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Para muitos jogadores chegar à Seleção principal, é um sonho. Vivendo, cada vez mais, numa autêntica “aldeia global”, observamos fluxos migratórios que vão alterando por completo o curso do futebol e, sobretudo, o caminho e destino dos jogadores envolventes. E não vejo mal nenhum nisso, quem sou eu para dizer a que Seleção pertence o coração de um determinado jogador, se não o próprio? Desde que haja condições para trocar a sua nacionalidade, a escolha está nas suas mãos.
Com raízes e descendência de outras nações, esta lista integra o melhor 11 de jogadores que mudaram de nacionalidade – alguns polémicos, outros não. Mas uma coisa todos eles partilharam: amor, dedicação e orgulho ao representar a camisola, bandeira, tradição e história do país.
Top 11 jogadores que mudaram de seleção
GUARDA-REDES
Nosso capitão completa hoje 4⃣0⃣0⃣ jogos na @Ligue1_POR! ⭐️
Parabéns, @SteveMandanda! 👏 #OMASSE pic.twitter.com/uFvLpv1byj
— Olympique de Marseille (@OM_portugues) September 1, 2019
Steve Mandanda – Confesso que, para esta posição, não há muito por onde escolher. No entanto, penso que Steve Mandanda consegue dar conta do recado e proteger a baliza desta equipa multicultural. O guarda-redes congolês chegou a França aos 16 anos, tendo mudado de nacionalidade, e foi no AC Le Havre que brilhou. Nessa temporada, recebeu o prémio de melhor jogador da Liga Francesa e, em 2007, foi transferido para o Olympique de Marselha, clube de que defende as redes até ao momento (exceto na época de 2016/17, teve um ano no Crystal Palace FC). Em 2018, tornou-se campeão mundial pela França, num dia que jamais esquecerá.
DEFESA DIREITO
🔵2⃣0⃣0⃣4⃣🏆#UCL | #ThrowbackThursday pic.twitter.com/rZXbX9CmEY
— UEFA Champions League (@ChampionsLeague) March 26, 2020
José Bosingwa – Aos nove anos de idade, o jovem congolês chegou a Portugal para estudar, em busca de melhores oportunidades. O futebol nunca foi o seu objetivo de vida. Mas a realidade é que se destacou de tal forma no Boavista FC (primeiro clube) que despertou a atenção de José Mourinho, sendo transferido para o FC Porto em 2003. Uma ótima caminhada que começaria da melhor forma possível – vencedor da Liga dos Campeões. Muitos mais títulos viriam, inclusive a segunda “orelhuda” pelo Chelsea FC (2011/12). José Bosignwa será sempre lembrado como um dos melhores laterais direitos que Portugal já teve.
DEFESA CENTRAL
Se te perguntarem quem nós somos… Enche o teu peito de orgulho e responde: SOMOS PORTUGAL 🇵🇹 🙏🏻 pic.twitter.com/rnm8sWV54p
— Pepe (@officialpepe) June 10, 2019
Pepe – Amado por uns, odiado por outros. A verdade é que é, sem dúvida, um jogador fabuloso e a prova real de que a idade é apenas um número. Aos 17 anos, troca o Brasil por Portugal, adotando a nova nacionalidade do país que se tornaria a sua “casa” – um lugar pelo qual valeria a pena lutar. Para quem não sabe, a sua história começou com uma simples sandes. Sem dinheiro para comer, um empregado ofereceu-lhe uma baguete grátis. Porventura, foi essa mesma baguete que valeu a Portugal um autêntico guerreiro dispensável de apresentações. Em 2007, naturalizou-se português e, como muitos diriam, o resto é história.
DEFESA CENTRAL
Pour l’éternité #fifaworldcup 🙏🏾🇫🇷❤️ pic.twitter.com/usgW9O76Hw
— Marcel Desailly (@marceldesailly) April 20, 2020
Marcel Desailly – Para finalizar a dupla de centrais, escolhi Desailly para se juntar ao lado de Pepe – dois “monstros” defensivos. Accra (Gana) foi a cidade onde nasceu e, ainda na sua infância, emigrou para a França com a sua mãe, ganhando nova nacionalidade. Já dentro do sistema francês, a sua escolha era inevitável e não tardou muito a ser convocado à Seleção nacional. Conhecido como ”The Rock” pela sua força física, foi um dos defesas mais completos desta geração, destacando-se no AC Milan.
Em 1998, a “barreira” Desailly saiu vitorioso e a nação francesa ganhou pela primeira vez na história o Mundial. Um gigante, um capitão e um ídolo para muitos.
DEFESA ESQUERDO
Some of the best memories of my career 🙏🏽 what an amazing squad we had at @ManUtd ❤️ #ilovethisgame #positive4evra #championsleague #manchesterunited pic.twitter.com/O9W5uqglpj
— Patrice Evra (@Evra) February 17, 2021
Patrice Evra – É capaz de ser dos jogadores mais azarados da Liga dos Campeões. Das cinco finais em que esteve, apenas ganhou uma (em 2008/09, pelo Manchester United FC). Nascido no Dakar (Senegal), optou por uma carreira internacional ao serviço da Seleção francesa. Embora tenha sido capitão no Mundial de 2010, nem sempre foi bem visto aos olhos dos franceses por atitudes polémicas e pouco profissionais. Ainda assim, tornou-se num dos melhores laterais esquerdos da história, sobretudo na sua passagem pelos “Red Devils” (14 títulos em oito anos).
MÉDIO CENTRO
🗣️ “I do feel a bit Brazilian.”
🇳🇱 Clarence Seedorf: an all-time great 🔝#UCL pic.twitter.com/OvFLDt2pnT
— UEFA Champions League (@ChampionsLeague) September 11, 2020
Clarence Seedorf – Conhecem Suriname, na América Latina? É uma autêntica mina de ouro futebolística que produziu três dos jogadores mais importantes da Laranja Mecânica – Edgar Davids, Ruud Gullit e Clarence Seedorf – o nome em destaque.
Em apenas três anos no AFC Ajax (dos 16 aos 19), ganhou uma Liga dos Campeões e dois prémios de melhor jogador do campeonato holandês. E isso seria apenas o começo de uma linda história. Seedorf tinha algo de especial. Foi muito consistente em toda a sua carreira e deixou claramente a sua marca por onde passou. Com a sua garra, talento e personalidade forte, viria a ganhar mais três Ligas dos Campeões (duas pelo Real Madrid CF, uma pelo AC Milan). Quatro finais ganhas em cinco por três diferentes clubes… impressionante. Que “monstro”, obrigado Suriname!
MÉDIO CENTRO
🇫🇷 Patrick Vieira: the blueprint for the complete midfielder 😎@OfficialVieira | #UCL pic.twitter.com/7t2IfXKnlF
— UEFA Champions League (@ChampionsLeague) March 8, 2021
Patrick Vieira – Em 1987, chegou a França um menino senegalês de oito anos com sonhos por realizar. Mal sabia o que o esperava pela frente, graças à nova nacionalidade. A nível de clubes, distinguiu-se no FC Internazionale Milano e Arsenal FC, uma das equipas mais poderosas da época. Com uma força natural e uma inteligência posicional incríveis, Vieira tornou-se um dos médios mais temíveis da história, conquistando uma Liga dos Campeões (pelo FC Internazionale Milano), um Mundial e um Campeonato Europeu pela França, entre muitos outros títulos. Estatísticas e palavras não fazem justiça ao que ele um dia já foi.
MÉDIO OFENSIVO
Foi há 12 anos! Quem se lembra? Obrigado @FCPorto #SomosPorto #FCPorto #FCP pic.twitter.com/SrCRyObI41
— Deco 20 (@Deco20oficial) May 21, 2015
Deco – Quem se lembra da famosa Liga dos Campeões de 2004, em que o FC Porto saiu vitorioso? Deco foi eleito o melhor jogador da prova e ficou em segundo lugar na Bola de Ouro, perdendo para o ucraniano Andriy Shevchenko.
Um ano antes, tinha acabado de conseguir a nacionalidade portuguesa e, coincidência ou não, o seu primeiro golo pela “Seleção das Quinas” foi precisamente contra o Brasil (país onde nasceu) num amigável. Em termos clubísticos, cravou o seu nome na história do Chelsea FC e FC Barcelona, alcançando 24 títulos no total.
Uma lenda do futebol que terminaria a sua carreira de forma memoriosa com uma partida amigável entre o FC Barcelona e FC Porto, marcando um golo para cada lado.
EXTREMO DIREITO
🗓️ #OnThisDay in 1987, John Barnes became a Red. 🔴 pic.twitter.com/qjuChfX3s6
— Liverpool FC (@LFC) June 9, 2018
John Barnes – Se estás familiarizado com a Seleção inglesa nos anos 80 e 90, então este nome não te é estranho. Mesmo que tenha nascido e crescido na Jamaica, foi um dos melhores jogadores de sempre a carregar o emblema dos “Três Leões” ao peito. Ficará certamente na memória pelo seu golo inesquecível contra o Brasil, em 1984.
No Mundial de 1990, foi marcante por um motivo atípico – um rap que se tornou um single do momento: “The World Motion”. Além disso, foi capitão do Liverpool FC até 1997, conquistando inúmeros títulos. Para muitos, a camisola dez sempre lhe pertencerá. Como diria Sir Tom Finney, “jogadores como John Barnes aparecem apenas uma vez na vida”.
PONTA DE LANÇA
🔙✨ #OTD in 1989, Alfredo Di Stéfano became the only player in history to receive the Super Ballon d’Or, for his outstanding career.#HalaMadrid | #RealFootball pic.twitter.com/yLtYdEb6H9
— Real Madrid C.F. 🇬🇧🇺🇸 (@realmadriden) December 24, 2020
Alfredo Di Stéfano – É conhecido por ser, porventura, o símbolo do “madridisimo” – uma lenda que, em tempos, levantara cinco vezes de seguida a Taça dos Campeões Europeus (1955/56-1959/60). Absolutamente incrível.
Mas sabiam que Di Stéfano é dos únicos jogadores a representar três seleções diferentes? Embora tenha nascido e realizado seis jogos pela Argentina, trocou o seu país pela Colômbia, mesmo sem ter nacionalidade colombiana. Ao que parece, não foi a escolha acertada. Mais tarde, naturalizou-se espanhol e registou 23 golos em 31 jogos pela La Roja.
Vencedor de duas bolas de ouro (1957 e 1959), faleceu em 2014, com uma paragem cardíaca. Um dia triste para o futebol – a morte de uma lenda.
EXTREMO ESQUERDO
Capturou a imaginação de milhões e fez o mundo sonhar. Eusébio da Silva Ferreira faria hoje 76 anos. O seu futebol viverá para sempre. #TudoPorPortugal pic.twitter.com/tR8FHdSoRO
— Portugal (@selecaoportugal) January 25, 2018
Eusébio – O melhor fica sempre para o fim. Natural de Moçambique, jogou numa equipa federada local do Sporting CP antes de se mudar para Lisboa, para o rival SL Benfica, aos 18 anos de idade. E é a partir desse momento que a magia paira no ar de Portugal.
Em 1961, estreia-se pela seleção nacional contra o Luxemburgo, marcando um golo. Nessa mesma temporada, leva o SL Benfica à vitória da sua primeira Taça dos Campeões Europeus, com dois golos frente ao todo-poderoso Real Madrid CF. Mal sabia que tornar-se-ia o maior goleador da história do SL Benfica com 596 golos em 557 jogos. É um orgulho escrever sobre esta lenda – o melhor jogador português de todos os tempos. Descansa em paz, “Pantera Negra”!














