluir um jovem de 19 anos do Banfield que o tinha surpreendido.
Javier Zanetti chegou à sede do FC Internazionale para a apresentação, onde ninguém o conhecia. Na conferência de imprensa, a maioria das perguntas foram para Rambert. Rambert durou seis meses no clube de Milão, Javier Zanetti durou 19 temporadas, tornando-se o futebolista que mais vezes vestiu a camisola do FC Inter na história e o estrangeiro que mais jogos jogou na liga italiana.
Tornou-se capitão e ganhou todos os títulos possíveis, ao ponto da camisola número “4” ter sido retirada após a sua reforma.
O seu profissionalismo, carisma, empenho e classe dentro do campo continuam a ser um exemplo para jogadores mais jovens de todo o mundo. Em modelo de amor à camisola.
Médio Ala esquerdo
Pavel Nedvěd playing in the 1998 UEFA Cup semi-final 🙌#TBT #ThrowbackThursday 🗓🕰 #UEL pic.twitter.com/OkaxDD4WRK
— UEFA Europa League (@EuropaLeague) January 19, 2017
Pavel Nedved – Antes de se tornar a já sobejamente conhecida lenda que foi na Juventus FC, nos anos 2000, Pavel Nedved era um médio de cabelos loiros, curtos, que passou os últimos quatro anos da década de 90 numa super equipa da SS Lazio.
Durante esse período, era um dos melhores (senão o melhor…) médios da liga e uma estrela da seleção checa, que conseguiu alcançar a final do Europeu de 1996.
Classe pura, sempre com muita calma e frieza.
Médio centro
Zinedine Zidane, scorer of two #JuveRoma goals in 1998 and 2001, stars in this GALLERY: https://t.co/LPT3J2C0Wv pic.twitter.com/8zRUOVnlCa
— JuventusFC (@juventusfcen) January 24, 2016
Zinedine Zidane – Também acho que não necessita de grandes explicações.
Os anos 90 assistiram ao seu auge na Juventus FC onde as suas “roletas”, fintas e passes deliciavam todos os adeptos mundiais. Um dos jogadores mais consensuais de sempre.
Venceu dois campeonatos ao serviço da atual equipa de Cristiano Ronaldo.
Médio centro
Roberto Baggio – Vencedor da Bola de Ouro em 1993 e finalista do Mundial de 1994, Baggio foi o principal jogador italiano da década de 90.
Teve tanto de genial como de polémico, quer nas atitudes quer nas transferências internas que protagonizou. A sua muito comentada transferência da ACF Fiorentina (onde era um Deus!) para a Juventus FC, provocou três dias de tumultos em Florença.
Mesmo introvertido, raro era o dia em que estava fora das manchetes dos jornais, tanto pelo que fazia dentro, como fora do campo.
Um jogador à antiga como já não existe.
Número 10
Diego was a true legend, his legacy will live on for generations to come.
Descansa en paz, Diego.#diegomaradona pic.twitter.com/LILHY8X0Qp
— Diego Maradona Movie (@MaradonaMovie) November 25, 2020
Diego Armando Maradona – O melhor jogador da história do futebol? Se não era, anda lá perto.
O que este rapaz fez em Nápoles está apenas ao alcance de magos e de predestinados do futebol.
Sem necessitar de grandes descrições, foi provavelmente um ídolo para quase todos os jogadores deste onze, o que diz muito sobre a qualidade e o legado que deixou no futebol italiano e mundial.
Avançado
Batistuta.#Fiorentina pic.twitter.com/5Lz1o360f8
— Olympia (@olympia_vintage) November 23, 2020
Gabriel Batistuta – Batigol, como era conhecido, protagonizava o seu mítico festejo da metralhadora com a camisola da ACF Fiorentina. Algo que era uma das imagens mais icônicas do futebol italiano da década de 1990.
Em Florença, realizou trezentos e trinta e três jogos, durante nove anos, fazendo duzentos e sete golos. Nesta bela cidade venceu uma Coppa de Italia e uma Supercoppa, mas nunca conseguiu o título de campeão.
Tal conquista só viria a acontecer com a mudança para a cidade de Roma, em 2000, para jogar na AS Roma. Conseguiu esse feito, ajudando com um total de 21 golos. A equipa da capital não conseguiu vencer o campeonato desde 1983.
Avançado
Ronaldo – O fenómeno chegou ao FC Internazionale com o título de melhor jogador do mundo (1996) contratado ao FC Barcelona.
No clube de Milão marcou cinquenta e nove golos em noventa e nove partidas e levou para casa a Taça Uefa de 1997, na vitória final sobre uma super SS Lazio do já mencionado Pavel Nedved.
Mas não era só a quantidade de golos que o tornavam relevante, eram as fintas, as jogadas e a forma com os golos eram feitos. Um dos melhores avançados da história do futebol, que humilhava qualquer adversário com dois ou três toques na bola.
Rápido, técnico, cirúrgico. Uma lenda.














