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5 jovens em destaque fora das «big-5»

Diogo Ribeiro · 8 min

Foto: UEFA

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Não há no mundo qualquer fronteira geográfica que limite o talento de quem, olhando para uma bola de futebol, vê um instrumento de magia. Longe dos holofotes mediáticos das big-5, há muito e bom futebol para acompanhar e, numa altura em que o futebol de qualquer canto do mundo está mais acessível, há muitos jovens craques que são destaque nos seus clubes e respetivos campeonatos.

Numa lista onde, independentemente da liga ou da nacionalidade, o futebol fala a mesma língua, são destaque cinco jovens que, pela qualidade demonstrada, darão certamente o salto para os maiores palcos do mundo. Por agora, vão sendo destaque nos seus campeonatos que sorriem por poderem presenciar tamanha qualidade todas as semanas.

Na lista predominam jovens talentos do Velho Continente, muitos deles já com particular destaque – expectável, diga-se – na Liga dos Campeões. Ainda assim, há também espaço para olhar para divisões inferiores e para viajar até ao Brasil para conhecer um futuro talento capaz de marcar gerações.

5. Endrick (SE Palmeiras)

É difícil falar de Endrick e não esquecer que estamos apenas a falar de um menino. Um menino que ainda tem idade para jogar nas camadas jovens.

21 de julho de 2006. Nascia neste dia um fenómeno nas “categorias de base” do Brasil. Uma força física e técnica com instrumentos e recursos infinitos. Um rapaz que cresceu constantemente a jogar com os mais velhos e que, com apenas 16 anos concentra a atenção de meio mundo. Estreou-se pelo Palmeiras no jogo contra o Coritiba a 6 de outubro e, se cumprir o potencial, colocará também Tabata – com quem entrou em campo – no dossier de fotos históricas do mundo do futebol.

As comparações com Ronaldo Nazário são inevitáveis, dadas as semelhanças entre os dois. E Endrick tem tudo para também virar um Fenómeno. A capacidade física é a primeira coisa que se destaca ao olhar para o brasileiro. Com apenas 1,73 metros –importante reforçar que ainda está numa fase de crescimento – é capaz de ganhar duelos físicos com adversários mais altos e, aparentemente, mais fortes. O seu principal recurso é, no entanto, a velocidade. Fatal em campo aberto, apresenta uma mudança de velocidade difícil de travar e é muito forte em condução. A força física aliada à capacidade de conduzir em velocidade e à qualidade no drible fazem com que Endrick, tal como Ronaldo, seja capaz de transformar uma jogada aparente controlada numa dor de cabeça para os defesas. Tem facilidade em procurar o remate, em movimentar-se dentro e fora de área – em apoio e procurando ruturas na profundidade – e ganha segundos preciosos com receções precisas.

Naturalmente ainda há muito a melhorar. Ainda assim, pela capacidade demonstrada no presente é impossível não perspetivar um futuro brilhante para Endrick. Se, ao contrário de Ronaldo, for capaz de se manter longe das lesões podemos estar mesmo a falar de um talento geracional que conquistará a Europa num futuro próximo. Por agora, deixem-no brilhar no Brasil e que a única exigência seja continuar a ser uma criança feliz.

4. Jurrien Timber (AFC Ajax)

É o nome mais conhecido desta lista de jovens e um dos poucos jogadores que resistiu à saída em massa do Ajax neste verão. No início da terceira temporada ao mais alto nível – isto com apenas 21 anos – Jurrien Timber tem dado novamente provas do seu valor.

Produto da academia de jovens do Ajax, Timber continua a fazer o nome do lendário Rinus Michels ecoar no presente. Tanto pela marca registada da formação Ajax, como pela maneira como joga dentro de campo, fazendo lembrar as bases do “futebol total”. É um defesa central com valências com bola. Além de progredir em campo com a bola, tem tendência para combinar com os médios. Toca e recebe mais à frente, numa ousadia de movimentos só ao alcance de poucos jogadores (e de ainda menos centrais). Mesmo sem bola é usual ver Timber projetado no meio-campo contrário como opção para receber a bola. As projeções com bola são compensadas defensivamente pela velocidade em recuperar terreno. É também forte fisicamente e capaz de ganhar duelos quer pelo ar, quer pelo chão.

Titular em todos os jogos disputados pelo Ajax esta temporada, é neste momento o provável titular da seleção neerlandesa no Mundial 2022. Aliás, a titularidade – e presença mesmo, dada a abundância em quantidade e qualidade de centrais neerlandeses – no Mundial deve ter sido uma das razões que levou Timber a continuar no Ajax. Van Gaal já garantiu que a importância e minutagem no clube será fator relevante na escolha dos 26 convocados e dos 11 titulares e, continuando no Ajax, Timber parte em vantagem em relação a nomes como De Ligt. O sistema de três centrais com grande preponderância dos centrais exteriores em condução também é argumento a favor da titularidade do central que é muito mais que um defesa.

3. Mykhaylo Mudryk (FC Shakhtar Donetsk)

Num país destroçado pela guerra, Mudryk é sinónimo de esperança, de orgulho e da resistência de todos os que, por 90 minutos, se podem apagar do mundo para ver brilhar o jovem ucraniano.

Com apenas 21 anos, tem sido destaque do Shakthar esta temporada, tanto num atípico campeonato nacional, como na Liga dos Campeões, onde acumula lances de génio, golos e assistências. No entanto, quem o acompanha há mais tempo já estava preparado para o furacão que aí vinha. Aproveitou a época passada para beber do sumo de De Zerbi e para aprender ao lado dos virtuosos Solomon, Pedrinho e Tetê (não chegou a jogar com Neres) e esta época é o destaque maior do Shakthar.

Num ano em que o clube perdeu a base brasileira, Mudryk não deixou o samba esquecido. Tem jinga nos movimentos e a inclinação corporal denuncia o drible (só não denuncia qual Mudryk escolherá dentro da sua panóplia alargada). Ainda assim, é em campo aberto que ucraniano é mais perigoso. Vertiginoso na corrida e acutilante nas mudanças de velocidade, deixa com facilidade os adversários para trás. Muito forte na condução e com capacidade associativa para procurar combinar com os colegas, estamos na presença de um diamante em bruto. Com as lapidações corretas chegará ao topo.

Esta temporada, em 10 jogos, tem cinco golos, sete assistências e inúmeros aplausos. Se o ano passado foi ovacionado em pé num Bernabéu apaixonado pelas suas fintas, este ano Mudryk é aplaudido na sua terra natal. Aplausos que mostram que o futebol nunca será só um jogo.

2. Alberto Moleiro (UD Las Palmas)

Um jovem médio do Las Palmas, franzino, com bom toque de bola e criativo. Há uns anos, estaríamos a falar de Pedri, mas hoje falamos de Alberto Moleiro.

Moleiro é um menino da rua e um produto dos anos a jogar nos bairros e praias de Tenerife. Chegou ao Las Palmas em 2019 e após um ano na equipa B bateu à porta da equipa principal de onde nunca mais saiu. É aos 19 anos o novo menino bonito das Canárias e promete chegar ao mais alto patamar do futebol europeu.

Tem no futebol o ADN irreverente de quem se fez jogador nas ruas. Preferencialmente a partir do meio – nas costas do atacante –, mas também a partir das faixas, conduz a bola coladinha ao pé, arrisca no drible e domina o timing para soltar a bola, concentrando nele a atenção para depois soltar nos colegas. Futebolisticamente as comparações com Pedri não têm grande fundamento, tirando o facto de serem ambos jogadores com qualidade superlativa e alto índice de criatividade: jogam em zonas diferentes do terreno e têm características diferentes (Pedri mais influente na criação, diferenciado no passe e Moleiro mais desequilibrador, com uma ousadia singular no drible). Ainda assim, pelo percurso e pelo potencial, os dois meninos bonitos das Canárias têm muito em comum.

Moleiro, em entrevista à Marca, definiu-se enquanto jogador: “Quando me vejo com a bola, eu encaro o adversário e procuro a melhor opção. Às vezes consigo e supero-o, outras tiram-me a bola, mas o importante é atrever-me a experimentar. É algo que vem da rua. Sempre joguei nas ruas, nos campos com os meus amigos no verão”. Poesia pura, numa altura em que a irreverência e a criatividade são cada vez mais cortadas em prol da mecanização, e em que os criativos são obrigados a vestir o fato macaco do operário e a esquecer o que foram aprendendo enquanto artesãos.

Nesta época, o Las Palmas assume novamente o estatuto de candidato à subida. Garcia Pimienta juntou na equipa talentos como Moleiro, Loiodice, Viera e Clemente e tem sido recompensado. Está atualmente no primeiro lugar da Segunda Liga Espanhola, invicto e a praticar um futebol atrativo que se exprime na afirmação dos talentos (também jovens) da equipa. Moleiro, não sendo um jogador das estatísticas, conta com três assistências. A calculadora sorri ao ver os números, mas os olhos sorriem mais ao vê-lo em campo.

1. Ferran Jutglà (Club Brugge KV)

O menino de Sant Julià de Vilatorta, uma pequena vila com menos de 4000 habitantes, é um dos nomes da Liga dos Campeões nesta temporada.

Jutglà chegou ao Brugge no verão após despontar no Barcelona. Depois de ter estado nas camadas jovens dos culés e do rival da cidade, o Espanyol, Jutglà teve a primeira oportunidade no topo do futebol pelas mãos de Xavi. Resgatado à equipa B em novembro, o ponta de lança estreou-se pelo Barcelona em dezembro de 2021, chegando a fazer seis jogos na La Liga. A chegada do mercado de inverno e de nomes sonantes como Aubameyang resfriou a aposta de Xavi na juventude da La Masia, e Jutglà voltou à equipa B.

Ainda assim, o espanhol tinha mostrado ao mundo as suas qualidades e o Brugge contratou-o pela módica quantia de cinco milhões de euros. Uma pechincha face ao valor de Jutglà. Muito forte no jogo em apoio, é capaz de jogar de costas para a baliza quer ao primeiro toque, quer segurando a bola. Demonstra também boa relação com a baliza, envolvimento nas tarefas de criação (recuando por vezes no terreno) e capacidade técnica quer para procurar o drible quer para atacar o espaço.

Com apenas 23 anos Jutglà está a fazer a melhor temporada da carreira. Em 16 jogos, conta com oito golos e cinco assistências, sendo um dos jovens destaques do clube sensação da maior prova de clubes do continente europeu, já apurado para a próxima fase (o Porto que diga quanto sofreu às mãos – e pés, principalmente – de Jutglà).

Diogo Ribeiro

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