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Real Madrid: O grande mérito de Zidane

Eduardo Botelho · 4 min

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Há um ano atrás, dia 21 de novembro 2015, o Real Madrid CF era humilhado em casa pelo FC Barcelona, que nem precisou de Messi para ir ao Santiago Bernabéu golear os blancos por 0-4. Dois golos de Suárez, um de Neymar e outro de Iniesta expressaram no marcador a diferença de qualidade que se viu em campo. O Real Madrid de Rafa Benítez batia no fundo.

O contraste com a atual situação não podia ser maior. Se há um ano o Real era goleado em casa, no sábado passado foi ao Calderón vencer o Atlético de Madrid por claros 0-3. Se há um ano estava em terceiro lugar, a seis pontos do líder Barcelona e a dois do Atlético, hoje o Real Madrid é líder isolado, com quatro pontos de avanço sobre o Barça e nove sobre o Atlético (que é sexto classificado), acumulando já trinta jogos consecutivos sem derrotas. Entretanto, o Real Madrid foi campeão europeu, venceu a Supertaça Europeia e, no campeonato passado, disputou o título até à última jornada, terminando a apenas um ponto do campeão Barcelona.

Benítez nunca conseguiu conquistar os seus jogadores Fonte: Real Madrid C.F.
Benítez nunca conseguiu conquistar os seus jogadores
Fonte: Real Madrid C.F.

É que houve uma mudança importante desde há um ano: na altura, Benítez era treinador do Real e Zidane treinava o Castilla, nos escalões secundários. Agora, Zidane treina o Real Madrid e Benítez treina o Newcastle, na segunda divisão inglesa. O destino de Benítez no Real Madrid ficou traçado no dia da goleada com o Barcelona, ainda que a sua agonia no comando técnico do clube tenha durado até janeiro. Ainda antes da troca de treinadores, escrevi aqui no Bola na Rede sobre Zidane: “se é bom treinador ou não, ninguém sabe ainda, mas, pelo menos, tem carisma e boa imagem, que parece ser o mais importante no Real Madrid.” Ora, hoje já podemos dizer mais coisas.

Mantenho que ter boa imagem e estatuto é fundamental para um treinador neste tipo de equipas, porque, frequentemente, os jogadores têm mais poder do que o treinador. Zidane tomou algumas decisões iguais às de Benitez, mas que foram recebidas de forma completamente diferente pelo público e, mais importante, pelos próprios jogadores. Por exemplo, quando Benítez deixava James no banco, era criticado por estar a desaproveitar o talento do colombiano. Quando chegou Zidane e James passou a jogar ainda menos, as críticas que antes eram dirigidas ao treinador, passaram a ser dirigidas ao jogador: James é que é visto agora como o culpado por estar a desaproveitar o seu talento e até já tem fama de treinar mal. Outro exemplo é a utilização de Casemiro. Quando Benítez o colocava em campo, era acusado de ser um treinador defensivo e medroso. Quando Zidane fez do brasileiro uma peça chave na sua equipa, essa aposta passou a ser considerada inteligente e corajosa.

Não se julgue que estou a defender Benítez, de quem não sou admirador, mas a verdade é que, não tendo os jogadores consigo (em parte por culpa própria), estava condenado ao insucesso quaisquer que fossem as decisões que tomasse. Zidane partia logo em vantagem por ser uma figura admirada por toda a gente em Madrid, isso já sabíamos. Agora sabemos que o francês também tem outras qualidades.

Zidane não parece ser um génio tático ou um revolucionário como é Guardiola e como foi, em tempos, Mourinho. Nada disso. Nem estou certo de que Zidane possa ter sucesso noutros clubes, mas no Real Madrid, até ver, resulta na perfeição. Não inventa e as decisões que vai tomando parecem sempre lógicas e naturais. Pode parecer pouco, mas, num grupo com tantos egos e num cargo em que se é alvo de tantas e tão variadas pressões, fazer com que essa gestão pareça simples é um dos grandes méritos de Zidane.

Asensio e Morata têm sido peças importantes no Real Madrid de Zidane Fonte: Real Madrid C.F.
Asensio e Morata têm sido peças importantes no Real Madrid de Zidane
Fonte: Real Madrid C.F.

A forma com tem sabido gerir os egos dentro do plantel tem sido perfeita. Benítez, por exemplo, meteu logo o pé na argola ao não querer dizer explicitamente que Ronaldo era o melhor jogador do mundo. Para Zidane, pelo menos em frente aos microfones, Ronaldo é sempre o melhor do mundo e a BBC (Benzema, Bale, Ronaldo) está acima de todos os outros jogadores. Depois, em campo, a verdade é que Benzema ficou no banco nos últimos dois jogos e que Ronaldo já vai sendo substituído, de vez em quando, mesmo que não goste. Nas conferências de imprensa, Zidane é só sorrisos e simpatia. No campo, não tem medo de tomar as decisões que acha serem melhores para a equipa.

Assim, jogadores como Morata, Lucas Vázquez, Asensio ou Isco que, à partida, seriam segundas opções, têm tido mais minutos de jogo do que eles próprios esperariam, provavelmente. Até Kovacic e Nacho já tiveram boas oportunidades de se mostrarem, beneficiando da onda de lesões no plantel do Real Madrid que, só esta época, já atingiu Ronaldo, Benzema, Modric, Kroos, Casemiro, Pepe e Sergio Ramos, por exemplo.

Falta agora a Zinedine Zidane conquistar a Liga Espanhola, título que o Real Madrid só conseguiu por uma vez nas últimas oito épocas, para convencer até os mais cépticos das suas qualidades enquanto treinador. A visita ao Camp Nou, dia 3 de dezembro, poderá ser importante para esse objetivo, ainda que haja muito campeonato pela frente.

 

Imagem de capa: Real Madrid C.F.

Eduardo Botelho

Redação Bola na Rede · ver artigos

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João Carlos Gameiro · 4 min de leitura
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