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Os 5 melhores avançados do século, até agora

Diogo Mesquita · 14 min

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Um festejo ou uma lágrima. A loucura coletiva ou o olhar de desilusão. Abraços chegados ou corações destroçados.

O que seria do Futebol sem golos? Teria muito menos de todos os sentimentos e estados de espírito acima narrados. Não haveria tantos adeptos, comentadores, curiosos nem treinadores de bancada.

Com isto leia-se: o avançado é o espírito do Futebol. É por causa deles que começámos a gostar do desporto, são eles que vendem mais camisolas e são eles que mais vezes nos fazem levar as mãos à cabeça por não acreditar na tamanha genialidade a que estamos a assistir.

Hoje, o Bola na Rede debruça-se sobre os cinco melhores avançados do século, até agora.

E só digo até agora porque, infelizmente, ainda não é aceitável colocar Mbappé nesta lista. Assunto para outra altura.

5.

Robert Lewandowski – Corria o ano de 2015. Pep Guardiola, na altura treinador do Bayern Munique, via-se a perder em casa diante do fortíssimo Wolfsburgo. Ao intervalo, olhou para o banco e decidiu que ia tirar Thiago para colocar Lewandowski. Ao minuto 60, o Bayern ganhava por 5-1: o polaco marcou 5 golos em 9 minutos.

Depois de duas épocas ao serviço do Lech Poznan, onde marcou 32 golos em 58 jogos, os olheiros do Borussia Dortmund decidiram trazer o ainda jovem Robert Lewandowski para a Alemanha. Não sabiam, contudo, que dali vinha um dos melhores pontas de lança da geração que estamos a viver.

Às ordens de Jürgen Klopp, Lewandowski jogou ao mais alto nível, em Dortmund, por quatro épocas. Foi a principal figura da equipa do bicampeonato dos auri-negros em 2011 e 2012. Ganhou ainda uma Taça da Alemanha, também em 2012, e foi o melhor marcador dessa competição.

Ainda em Dortmund, perde uma final da Champions em 2013 diante do Bayern, e, até agora, não voltou a jogar mais nenhuma.

Foram 103 golos em 187 jogos de BVB ao peito, antes de trocar o amarelo e negro pelo vermelhão.

Em 2014, e depois de se sagrar o melhor marcador da Bundesliga pela primeira vez, o ponta-de-lança com 26 anos, e avaliado em 50 milhões de euros, assina pelo Bayern a custo zero. Um dos melhores negócios que os bávaros fizeram até hoje.

Em Munique, sagra-se campeão da Alemanha em cinco ocasiões, ganha duas taças e é três vezes o melhor marcador da Liga.

278 jogos, 232 golos, 52 assistências. Números que falam por si.

Aos 31 anos, vive a melhor época da sua carreira, contando já com 27 golos em 26 jogos na Bundesliga. Está muito perto de ultrapassar a sua melhor marca de 30 golos para o campeonato numa só época.

Lewandowski tem também 61 golos pela Seleção polaca, quase o triplo dos do segundo classificado desta lista, Jakub Błaszczykowski, com “apenas” 21.

Em toda a sua carreira, contabiliza um grande total de 691 jogos e 458 golos.

4.

Thierry Henry – Quando o vi, achei, pela primeira vez, que podia ser jogador de futebol. Mas quando eu ia para os treinos tentar imitá-lo, nada saía igual. Henry fazia tudo parecer mais fácil do que na verdade era. Para efeitos alegóricos: no auge da sua carreira, todas as defesas que jogavam contra Henry pareciam estar na dificuldade ‘Amador’ do videojogo FIFA.

Aos 21 anos, já tinha conquistado o Mundial 98 com a Seleção Francesa e tinha ganho o título de Campeão Francês pelo Mónaco em 1997. Thierry Henry assina pelo Arsenal depois disto, em 1999. Foi em Londres que começou a mostrar o que de melhor tinha para oferecer ao mundo do futebol.

Estrela maior dos Invencíveis em 2003/2004, Henry ganhou a Premier League em duas ocasiões, três FA Cup e ainda duas Supertaças de Inglaterra. Viu os Gunners vestir dois emblemas, estrear um novo estádio e, ao longo deste tempo, contribuiu com 228 golos e 92 assistências nas 376 partidas em que envergou a vermelha e branca do Arsenal.

Foram oito anos passados em Inglaterra. Deixou a capital inglesa sendo uma das maiores lendas da história do Arsenal.

Transferiu-se para o Barcelona no verão de 2007, onde não conseguiu números tão sobrenaturais. Ainda assim, foram extraordinários. Em 121 jogos, marcou 49 vezes e fez 27 assistências. Ao serviço dos blaugrana, onde cumpriu três anos de contrato, fez o triplete internacional: venceu a Liga dos Campeões, a Supertaça Europeia e o Mundial de Clubes da FIFA. Ainda pelo Barcelona, ganhou duas La Liga, uma Copa del Rey e uma Supertaça.

Ao serviço da Seleção Francesa, sagrou-se também Campeão da Europa, em 2000, e ganhou a Taça das Confederações, em 2003.

Para fechar o separador do imortal ponta-de-lança, só falta referir que o único troféu que nunca segurou foi uma Bola de Ouro – fugiu-lhe por pouco em 2006, quando Fabio Cannavaro mereceu a distinção. Contudo, individualmente, recebeu por oito vezes a prémio de futebolista do ano nos países que representava.

No total de uma vasta carreira com 914 jogos, o craque marcou 411 golos e fez 163 assistências.

Só há um Thierry Henry em cada milhão de jogadores. Era diferente dos outros. Quem teve o privilégio de o acompanhar sabe do que falo. Era impossível não constatar a genialidade do francês.

Se não se sente conformado com o que lhe conto, aconselho seriamente a visualização do vídeo acima disponibilizado: oito minutos de Henry a humilhar defesas.

3.

Ronaldo Nazário – O lendário Ronaldo começou com apenas 17 anos, quando se estreou ao serviço do Cruzeiro em 1993. Na ainda bem distante Europa, ouvia-se o rumor de que existiria um qualquer jogador brasileiro fora de série. Falava-se num jovem avançado que marcava nunca menos de um golo por jogo. Os gigantes do AC Milan, da Juventus e do Ajax rapidamente tentaram o tudo por tudo para contratar este miúdo que tanto alarido causava. Mas o prodígio optou pelo menos provável.

Ronaldo transferiu-se para o PSV em 1994, a conselho do seu compatriota e ex-artilheiro da Liga Holandesa, Romário, que lhe disse que achava que não existia sítio melhor para crescer do que o clube de Eindhoven. Dito e feito. Passou 2 anos no muito competitivo campeonato holandês, no qual jogou 57 vezes e marcou 54 golos. Foi o suficiente para convencer o todo-poderoso FC Barcelona, que quebrou o recorde de dinheiro alguma vez pago por um jogador de futebol e contratou Ronaldo por 15 milhões de euros. Isto em 1997 – o brasileiro tinha apenas 19 anos.

Apenas um ano em Barcelona bastou para que o jogador provasse ser digno de vestir o histórico blaugrana. A tal profecia de um golo por jogo continuava a ser cumprida. Disputou 49 jogos e marcou 47 golos. Nesse ano, ganhou a Taça das Taças, a Copa del Rey e a Supertaça espanhola. Venceu ainda o prémio de Melhor Jogador do Mundo. Até hoje ainda mantém o recorde: foi o jogador mais jovem de sempre a conseguir ganhar este galardão, conquistando-o com apenas 21 anos, três meses e cinco dias.

À procura dum desafio maior, Ronaldo tomou uma decisão chocante nesse verão. Pediu ao Barcelona para ser transferido para o Inter de Milão, e confessou ao diário desportivo espanhol ‘AS’ que o fez porque lhe “parecia o maior desafio possível, e que, na altura, a Serie A italiana era a melhor liga do mundo”. Esta foi a segunda vez que se quebrou o recorde de transferências por causa de Ronaldo Nazário, uma vez que os italianos tiveram de pagar 28 milhões de euros pelos serviços do avançado.

No Inter, a sorte não foi tanta. Tudo corria ainda melhor do que o esperado quando o sensacional Ronaldo sofre uma lesão que tinha tudo para acabar com a sua carreira. Segundo o fisioterapeuta que o acompanhava na altura, esta foi a pior lesão que alguma vez viu num joelho. A meio dum jogo contra a Lazio, em que já estava condicionado, a rótula de Ronaldo cedeu de forma tão macabra que acabou por ficar pendurada na sua perna.

Esta lesão afastou-o dos relvados durante mais de um ano, e mudou o resto da sua carreira. Por causa disto, não conseguiu manter os números verdadeiramente impossíveis que insistia em apresentar. Jogou 98 partidas e fez 59 golos pelos nerazzurri. Mereceu outro prémio de melhor jogador do mundo da FIFA e uma Bola de Ouro ao serviço do Inter, ambas conquistadas em 1997.

O triunfante regresso de Ronaldo estava marcado para o Mundial 2002, na Coreia do Sul. Com a espantosa contribuição de oito golos em sete jogos, o ponta-de-lança conduziu os compatriotas para a conquista do quinto mundial da história da Seleção ‘canarinha’, arrecadando ainda o troféu de melhor marcador da prova.

Esta prestação vale a Ronaldo uma transferência para o Real Madrid, que pagou 45 milhões de euros ao Inter para que o prodígio brasileiro voltasse a atormentar as defesas espanholas. No ano do seu regresso às competições de clubes, repete a proeza de 1997. Ganha o prémio de melhor jogador do mundo da FIFA e a Bola de Ouro. Pelos merengues, conquista o Mundial de Clubes, a Supertaça Europeia, uma Copa Del Rey, e duas Ligas espanholas. Era, juntamente com Zidane, a cara dos Galaticos. Jogou 177 partidas e marcou 104 golos em Madrid.

Numa fase mais avançada da carreira, jogou ainda pelo AC Milan e foi ao Corinthians pendurar as botas.

Fenomenal.

2.

Cristiano Ronaldo – Como incondicional fã de Cristiano, ainda vou ter de me perdoar por não o colocar no primeiro lugar desta lista. Portanto espero que também me desculpem. Não foi fácil. Adiante.

Nascido no Funchal, o ainda pequeno Cristiano já era motivo de conversa em todos os cafés madeirenses com apenas 12 anos. Era tão fora de série que, apesar de ser pequeno, era grande demais para o território insular.

Foi a Lisboa fazer testes ao Sporting, porque o Nacional da Madeira devia cerca de 20 mil euros aos Leões e pretendia pagá-los com o passe deste jovem talento. O Sr. Aurélio Pereira ficou tão impressionado com o que viu que escreveu uma carta a José Roquette para o convencer que valia a pena perdoar a dívida por um miúdo de 12 anos. Felizmente, o então presidente dos Sporting disse que aceitava, embora reticente. Nunca se tinha pago nenhum valor do género por um jogador tão novo em 1997.

Depois de jogar sempre na equipa dos mais velhos, estreia-se na equipa principal do Sporting a 14 de agosto de 2002, com apenas 17 anos. 364 dias depois, Sir Alex Ferguson pagou ao clube de Alvalade 15 milhões de euros pelo craque português. Três dias depois, estreou-se na Premier League pelo campeão em título com o ‘7’ às costas. Tudo parecia precoce, mas em retrospetiva faz muito sentido que assim tenha sido. Estávamos perante os primeiros passos de um dos melhores de sempre. E Ferguson sabia-o.

Quanto maior o palco, mais se eleva Cristiano Ronaldo. Rapidamente mostrou que merecia toda a confiança que recebera do histórico treinador escocês dos Red Devils. Foi com o vermelho dos diabos que ganhou três Premier Leagues, duas FA Cup e duas Taças da Liga Inglesa. Em 2008, começou aquela que seria a mais bonita história da sua carreira profissional e venceu a sua primeira Liga dos Campeões, bem como a sua primeira Bola de Ouro.

O Real Madrid, conhecido por ser o melhor clube do Século XX, via-se numa fase menos boa da sua história, e decidiu quebrar todas as barreiras conhecidas à altura ao contratar Cristiano Ronaldo por uns estrondosos 94 milhões de euros.

Cristiano representou os merengues por nove épocas, elevando o clube ao nível de outrora. Venceu quatro Champions pelos Real Madrid e foi o melhor marcador em todas elas. Foi quatro vezes eleito o melhor jogador do mundo com a camisola blanca. Ganhou três Botas de Ouro e foi eleito três vezes o melhor jogador da europa pela UEFA – nenhum jogador ganhou este troféu mais vezes.

Bateu o recorde de golos do clube, assinando 450 em 438 jogos. Tornou-se no melhor marcador de sempre da Liga dos Campeões, com 129 remates certeiros. Na história da La Decima, ganha no Estádio da Luz, tornou-se no jogador que mais golos apontou numa só edição da Champions, com um fantástico total de 17 golos em 13 jogos. Podemos ficar por aqui?

Convém não esquecer os títulos internos em Espanha, tendo em conta que foi sob a égide da sua extraordinária capacidade goleadora que o Real Madrid bateu o recorde de pontos da La Liga, fazendo 100 pontos numa só época. Internamente, ganha duas La Ligas, duas Copas del Rey e duas supertaças.

Em nove anos, quebrou mais recordes do que aqueles que dá para contar com os dedos das mãos. Mais golos do que jogos disputados não é obra fácil.

Com 33 anos, transfere-se para a Juventus por 117 milhões de euros. Assume, pela segunda vez na sua carreira, o desafio de trazer um clube histórico ao apogeu da sua glória. E, apesar da história de Cristiano Ronaldo à conquista da Península Itálica ainda estar a ser escrita, não dispensa, para já, uma Liga e uma Supertaça italiana na sua primeira época pela Juve. Tem, para além disso, 53 golos e 14 assistências nos 75 jogos que disputou pela Vecchia Signora.

Não esqueci as nossas tão amadas Quinas. Os 99 golos marcados em 164 jogos fazem de Ronaldo o melhor marcador de sempre da Seleção que liderou na inesquecível conquista do Euro 2016. Envergou a braçadeira de capitão na conquista da recém-criada Liga das Nações, deixando, novamente, o seu nome na história por ganhar o prémio de melhor marcador da competição.

Já conquistou 19 vezes o prémio de melhor marcador das várias competições que disputou, número que ainda nenhum jogador conseguiu igualar.

Para além de tudo isto, é o segundo jogador com mais Bolas de Ouro da história do futebol. Já contabiliza cinco, ficando apenas atrás do seu grande rival, Lionel Messi.

Cristiano Ronaldo contabiliza, até agora, 725 golos em 1000 jogos na sua carreira profissional.

Fica difícil narrar tanto sucesso. Monstruoso.

1.

Lionel Messi – O argentino é muito provavelmente o melhor jogador que o mundo já viu. Porquê? Porque possui todas as características que um jogador deve ter. E depois disso ainda mais algumas. Os títulos coletivos e individuais, os golos, os passes, os dribles, os momentos, o ‘10’, a lealdade, o talento. Tudo.

O coletivo. Messi já ganhou tudo pelo Barcelona. Vai ser difícil enumerar tantos feitos, mas tentem acompanhar. Dez campeonatos, seis Copas Del Rey e oito Supertaças. A nível continental, já foi figura principal da conquista de quatro Ligas dos Campeões e três Supertaças Europeias. E ainda adiciona três mundiais de clubes ao palmarés.

No que diz respeito à seleção A, o astro argentino nunca conseguiu ganhar nenhum major, mas sagrou-se Campeão do Mundo Sub-20 e ganhou os Jogos Olímpicos de 2008 pelo seu país.

O indivíduo. É, atualmente, o recordista de distinções de melhor jogador do mundo, contando contabilizando seis Bolas de Ouro. Foi duas vezes considerado o futebolista do ano da UEFA. Soma ainda 17 prémios de melhor marcador em várias competições.

O goleador. Messi já marcou uns inacreditáveis 697 golos nas 856 partidas que disputou entre o Barcelona e a Seleção da Argentina. É o melhor marcador de sempre da La Liga, o melhor de sempre da sua seleção e o segundo melhor marcador de sempre da Liga dos Campeões. É recordista da Bota de Ouro, sendo o primeiro e único jogador até ao momento a conquistar seis troféus de melhor marcador da Europa.

O mestre de cerimónias. Para além dos que marcou, os que assistiu. Messi já fez 261 passes para golo. É o melhor assistente de sempre da La Liga. Se fizermos a soma, o argentino já foi responsável por 888 golos do Barcelona. Isto em 718 jogos pelos blaugrana.

O drible. O argentino faz a câmara lenta parecer uma repetição em velocidade real. Já desfez algumas das mais bem montadas defesas do mundo, metendo “no bolso” jogadores como Sergio Ramos, Pepe, Varane, Thiago Silva, Diego Godin, Vidic, Boateng, Hummels, Van Dijk… a lista podia continuar, mas prefiro ficar por aqui. Qualquer um pode ser vítima do pequeno grande génio, basta ser adversário.

O momento. Quando decorria o minuto 92 do El Clasico, em 2017, Messi marcou o terceiro golo do Barcelona – o seu segundo na partida. Em jeito simbólico, tira a camisola e mostra à plateia merengue o seu nome, e o número que leva às costas.

A camisola. O ‘10’ da perfeição. Não há nota mais alta nem honra maior que vestir o dez do Barcelona. Antes dele, Ronaldinho, Riquelme, Rivaldo, Romario e, claro, Maradona.

A lealdade. Todos os títulos, partidas, golos, passes, momentos, e perfeição foram ao serviço de um só clube. O FC Barcelona, onde cumpre, de momento, a 16ª época consecutiva. A carreira profissional de Messi nunca conheceu outras cores que não as do clube catalão. E decerto que sem ele, nada seria tão mágico.

O talento. Messi é muito provavelmente, como disse no início, o melhor jogador que o mundo já viu.

Artigo revisto.

Diogo Mesquita

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